“A POLÍCIA” segundo o anarquista MANUEL GONZÁLEZ PRADA (Lima, 1844 – 1918)

Colo acá estas duas imagens nas que se recolhe o texto originário (em castelám) publicado no seu livro póstumo “ANARQUÍA” e escrito nos primeiros anos do século XX

E colo acá, um anaco traduzido:

Se os polícias evitaram acidentes e crimens, estariam exercendo uma laboura humanitária; mas, polo geral, cuidam-se só de perseguir ao criminoso. À pessoa assassinada, em que lhe benefícia a captura ou o julgamento do assassino? À mulher violada, que lhe remenda o castigo ao violador? Vingança pública, sançom moral, escarmento,… Som por acaso, algo mais que palavras ocas??

Desde os primeirinhos anos, caseque mesmo desde o berço, a polícia amarga e entristece a vida das pessoas, pois se outrora assustavam às crianças com demos, aparecidos e bruxas, hoje amaeaçam com o garda da esquina.

Nom servem para conservar a ordem pública senom para defender aos governos abusivos.(…) Corporaçom tam bem selecionada, persegue ás adversárias do governo, inventa conspiraçons, pratica a chantagem, provoca motins, apaleia escritores, arrasa imprentas, viola mulheres, tortura pessoas presas, furta do roubado, assassina nos caminhos à culpável e mais à inocente…

O agente de polícia representa o derradeiro elo da ominosa cadeia formada por Ministros de Governo, o prefeito, o subprefeito, o comissário, o inspetor. Nom tanto ninguém mais altaneiro nem mais inexorável que o agente de polícia: formiga com presunçons de elefante, rabo com orgulho de cabeça. Segue por lei: baixeza diante seu superior, altivez com o inferior. Tudo humildade diante da gram dama e o gram senhor, tudo soberbia diante da tímida labrega, do pobre negro ou do infeliz migrante. Nasce do povo, vive na intimidade com a sua gente, conhece as misérias das deserdadas,… e declara-se seu inimigo implacável.

Nom compreendemos como, havendo tantas maneiras de ganhar-se a vida honradamente, poida um home afiliar-se à polícia. Se conservas um resto de pudor e dignidade, se nom perdeste o teu derradeiro resíduo de vergonça, sê tudo quanto no mundo poida ser um home, tudo, agás agente de polícia. Adica-te ao ofício mais baixo e menos limpo,… porque despedindo maus cheiros, pingando imundícias, aparentarás menos fedorento e mais limpo que instaldo numa esquina, co teu vestido caqui, a tua gorra branca e a tua porra da lei.

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