PSOE de direitas (ou nom) e o curioso paradoxo X Acratosaurio rex

Farto dessas supostas ativistas revolucionárias que, de maneira pontoal, acodem em cada cita eleitoral a inserir seu voto numa urna. Lá vam ilusas e cândidas, a confiar de novo nos candidatos dessas falsas esquerdas pretendidamente revolucionárias, lá desfilam submissas co sua papeleta nas mãos, coa vana esperança de que as coisas mudem quando seus líderes governem e possuam os mandos desta democracia Capitalista. Farto dessas fantasiosas mentideiras que, coma um mantra, repitem que a culpa da vitória das Direitas é coisa das abstencionistas; dispunha-me a escrever algo rotundo para respostar-lhes; mas como coisa de encantamento, de novo aquele dito de “tudo parecido coa coincidência é pura realidade”, que eu usava como coletilha no meu programa da rádio Kalimera, “Comochoconto”, entrou na minha vida, quando aos poucos lim este texto de Acratosaurio Rex, publicado ontem em AlasBarricadas e que veu-me, coma anel ao dedo, para traduzi-lo e dar-lhe pulo porque gostei muito dele (como figem em outras ocasions) e porque suas palavras aforram-me redatar eu uma resposta a tanta estupidez de quem crê que votar esquerdas é revolucionário; dessas engana-bobas que mantenhem falácias coma que, quando os seus governaram, mudaram algo na história e milhoraram a situaçom do povo. Lá vai (mantendo suas cursivas e engadindo, com seu permiso expresso, uma esquerda de acolá, tamém vendedora de botes oum mais bem de fumes):

 Tétricos pássaros, nom sabemos se de direitas ou de esquerdas

Há um paradoxo que se acostuma passar por alto nos debates eleitorais entre a gente de mui de esquerdas. Resulta que de XIV legislaturas que temos padecido, tem governado o PSOE em sete ocasions (1). E no entanto, a política laboral deste partido encaminhou-se sempre para o contrato precário, os topes salariais, a bonificaçom do despedimento, o recorte de subsídios de desemprego, as subvençons a empresários e banqueiros… Como é possível que governando um partido socialista e operário mais da metade do tempo, tenha uma política laboral dirigida à precariedade, etc? O mesmo é que isso é fazer política de esquerdas, nom si?

A resposta costuma ser uma risinha desdenhosa. Esquerdistas de pura cepa perguntam-me como com pena, no tom em que se fala a um menino de capacidades especiais, que se eu creio ainda ou todavia, que o PSOE é um partido de esquerdas.

E pois claro que o creio. Tu pergunta a qualquer socialista e dirá-te que ele é de esquerdas, que seu partido tem feito maravilhas por España, e que ademais levam com orgulho a palavra obreiro em suas siglas. Os demais de esquerdas dizem chamar-se que se unidas podemos, que se compromís, que se más país, que se en comun marea, que se bloco nacionalista galego, que se reunir euscalerría… Som todas siglas de merda que nom explicam ná, e que igual poderiam servir para vender botes de pesca. Em troques, Socialista, Obreiro, España… Enche-se-lhe a boca ao militante do PSOE com a esquerda: eles dizem ser, a esquerda real, a que pode governar.

Claro, de imediato o esquerdista honesto, nascido para governar para os pobres, assinala-me que uma coisa é o que se di, e outra o que realmente se fai. O PSOE foi em sua origem um partido de esquerdas, mas realmente fai política de direitas.

Entom este é o paradoxo. Estamos na 14 Legislatura, depois das eleiçons do 3 de dezembro. O PSOE tem governado aproximadamente 23 anos de 40, e o resto o PP por resumir. Se o PSOE fai política de direitas, resulta que neste país as eleiçons sempre as ganha, sempre, a direita. E pois isso… Minhas perguntas som, em tom muito bondadoso, as seguintes: ainda nom vos inteirastes, de que as eleiçons parlamentares, fam-se para que governe a direita? Pára que se apresenta a esquerda, quando sabe de antemám que vai perder? Nom deveriam propor as esquerdas essas que presumem de se-lo e de ser tam listas, alguma mudança de estratégia? É que se nom parecera que o único que querem, é pilhar cacho, cadeira, despacho, a tablet, dietas, bonos, em troques de falar dez minutos quando lhes toque…, para acabar sendo, no melhor dos casos, ejem, a mascote republicana do rei.

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(1) O PSOE governou em solitário ou com apoios mais ou menos: 1982, 1986, 1989, 1993 (até 1996), 2004, 2008 (até 2011), 2018 até a atualidade. Uns 23 aninhos.

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