Humor Refraneiro “Errando Adeprendes”

Desde cativo andava sempre jogando com pólvora e rebentado petardos de fabricaçom caseira ainda que era um desses dos que, dadas suas poucas luzes, se dizia dele que nom tinha inventado a pólvora e por isso, muitos dos seus experimentos -nunca milhor dito- fracassavam estrepitosamente. Cicais por isso andava sempre co mesmo refrám entre dentes: “Errando Adeprendes”.

Era o seu slogan, o seu mantra, o seu jeito de se enfrontar aos seus numerosos equívocos e as suas contínuas meteduras de zoca, a sua coringa para nom dar importância a seus erros e seguir indo pola vida nom fazendo cousa com cousa.

Anos há que perdim o seu contato até que ontem, um amigo comum da nossa infância, dou-me conta dele, do seu único éxito e tamém do seu derradeiro erro.

“Val mais errar que deixar de tentar o que se quer lograr”.

Tras anos de motivaçom patriótica e de fracasso escolar, sendo ainda moço, ingressara coma voluntário no Exército de Terra co galho de estar em contato com todo tipo de bombas, artefatos explosivos, detonadores, temporizadores, conmutadores,… se bem estivera durante anos exercendo coma simples soldado raso e sem ter apenas contato com esse mundo explosivo que ele tanto anelava. Foram anos em que seus companheiros de armas estavam fartos de escutar-lhe cantar a todas horas, fracaso tras fracaso, a sua nova copla: “o que pronto se logra, pronto s’aborrece”.

E chegou o dia e chegou a romaria quando depois de muito tempo de sacrifícios e múltiples fracasos conseguira por fim seu objetivo de entrar nos TEDAX, coma auxiliar de artificieiro desativador de explosivos; “com tempo e esperança tudo se alcança” dim que digera.

No seu primeiro dia em faena encarregaram-lhe neutralizar a carga explosiva duma bomba da guerra do 36 que fora achada sem explosionar em Alcoi, mas algo falhou entanto ele a manipulava e bomba e ele voarom polos aires fundidos em anaquinhos.

No seu epitáfio, a sua retranqueira família, conhecedora e à vez sofridora da sua teima explosiva e do seu gosto polo refraneiro, deitou inscrito sobre sua lápida:

“Quem as busca, encontra-las”

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