As doenças mentais das refugiadas x Mercè Rivas Torres

A escritora e jornalista, comprometida com organizaçons humanitárias e em estudos relacionados com as refugiadas e migrantes, publicou há uns dias na web Nueva Tribuna este seu artigo de opiniom, ao que agora eu, tras traduzir, dou pulo acá:

O desarraigamento, o stresse, a incerteza, a friagem, a fome ou o maltrato podem levar a refugiadas e migrantes a sofrer graves doenças mentais. Dá igual que tenham que abandonar seu país por razons políticas, bélicas ou económicas. Uma das piores experiências que pode sofrer o ser humano é ter que viver o desarraigamento, o encher uma pequena mala e ter que abandonar a sua família, a sua terra, as suas raízes para ir pedir ou pior ainda, nalguns casos a mendigar pão, casa e papéis.

A isso há que engadir os feitos que, prévio a sua fugida, tivera que viver. Falamos de pessoas que perderam familiares e amizades, que viram como a intolerância e a guerra demoleu suas vivendas Ou simplesmente desesperaram-se ao ver como nom podiam manter a suas famílias e seu dia a dia é um inferno.

Mas nom todas podem abandonar seus países. Só fam tal as mais fortes, as que disponhem de dinheiro e de força mental. Dinheiro sim. Fai falha muito dinheiro para pagar pateras, máfias que te cruzam as fronteiras, autocarros ou comboios que te levam a um lugar melhor. Ou que elas pensam que é melhor.

Tamém precisam força mental para superar toda caste de calamidades e violaçons polo caminho. E quando falo de violaçons refiro-me a humilhaçons, falha de respeito aos direitos humanos e tamém violaçons sexuais a mulheres e meninas.

E desde o conforto das nossas casas enquanto queixamo-nos do estrés laboral ou dos confinamentos da pandemia, miramos-lhes nas televisom como intrusas que chegam a nossos países queixando-se de tudo. Concedendo-lhes ajudas como grandes atos de solidariedade, recelando das suas atuaçons e petiçons, olhando-lhes por cima do ombro e na maioria dos casos negando-lhes estatutos de refugiadas ou papéis que lhes permitam sobreviver num mundo estranho para elas.

Cremos que se lhes damos pão, casa e papéis já temos o expediente finalizado mas nom é assim. A maioria destas pessoas deslocadas, sejam como sejam ou vingam de onde vingam, sofrem numerosos problemas psicológicos que nalguns casos desembocam em suicídios.

“Numerosas refugiadas apresentam transtornos de stresse postraumático, que se desenvolve após viver situaçons muito difíceis, e outros problemas de saúde mental como ansiedade, depressom, apatia ou ataques de pânico”, informa a Comisión Española de Ayuda al Refugiado (CEAR).

A Diretiva de Acolhida européia obriga aos Estados europeus a “garantir a proteçom da saúde mental das pessoas refugiadas”. No entanto, nom sempre se cumpre. Depois da chegada de refugiadas da Síria, Iraque e Afganistám a Europa nos anos 17 e 18 só um 4% destas receberam ajuda psicológica em Alemanha, seu principal país de destino. Ao mesmo tempo que o Colégio de Psicoterapeutas alemám publicava um relatório que afirmava que a metade das pessoas que chegaram a esse país padecia um transtorno mental.

Seus sintomas som visíveis: ansiedade, angústia, pesadelos, apatia, desesperanza, frustraçom, somatizaçons como cefaleas ou dores musculares, problemas de sonho, depressom, ou transtorno de stresse postraumático. Inclusive em outras ocasions podem aparecer transtornos mais severos como esquizofrenia desencadeados polas experiências traumáticas vividas.

Mas desgraçadamente vivemos numas sociedades nas que pensamos que se conseguem, pão, vivenda e papéis já nos podem estar agradecidas. E teríamos que nos propor se esse é o sentimento geral. Têm-nos que agradecer algo? Som seres humanos coma nós e o planeta é de todas.

E como consequência destes transtornos, atopamo-nos com notícias que nos falam de suicídios, de pessoas que nom suportam a situaçom e que às vezes como no campo de Moria, em Lesbos (Grécia) encontram-se com “o pior acampamento do Mundo”, segundo expertas no tema. Com tendas de campanha inundadas, com um sistema de esgoto que nom funciona e a água suja do inodoro chega às tendas e os colchons onde dormem as famílias.

Diante estes meios e a falta de atençom psiquiátrica, algumas pessoas decidem quitar-se a vida. Tem-se que estar muito mau para acabar com sua vida após ter superado miles de provas.

A ONG “Médicos Sem Fronteiras” denunciou no final de novembro um número crescente de crianças refugiadas que cometeram tentativas de suicídio em sórdidos campos de refugiados. Meninos que chegaram sozinhos a Europa já que suas famílias acharam que embarcando numa patera conseguiriam uma vida melhor.

O número de suicídios e tentativas de suicídio entre refugiadas de Sudám do Sur que vivem em assentamentos em Uganda aumentou mais do duplo em 2019 em comparaçom com o ano anterior, informou ACNUR, a Agência da ONU para as Refugiadas. Houvo 97 tentativas de suicídio, com 19 mortes.

Conviria uma reflexom européia ante estes feitos.

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