[Gran Canaria] Adiado juízo ao anarquista Ruymán Rodríguez.- “GUARDAS CIVIS que me TORTURARAM reclamam agora ser AFORADOS”

O julgamento que se devia celebrar ontem 24 de março em Las Palmas de Gran Canaria contra o anarquista Ruymán Rodríguez, acusado dum suposto delito de “atentado à autoridade”, foi adiado.

Em conversa telefónica com o jornal digital Canarias Semanal, o próprio Ruymán explicou as razons deste inesperado giro num processo que tanto a Federación Anarquista de Gran Canaria como o Sindicato de Inquilinas desta ilha qualificam como um novo caso “de perseguiçom política e montagem policial”.

Tal coma dim de conta nesta minha bitácora, Ruymán Rodríguez, destacado ativista anarquista pelo direito à vivenda, fora imputado por supostamente ter dado uma  patada a um guarda civil nas dependências do quartel onde estava retido apôs da sua detençom ilegal produzida em abril do ano 2015, quando se dispunha a ir a seu posto de trabalho.

Por aquelas datas, o ativista libertário já denunciara que esta sua detençom fazia parte “duma campanha policial para desestabilizar o projeto de okupaçom conhecido como “Comunidad La Esperanza”, do que ele mesmo fora um dos principais impulsores.

Mas Ruymán denunciara tamém que “foi torturado durante sua detençom por três dos guardas civis“, um dos quais interporia a sua vez uma denúncia contrá ele, que o levou á bancada, acusado dum delito de “atentado à autoridade” pelo que se lhe pede uma condena de 18 meses de cárcere e 700 € de multa.

Pese à enorme trascendência mediática que tivo seu caso nas últimas semanas, não é tam conhecido o feito de que, finalmente, ambas denúncias cruzadas foram admitidas a trâmite, de maneira que no juízo que se ia celebrar ontem Ruymán Rodríguez é ao mesmo tempo acusado e acusador dos guardas civis.

E foi justo a sua denúncia por “torturas e detençom ilegal” a razom de tal adiamento.

“Quando chegamos ao julgado -expom Rumyán- atopamo-nos com a surpresa de que o juízo não se ia celebrar porque os guarda civis reclamaram diante a juiz ser aforados, o que implicaria que o julgamento se passe a celebrar na Audiência Provincial”.

“A questom -acrescenta Ruymán- é que os guardas civis dispugeram de meses para fazer esta petiçom e não fizeram tal. Eu acho que é possível que sua decisom poida-se dever à grande repercussom que tivera este caso, tanto dentro como fora do Estado español, com expressons de solidariedade em países como Alemanha, Grã-Bretanha e até EE.UU.

Desenvolveu-se uma potente campanha, porque crio que se entendeu que esta não é em absoluto uma questom pessoal, senom que tem que ver com algo tam importante como é a luita polo direito à vivenda, e é muito possível que esta campanha, e a pressom social correspondente, tenha-lhes assustado, e levado a tentar adiar o julgamento, esperando que assim a situaçom se enfrie”.

“A POSSIBILIDADE DE QUE POLÍCIAS E GUARDAS CIVIS POIDAM SER  AFORADOS DEVERIA ALARMAR-NOS A TODAS”

“Agora há que esperar -aponta Ruymán- à decisom da juiz. Se decide na contramão da petiçom dos guardas civis o juízo terá que seguir numa data razoável, mas no caso de que chegue à Audiência Provincial poderia demorar durante um tempo que não podemos conhecer”.

Para Ruymán, em qualquer caso, “o mais grave seria que se lhe conceda este  incrível privilégio a polícias e guarda civis”.

“Como sabemos -explica este militante anarquista e vizinhal- à polícia já se lhe concede a presunçom de veracidade. Tampouco esperamos que se lhes condene. A Fiscalia pede para eles a livre absoluçom, enquanto para mim pede os 18 meses de cárcere. Nossa intençom desde o princípio foi utilizar este processo para fazer denúncia pública”.

“Mas se, além, aos guardas civis e polícias começa-se-lhes por considerar aforados, oferece-se-lhes o privilégio de não ter que dar contas diante os mesmos julgados que o resto da cidadania, senão ante instâncias superiores, com o que estaríamos ante uma situaçom que deveria alarmar-nos a todas”.

“Há que recordar -pontualiza Ruymán- que falamos de corpos policiais que estám em contato direito com a povoaçom civil, que vam armados, e que as denúncias por abusos e torturas nas suas dependências som numerosíssimas.

 “Aqui em Canarias, aproveitam o feito de que muita gente não conhece seus direitos, e não se lhes ocorre fazer coma eu no meu caso, que reclamei o hábeas corpus e pedim comparecer ante a juiz depois das agressons que sofrim no quartelilho”.

“Estám tamém muito próximas -engade- as imagens de como nestes tempos de pandemia, agentes de polícia golpearam cidadás pola ruas por qualquer motivo, a surra que dois polícias ministrarom a um pai e sua filha em Linares ou os abusos contra as migrantes.

 “FORAM A POR MIM POLO MEDO QUE GERAM PROJETOS DE  AUTOGESTOM DE VIVENDA COMO O DE LA ESPERANZA”

Perguntado sobre as razons polas que, na sua opiniom, fora detido no 2015, Ruymán não duvida em assinalar que:

“Em princípio, denunciaram-me polo medo que gera num município como o de Guia, um projeto como o de La Esperanza. O projeto de autogestom de vivenda maior do Estado español, com mais de 200 pessoas realojadas.

“Com uma mentalidade muito quadriculada e hierárquica, a Guarda Civil pensava que se se carregavam ao que consideravam o líder desse projeto, acabariam com o mesmo. Não podiam, nem podem entender, que este projeto não tem líderes e por tanto é absurdo pensar que se pode descabeçar.

“Este -insiste Ruymán- não é mais que um outro caso de perseguiçom política, mas também de aporofobia. Deixou-mo muito claro um dos polícias no quartelilho, que me espetou: se tu és anarquista que fas trazendo chusma e gitanos a este município; quando deverias estar em Las Palmas queimando contêiners e caixeiros.

“E é que esse é o “anarquismo” que eles preferem -explica Ruymán-, enquanto o que mais temem é que o anarquismo se vincule com as gentes dos bairros, com os vizinhos e as vizinhas, com as pessoas sem recursos. Isso é o realmente perigoso para eles, e seu objetivo não é outro que o de acabar com estes laços e projetos sociais”.

“A questom é -conclui Ruymán- que lhes saiu o tiro pola culata, porque conseguiram todo o contrário. Atualmente, já há 10 comunidades de autogestom da vivenda em Gran Canaria, com 1.000 pessoas vivendo em casas recuperadas. Em casas que, em todos os casos levavam abandonadas mais de dois anos, e som propriedade de bancos e fundos abutres, que som as únicas que okupamos, para famílias sem outra alternativa habitacional, migrantes em situaçom de perseguiçom policial ou mulheres maltratadas que não estám a receber as ajudas necessárias da administraçom em casas de acolhida”.


Mais informaçom nesta entrevista das compas de AlasBarricadas feita pouco antes de se adiar seu juízo:

#Ruymánlibertad: una pequeña entrevista para recordar porqué se juega lo que se juega mañana https://www.alasbarricadas.org/noticias/node/45583

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