Arquivo mensal: agosto 2021

De “Civilizados” e de “Bárbaros” x Alberto Vázquez Figueroa

“Nada há que goste mais a um ser de humano medíocre -e neste, como em todos os países, costumam ser maioria- que se considerar parte duma raça superior”

do seu livro “Alí en el País de las Maravillas”

Considero ao autor dos textos que acá colo, uma pessoa “civilizada” preocupada polas pessoas deste nosso mundo, capaz de pôr-se na pel das nenhumeadas e de dar voz nos seus livros (mesmo sejam de fiçom) às silenciadas deste Planeta. O seguinte texto é parte do seu livro “Anaconda” :

(…) No entanto, não se detiveram a meditar que, no fundo, a forma de vida e de cultura que os povos amazónicos mantêm é bem mais lógica e está bem mais de acordo com o mundo em que vivem que nossa própria “supercultura”. Durante milénios, indígenas foram capazes de adaptar-se ao habitat que se lhes oferecia, subsistir na Amazonia. Home branco precisa destruí-la, derrubar suas árvores, matar seus animais, esgotar suas terras e, no simples transcurso duma vida, acabar com um património que devia durar mil anos e alimentar às geraçons venideras.

Qual das duas formas de existência resulta, à longa, mais lógica?

Quem é, no fundo, o “civilizado” e quem o “bárbaro”?

Conhecim um velho índio que vivira longo tempo em Manaos. Quando lhe perguntei quanto lhe ficara de seu tempo de “civilizado”, respondeu:

Ficou-me o convencimento de que vocês tendes vosso mundo e nós o nosso… É inútil tentar uní-los. A soberba dos brancos despreza todo o estranho, e não admite que possamos ser iguais. Pretendem proteger-nos ou destruir-nos, e eu não estava de acordo… Aqui ninguém manda sobre ninguém nem castiga a ninguém… E, no entanto, todas vivemos em paz e obedecemos umas regras que não estão escritas nem são obrigatórias, mas que compreendemos que resultam imprescindíveis para conseguir conviver respeitando nossa liberdade…

Imagina esta situação entre os brancos…! Imagina um país ou uma cidade, ou uma simples aldeia, onde não houvesse autoridade, leis nem castigos…! Ninguém faria nada, mais que roubar, assassinar ou violar à mulher do vizinho… Ainda assim, os brancos consideram que sua civilizaçom é melhor do que a nossa, tam só porque têm descoberto mais coisas. Mas o mais importante, saber conviver em paz, ainda não o descobriram… Tamém não descobrerom que nada do que têm vale tanto como ser livre…

Este último conceito da liberdade a toda a costa, é, provavelmente, o maior obstáculo com que se atopa o “civilizado” para conseguir adaptar o índio amazónico ao mundo moderno. Para o índio, a liberdade significa-o tudo, e por tanto, o trabalho envilece desde o instante mesmo em que significa uma coação a sua liberdade. Poderá passar horas construindo uma choça ou devastando uma árvore, mas fará tal sempre e quando seja por gosto. No mesmo instante em que lhe apeteça pescar ou tombar-se baixo uma palmera, deixará a médias sua tarefa, sem se deter a pensar que tinha adquirido uma responsabilidade.

Responsabilidade” é um conceito inexistente para a maioria das tribos amazónicas. Responsabilidade significa fixação, e fixação significa fim da liberdade. O índio não admite ser responsável por nada, e nem como pai, nem como esposo, nem ainda como membro duma comunidade, contrai obrigas nem lhas exige a ninguém.

Crianças venhem ao mundo, e cuida-se-lhes por amor, não por obriga. Tampouco o matrimónio pressupom cuidado ou proteção; unicamente, aparelhamento. Na comunidade ninguém tem obrigas para com ninguém, e a maior parte das vezes não existem chefes. Curacas ou sumos sacerdotes estão considerados, todo o mais conselheiros. Quando se tem de tomar uma importante decisão comum, os curacas dam a sua opinião, mas não é obrigatório aceita-las. Pese a isso, e por sua mesma liberdade, todas respeitam as regras lógicas, mas “unicamente porque são livres de respeita-las”

De Antisistemas Colaboracionistas e outras ervas

"Nom estava especialmente predestinada a interessar-me pelos nazis. Os pais de meu pai nom estiveram nem do lado das vítimas, nem do lado dos verdugos. Nom se distinguiram por atos de valentia, mas tampouco tinham pecado por excesso de zelo. Simplesmente eram “Mitläufer”, pessoas que seguem a corrente. Simplesmente, no sentido de que sua atitude foi a da maioria do povo alemám, uma acumulaçom de pequenas cegueiras e de pequenas covardias que, somadas umas às outras, tinham criado as condiçons necessárias para o desenvolvimento dos piores crimes de Estado organizados que a humanidade conhecera jamais. Após a derrota e durante longos anos, a meus avôs faltou-lhes perspectiva, como à maioria dos alemães, para cair na conta de que, sem a sua participaçom, sem a participaçom dos Mitläufer, inclusive ainda que fosse ínfima a escala individual, Hitler nom teria estado em condiçons de cometer crimes daquela magnitude. O próprio Führer pressentia-o e conjeturava regularmente a seu povo para ver até onde podia chegar, o que se tolerava e o que nom, ao mesmo tempo que o inundava de propaganda nazista e antisemita".  "Os Amnésicos", de Géraldine Schwarz.

Um dos fenómenos mais curiosos e certamente triste da situaçom criada pola pandemia da COVID-19 é nom só a resposta autoritaria à que recorrem tantíssimos Estados, senom tamém o silêncio cúmplice com que muitos seitores progressistas ou de esquerdas acompanharam ditas restriçons, impostas por supostas razons sanitárias e a censura e perseguiçom de quem dissinta. Pessoas que veriam com horror atos de censura ou persecuçons em nome da religiom, da razom de estado, da naçom e inclusive da revoluçom, semelha que aceitam sem maiores complexos quando idênticas medidas som estabelecidas em nome da saúde. Alexis Capobianco e Ariel Petruccelli começam tal que assim o seu estupendo artigo, que convido a lêr na íntegra “O silêncio nom é saude” publicado na revista uruguaia on-line “Reactiva“ onde além deitam claro que “nenhuma política de imposiçons obrigatórias encaixa bem com o saber cientista; à contra, nom há nenhuma verdade última e até a mesma definiçom de qué é saude é objeto de contínuo debate ao longo da história. Na ciência nom há verdades últimas, senom verdades aproximadas e hipóteses milhor ou pior fundadas”.

Partindo destas teses, e dada na atualidade uma situaçom de falha total de debate nos grandes meios ao respeito das medidas presuntamente profiláticas tomadas polos governos e governinhos sobre nossas vidas, supostamente para cuidar nossas saúdes e sandar-nos da sua falha, e resultando evidente que nesses espaços se lhe estám a negar as palavras a qualquer cientista discrepante da oficialidade para que expresse em liberdade a sua opiniom; á vez que nas RRSS jurdem da nada empresas oficiosas com capacidade de censurar todo indício de dissidência na busca de borra-las do mapa… Pergunto às assimilistas das teses oficiais: Nom vos começades a sentir um tanto coma Mitläufer ? De verdade confiades cegamente nos mandatos da OMS ?? Ides a seguir assumindo qualquer disposiçom aleatória que se lhes passe pola cabeça a nossos governantes?

Se vossa resposta é afirmativa já vos vejo aplaudindo coas orelhas quando às antivacinas se nos obrigue a levar um distintivo tal qual figeram nazistas com os povos judeu e cigano e/ou apartando-vos com medo quando escutedes soar uma campainha anunciando nossa presença tal qual leprosas na Idade Média.

Até agora vos deixastedes deslumbrar polo temor a uma doença desconhecida e mortal, assumistedes todas as medidas sem chistar, calastedes covardes diante as censuras evidentes e a total falha de debate cientista.

Algumas vos conformastedes com calar e assumir todo quanta ordem vos chega desde arriba com certa resignaçom, e esperançadas vos mantedes aguarda de que esta situaçom tenha um pronto final; outras muitas deixastedes todo nas mãos de quem presuntamente sabem e, amossando vossa ignorância, ainda fazedes risas das nossas desconfianças e vos sumastedes goçosas às burlas que nos assimilam às defessoras de teorias planisféricas, terraplanistas e outros absurdos negacionismos; tamém há quem, ubicada desde sempre na dissidência anti-sistémica, agora pula pola oficialidade e adica-se a dar-nos liçons partindo dum seu íntimo conhecemento dum caso particular que lhe tocou de perto e mesmo há quem, gostador do “turismo revolucionário”, manifestou-se abertamente pro-vacinas porque ela sempre se cuida de nom pilhar doenças dos países empobrecidos quando vai de viagem, se bem nas suas viagens nunca foi provisto de tapa-bocas para nom contagiar com seus virus ocidentalizados às pobres subdesenvolvidas; e também existem quem defendem a sua postura oficialista porque doutro lado só estám “los cayetanos” da direitona rância exigindo liberdade e elas nunca estarám ao seu carom, nom vaiam contagiar-se.

Suponho que muitas figestedes e fazedes tal ou qual porque é muito cómodo estar quentinha a carom das teses oficialistas dado que nas margens da dissidência sempre vai muito frio. E passar frio resulta duro e pouco agradecido. Se há algum outro motivo que vos leva a posicionar-vos no mesmo lado da barricada que governos e governinhos e organismos internacionais eu o desconheço.

A mim nom me quita o sonho coincidir pontoalmente na discrepância com “cayetanos” e outras indesejáveis, pois tenho muito claro que eu sempre estarei nas barricadas de enfronte a elas; se bem reconheço que sim me incomoda ver tantas presuntas antisistemas ubicadas ao carom das teses oficiais disparando com seus lápises e seus teclados contra nós, as discrepantes, as censuradas,… mas prefiro sentir a friagem da soidade que sumar-me ao rabanho; poida que seja porque estou muito afeito a isso na minha qualidade de anarquista. O que sim podo assegurar é que durmo muito bem e tranquilo neste lado da barricada.

E vos, que tal se durme arroupado e ao carom de Papá Estado ??

[Grécia] E quanto às vacinações? x Anarquistas

Colo da Agência de Notícias Anarquistas este post traduzido do colado no Indymedia Grécia em metade de julho assinado por Anarquistas:

Enquanto o estado grego – como muitos outros estados europeus – está aumentando a pressão sobre sua população para obter a vacina contra a Covid-19, muitos parecem ter cedido a esta imposição de “fazer a escolha responsável”. Que fique claro que nós pensamos que os indivíduos podem ter razões legítimas para se vacinarem. Não temos um juízo moralista sobre se vacinar ou não. Mas continuamos relutantes. Pensamos que todo o discurso sobre ter responsabilidade na verdade visa dar maiores poderes ao Estado, criando uma sociedade dupla com privilégios para aqueles que cumprem e sanções para aqueles que não querem ou não podem cumprir. Isto significa um reforço do controle e das desigualdades.

Acredite nos líderes

Achamos que não temos que nos deter por tanto tempo. Temos sido forçados a usar máscaras enquanto caminhamos sozinhos em um parque. Temos sido multados por estarmos na rua à noite enquanto os metrôs estavam superlotados durante o dia. Temos sido insultados por nos sentarmos nas praças enquanto os ambientes fechados de trabalho estão funcionando na capacidade integral. E nós os vimos cinicamente calculando os custos para fornecer leitos hospitalares extras ao invés de fechar partes da economia. Nós temos visto eles optarem por contratar mais policiais enquanto a saúde das pessoas está em jogo. Vimo-los tentando abafar qualquer forma de protesto enquanto se empenham em políticas mais exploradoras e opressivas. Eles perderam toda a credibilidade e sabem disso, a única coisa que ainda podem fazer é torcer nossos braços e nos chantagear.

Acredite nos dados

Dizem-nos que os dados são claros, que se vacinar é a escolha (mais) segura. Mas mesmo se pudermos aceitar que os dados existentes sobre vacinação estão corretos, há uma grande quantidade de dados que (ainda) não temos. A primeira coisa que chama a atenção é que todas as vacinas são aprovadas temporariamente através de um processo de emergência. Nenhuma das vacinas da Covid-19 são totalmente aprovadas e não podem ser porque não temos nenhum dado sobre os efeitos a longo prazo. Podemos fazer suposições baseadas em outras vacinações similares no passado (embora as vacinas baseadas na nova tecnologia mRNA não tenham tal história), mas não há garantias quanto ao longo prazo. Todos que tomam a vacina devem estar totalmente cientes disso. E só por causa desse fato em si, qualquer obrigação ou pressão para tomar a vacina deve ser considerada eticamente errada.

Os dados que temos sobre as vacinas são principalmente de testes em laboratórios e ambientes controlados. Estes testes têm que ser estabelecidos em condições altamente controladas (mesmo que sejam testados em pessoas vivendo sua vida cotidiana) para se chegar a qualquer conclusão significativa sobre causa e efeito. É claro que a vida real tem muitas complicações, interferências, eventos imprevistos, etc. Assim, estes dados só podem prever o comportamento das vacinas de forma muito limitada. Na verdade, nós temos visto as recomendações sobre em quem não aplicar certas vacinas e as listas de possíveis efeitos colaterais sendo atualizadas enquanto as vacinas estão sendo administradas no mundo real e problemas imprevistos começam a acontecer. Nesta escala, os efeitos colaterais que só têm efeito sobre uma pequena porcentagem de pessoas vacinadas podem significar, na realidade, um dano colateral formado por milhares de pessoas. Mesmo no melhor dos tempos, a medicina moderna está longe de ter um histórico impecável quando se trata de respeitar a vida em toda a sua diversidade, nuances, complexidades e totalidade. Não se enganem, este é um experimento contínuo e em escala maciça.

Acredite na ciência

Dizem-nos que devemos confiar na ciência. Mas mesmo quando olhamos apenas para as recomendações científicas durante este ano e meio de pandemia de Covid-19, essa declaração é ingênua ou desonesta. No início da pandemia na Europa, o uso de máscaras era fortemente desaconselhado. A teoria era que o vírus se espalhava por contato e então desinfetar era a resposta certa (e havia falta de máscaras, então foram reservadas para os hospitais particulares). Meses depois esta opinião mudou e o consenso agora é que o vírus se espalha pelo ar e não por contato. De repente, as máscaras se tornaram a resposta para tudo. No entanto, também continuamos desinfetando tudo (em vez de ventilar – isso é chamado de teatro sanitário, onde a impressão de segurança é mais importante). Este é um exemplo que demonstra que a ciência pode errar e que a sociedade mais ampla pode demorar ainda mais tempo para perceber que estava errada.

Outro exemplo da pandemia sobre como não devemos confiar apenas na ciência é a confusão em torno da teoria do vazamento laboratorial. Logo no início da pandemia, um artigo co-assinado por muitos cientistas especialistas no assunto declarou a hipótese de que o vírus Covid-19 pudesse ter vindo de um laboratório como um total absurdo. Na época, este artigo tornou-se a base para que a grande mídia, redes sociais, políticos e especialistas pudessem rotular qualquer menção à hipótese de vazamento de laboratório como uma teoria da conspiração. Levou um ano inteiro, numa época em que este vírus estava todos os dias nas primeiras páginas, antes de alguns cientistas e jornalistas olharem mais criticamente para este artigo para concluir que a prova principal era irrelevante e que alguns dos autores tinham um interesse direto em manter o bom nome do (s métodos do) laboratório que seria o primeiro suspeito nessa hipótese de vazamento. Agora é amplamente aceito que um vazamento de laboratório é possível e merece ser investigado (para ficar claro nem a hipótese de vazamento de laboratório nem a hipótese zoonótica foi provada ou refutada, ambas são prováveis em um maior ou menor grau). Este é um exemplo que mostra que o método científico na realidade não é tão robusto e infalível como afirma ser. Consenso que se desloca devido a argumentos não científicos (oportunismo político, interesses financeiros, etc.), um pequeno círculo de cientistas altamente especializados que não querem ou não têm tempo para controlarem-se uns aos outros, etc. A filosofia e sociologia da ciência já demonstraram a lacuna entre a ideologia da ciência e sua realidade desde a segunda metade do século XX (ver, por exemplo, Paul Feyerabend e Pierre Thuillier). Ainda assim, as pessoas parecem manter uma concepção muito ingênua do que os cientistas fazem.

Acredite na imunidade de rebanho

Dizem-nos que devemos nos mobilizar para alcançar a imunidade grupal e “estar livres” novamente do vírus. Para isso é apresentado o objetivo de vacinar 70% da população. Mas, na verdade, este número data de antes do aparecimento de variantes (como a variante Delta) que são mais infecciosas e contra as quais as vacinas são menos eficazes. Lembremos também que as vacinas são projetadas para limitar a gravidade da doença, e a redução das infecções é apenas um efeito colateral (e a maioria das vacinas não-RNA parece não ser muito boa nisso). Dadas estas novas variantes, muitos especialistas acreditam agora que na verdade 80 a 90% da população deve ser vacinada para alcançar a imunidade de rebanho. Este número significaria que – se ainda o considerarmos antiéticos para dar às minorias uma nova e não totalmente compreendida vacinação e que algumas pessoas não podem ser vacinadas clinicamente, o resto da população precisaria de ser vacinada. Qualquer política pública que precise de 100% de conformidade para ter sucesso está fadada ao fracasso.

Outro fator é que a imunidade decresce com o tempo. Já se fala em doses de reforço após um período de 6 ou 9 meses (seria uma vez, ou deveria ser repetida a cada meio ano, ou a cada ano? Neste momento não sabemos), fazendo a oportunidade para o fracasso ainda maior.

Além disso, como se trata de uma pandemia global de um vírus muito transmissível, parece muito irrealista que um país ou região possa alcançar a imunidade de rebanho por si só. Grandes partes do mundo dificilmente têm suprimentos suficientes ou a infra-estrutura para vacinar uma pequena parte da população, quanto mais a grande maioria dela. Eles também dependem principalmente de vacinas que são menos eficazes para deter as infecções. As chances de erradicar este vírus são inexistentes. A esse ponto isso atingiu sua fase endêmica, o que significa que a Covid-19 começará a se comportar como outras variedades do corona com suas epidemias sazonais. A imunidade de grupo é a última cenoura que é pendurada na frente de nossos olhos, mais cedo ou mais tarde será substituída por outra coisa para nos fazer acreditar que podemos alcançar “liberdade” se apenas seguirmos.

Seja responsável

A questão da imunidade de grupo (ou pelo menos vacinar o maior número possível de pessoas) aponta para a questão de quem recebe as vacinas. Em muitas regiões, as pessoas que correm o risco de doença grave da Covid-19 não têm acesso aos cuidados de saúde e querem ser vacinadas, e não recebem nenhuma vacinação. Enquanto na Europa as pessoas que não têm sequer um grande risco de desenvolver sintomas leves e tem um risco infinitamente pequeno de doenças graves têm milhões de vacinas reservadas para elas. O acúmulo de vacinas aumentará novamente com a necessidade de impulsionadores. O fato de que a OMS não quer recomendar impulsionadores agora parece principalmente inspirado por esse tipo de preocupação. A escolha responsável ou a reprodução de desigualdades globais?

A construção da imunidade de grupo e a retórica de “guerra contra o inimigo invisível” entra na prática, juntamente com um rigoroso controle de acesso ao território e uma intensificada administração populacional. Parece que chegamos a uma situação em que o chamado lado progressista da sociedade é agora a favor de controles de movimento e fronteiras fechadas (é claro, eles mal irão se dão conta, pois possuem os documentos certos para circular “livremente”). A escolha responsável ou uma intensificação da vigilância e exclusão?

Se aprendemos alguma coisa das últimas décadas – o 11 de Setembro e a ameaça do terrorismo, o colapso financeiro e a ameaça de falência, austeridade e a ameaça de canibalismo social, barcos de refugiados e a ameaça das violências racistas, a mudança climática e a ameaça dos desastres ecológicos, etc. – é que uma posição que não se opõe radicalmente ao poder do Estado (não importa quem o controla) eventualmente só reforçará esse poder e assim abrirá caminho para o próximo ciclo de crises provocadas pelo Estado e pelo capitalismo e sua gestão pelo Estado e capitalismo.

Anarquistas

Atenas, metade de julho de 2021

Relatos verídicos da história do Capitalismo e a Saúde.- Nestlé, mais de século e meio assassinando e escravizando crianças

“Nom trae nada bo escudrinhar no passado, Lisa. Eu vivim parte desse passado e deixei-no atrás por algo”. Homer Simpsom

Em 1867, o farmacêutico alemám Henri Nestlé, presuntamente buscando solucionar o problema da desnutriçom infantil da época, investiu seus recursos na busca duma fórmula que reunisse alimentos básicos (leite de vaca desidratada, açúcar e farinha de trigo) e experimentou inúmeras composiçons. Procurava a criaçom duma farinha infantil que, preparada com água pura e quente, resultasse em um alimento saboroso e de alto valor nutritivo para alimentar as crianças lactantes que nom podiam ser amamantadas. Tras dar com a fórmula apetecida Henri Nestlé declarara que «este pó, composto em condiçons cientificamente corretas constitue um alimento que é todo o que se pode desejar».

Assim nascera o que deveria ter sido um produto destinado em exclusiva à sua venda baixo prescripçom médica, mas que, desde seus inícios fora comercializado como uma opçom para todas as recém nascidas e bebés desde seus primeiros días é seus primeiros anos.

Este foi o começo duma fraude alimentária, sanitária e publicitária que, ainda hoje, segue a causar a morte de miles de crianças em todo o mundo. Promovida a sua venda com mostras gratis entregadas nos hospitais, com campanhas publicitárias milhonárias e com a cumplicidade necessária de presuntas trabalhadoras da saude e mesmo de alertas falsas da OMS, Nestlé consegue fazer pensar às nais lactantes que esses substitutos industriais som uma milhor opçom nutritiva e sanitária que a do seu próprio e natural leite materno.

A partir dessa iniciativa, a Nestlé tornou-se numa empresa mundial de alimentos e nutriçom e hoje é a meirande multinacional do seitor em volume de ingresos. A empresa crescera significativamente durante a chamada Primeira Guerra Mundial e novamente após a Segunda, expandindo suas ofertas além de seus primeiros produtos de leite condensado e fórmula infantil. Na década de 1970 estava já presente em muitos mais seitores coma o farmacêutico, cosméticos ou de alimentos para animais. Em abril de 2012 afazia-se com a sua competidora no leite materno, Pfizer Nutrition, uma compra que a Nestlé interesou muito porque Pfizer realiza o 85 % das suas vendas em países com economías emergentes e com um forte crecemento demográfico.

A «Cultura do Biberom» e a OMS metendo medo aos mamilos das nais

Mas voltando aos seus origens, supostamente éticos, justo é assinalar que em mediados do século XIX Europa enchia-se de fábricas, as nais operárias acodiam a elas abandonando à força a lactância materna para confiar-lha a outras mulheres, amas de criança, polo que o invento de Henri Nestlé era uma aposta acorde com os tempos que deveria facilitar a incorporaçom das mulheres às fabricas durante aquele Capitalismo incipiente. A publicidade desse pó mágico desde seus inícios incitava às mães a deixar de amamantar a suas crianças ou a completar com este leite artificial um seu fluxo supostamente insuficiente.

Nas décadas seguintes, sua fórmula foi adoptada por milhares de mulheres que se incorporavam ao mercado de trabalho na Europa e Norteamérica, mas o autêntico ‘boom’ começou depois da Segunda Guerra Mundial: através da publicidade agressiva e com o apoio de milhares de enfermeiras e médicos, a indústria da alimentaçom infantil convenceu a médio mundo das excelências de seu produto, com dois argumentos fundamentais: que o leite em pó era melhor que a materna -algo evidentemente falso- e que o biberom era em realidade um instrumento para a libertaçom da mulher -um argumento que o sacaleites deixaria de imediato obsoleto-.

As crianças, segundo aquelas propagandas, desenvolviam-se e cresciam melhor, se cabe, que com o leite da mãe quem podia continuar com todas suas atividades sem limitaçons ao não ter que estar sujeita a dar o peito. A propaganda chegou a limites abusivos de assinalar tais produtos com o confuso termo de «leites humanizadas» e «leites maternizadas». As mães regressavam a suas casas repletas de leite em pó, biberons, tetinas, e, o que é pior, da conviçom de que sua bebé ia estar milhor criada graças ao leite industrial.

Nos ’50 a Organizaçom Mundial da Saúde, OMS entrou em dança lançando uma sua alerta aterradora: As nais teinham que deixar de amamantar dado que nos areolas dos mamilos habitavam bactérias e virus! Coma feito imediato muitas mulheres deixaram de dar de amamantar às suas crianças.

Leite industrial, mistura mortal !!

A primeira denúncia contra estes leites artificiais chegara já lá em 1939 de mãos da doutora nascida na Jamaica na altura colonizada pola Grã-Bretanha, Cecily Williams, experta em nutriçom infantil, quando fora em missom colonial a lecionar na Universidade de Singapura, tamém colónia británica, na península de Malásia. Aqui ela encontrou que nos hospitais havia uma taxa de mortalidade muito alta entre as crianças: “estavam morrendo de desnutriçom e raquitismo!!”.

Aos poucos soubo que recém-nascidas estavam sendo alimentadas com Leite condensado Nestlé, exportado para Singapura e Malásia como “ideal para bebês delicados”, embora este leite, na altura, fora proibido na Grã-Bretanha por ser suspeito de causar raquitismo e cegueira.

Cicely ficara horrorizada, nom só com as altas taxas de mortalidade infantil, mas com as condiçons terríveis em que as mulheres pobres viviam e trabalhavam e além ficou muito mais indignada ao saber que Nestlé estava empregando enfermeiras para que fossem polas moradas a convencer às nais lactantes de que o leite condensado açucarado era preferível ao leite materno.

De imediato ligou a comercializaçom de leite condensado e o enfraquecimento das crianças e pouco depois teria ocassom de manifestar seu horror para um público europeu colonialista quando fora convidada a falar no Rotary Club de Singapura curiosamente presidido polo presidente de Nestlé. Lá, esta valente doutura, dera leitura a um seu discurso que intitulou de Leite e Assassinato, onde deitara para a posterioridade estas suas palavras que colheram sona: “Se sua vida estivesse amargurada como o está a minha, ao ver dia após dia este massacre de inocentes por uma alimentaçom inadequada, acho que vocês entom sentiriam, como eu sento, que a propaganda enganosa sobre alimentaçom infantil deveria ser castigada como a forma mais criminosa de sediçom, e que estas mortes devem se considerar como um assassinato”.

Na altura dessa denúncia já era sabido que o leite humano contém anticorpos da mãe que protegem á criança de muitas infeçons, em particular o calostro, segregado pola mãe nos primeiros dias que seguem ao nascimento e que atua como um potente produto anti-infecioso. Ademais o leite materno contém a totalidade de elementos nutritivos que precisam as bebés. O ideal é nom lhe dar nenhum complemento durante os quatro ou seis primeiros meses de vida, nem sequer água.

Boicote a Nestlé em 1977

Nos sessenta, Nestlé, em procura de novos mercados, desembarcou em massa nos paises empobrecidos, pese a que a lactância artificial supom a utilizaçom de água, uma água raramente pura nos lugares explodidos polos colonialistas europeus. Assim foi que, quando Nestlé começara com sua campanha para difundir o leite em pó nos paises empobrecidos, se encontraram o obstáculo considerável de que muitas mães se empenhavam em seguir amamantando a suas crianças. Para solucioná-lo decidiram ir aos hospitais e clínicas onde as mães davam a luz e fazer doaçons em massa de leite em pó, tetinas e todos os meios necessários para preparar os biberons a sabendas de que se caiam na trampa, ainda que fosse por um periodo curto de tempo, essas nais deixariam de estimular as suas glándulas mamárias e ficariam sem leite para amamantar.

Milhares de representantes com bata branca, foram às clínicas para convencer às nais da superioridade do leite em pó em frente à lactância materna. Idêntica estratégia utilizou-se com respeito ao pessoal dos hospitais, gratificado com primas e presentes. Falou-se de convênios com os hospitais nos que contavam com enfermeiras treinadas para recomendar às nais primeiriças alimentar a suas crianças com leite em pó e as nais inexpertas, ansiosas, acediam ao leite de fórmula, que se lhes vendia coma uma opçom rápida e efetiva. A contaminação do água e os biberons e a falha de dinheiro, uma vez terminadas as mostras de agasalho, desembocaram em milhares de mortes de crianças por doenças e malnutriçom. Uma vez que já deixaram de agasalhar o leite, as nais viam-se obrigadas a merca-la a um preço que pode supor mais do 50% dos ingresos familiares. Assim é coma Nestlé figera-se com uma parte importante do presupuesto das famílias empobrecidas.

No final dos anos 70, volta a fazer-se pública a denúncia da má praxe e da agressiva publicidade de Nestlé para convencer às mães de que seu leite preparado era melhor que a natural procedente do peito da mãe. Primeiro foi um artí­culo na revista New Internationalist em 1973 que detalhava as consequências do uso do leite artificial nos países empobrecidos relatando milhares de mortes de bebés polo uso de água nom potável ou a má manipulaçom dos biberons. Um ano depois, em março de 1974, a organizaçom humanitária War on Want figera público em London o documento “The Baby Killer” (“O assassino de crianças”) escrito por Mike Muller onde denunciava as práticas desta multinacional, e foi na altura que a multinacional suíça fora acusada do massacre e declarou-se-lhe o boicote mundial a partir de 1977, ainda vigente nalguns países.

Depois do boicote, Nestlé comprometeu-se a cumprir o Código para a Comercializaçom de Sucedâneos do Leite Materno, código de boas práticas, aprovado em 1981 pela Organizaçom Mundial do Comércio e pola UNICEF, no que se proibia a publicidade sobre o leite preparado e o marketing através de mostras gratuitas às mães, entroutras medidas.

Danone, Nestlé,… a mesma merda é!!

No entanto, nem Nestlé, nem muitas outras marcas produtoras de leite infantil, respeitam sempre os termos deste acordo e seguem fazendo publicidade destes produtos e sobornando ao pessoal hospitalário para que convençam às mães de que o leite preparado é melhor que o natural. Em 2013 saltava aos méios a noticia duma sançom a 13 médicos e enfermeiras na China por receber dinheiro de Danone para recomendar seu leite em pó.

O jornal inglés The Independent dava cuenta há uns anos da agressiva campanha de Danone na Turquia para convencer às nais de que a partir dos 6 meses nom produzem suficiente leite para alimentar o bebé e que ésta deve ser completada com leite artificial. Save the Children figera na altura um bo resumo do novo papel de Danone num seu Informe intitulado: «Um novo infrator no vecindário?»

Mas isso se passava anos há, e se há alguma adepta às ONGs lendo isto que saiva que no ano passado Save the Children e Danone saltarom ao meios como salvadores de 3 mil nenos e nenas españolas de famílas com baixos recursos para instalar-lhes nos seus fogares computadoras para que poideram estudar na casa. Matam mil e contam 20, tal qual Amancio Ortega.

UNICEF assegura num seu Informe que um milhom e meio de crianças nom morreriam se fossem amamantados exclusivamente com leite materno durante seus primeiros meses de vida. Mas nom é coisa de que o diga UNICEF. Os riscos inerentes à lactância artificial nos paises empobrecidos onde escaseia a água limpa som multiples: múltiplas agressons microbianas, virais e parasitárias devido à água suja, ao biberom nom desinfetado, à ausência de meios de conservaçom; entranha, por outra parte, uma malnutriçom em massa devida à excessiva diluçom do leite em pó e assim uma grande maioria desse milhom e médio de crianças que morreram, faleceram por deshidrataçons diarreicas, mas tamém por doenças respiratórias cuja gravidade teria-se atenuado com a alimentaçom maternal.

Em 1996 um grupo criado para a vigilânca do Código de Lactância foi vissitar 4 países: Sudáfrica, Bangladesh, Polónia e Tailândia, e entraram em contato com umas 800 nais jovens de cada país. Os resultados demonstraram que até 32 empresas de alimentaçom materna, entre elas Nestlé e Johnson, etc. violam todos os códigos de conduta. Todas elas seguem distribuindo publicidade que dá uma imagem negativa da criança materna e apresenta o leite em pó como preferível para a alimentaçom das bebés; todas elas seguem distribuindo mostras e botes de leite e todas enviam ao seu pessoal às maternidades para repartir informaçom falsa. Em resumo, o estudo demonstrou que o Sistema sanitário e os hospitais continuam a ser o instrumento elegido para a estratégia comercial.

Em 2002, a Nestlé exigiu que a Etiópia pagasse uma dívida de 6 milhons de dólares com a empresa. Na altura Etiópia estava sofrendo com uma grande fome, e houvera mais de 8.500 reclamaçons recebidas via e-mail na empresa denunciando a sua má praxe e a sua total falha ética, polo que Nestlé viu-se na obriga de recuar.

Nestlé escravista.- Da sua colabouraçom com o regime nazi e do trabalho infantil no cacau

Recém, a Nestlé admitiu seu envolvimento com o regime nazista durante a 2ª Guerra Mundial ao utilizar mão-de-obra forçada na sua factoria alemana.

Em 2010 o documentário The Dark Side of Chocolate denúncia que nas plantaçons de cacau da Costa do Marfim que serve a Nestlé usam trabalho escravo infantil. As crianças contam de 12 a 15 anos de idade, pese a que em setembro de 2001 Nestlé e as demais corporaçons do negócio do chocolate, pressionadas, assinaram o Protocolo Harkin-Engel (comumente chamado de Protocolo do Cacau), um acordo internacional voluntário que visa a erradicaçom do trabalho infantil na produçom de cacau, com um seu compromisso de produzir cacau “eliminando as piores formas de trabalho infantil” até 2005. A data, como se poderia imaginar, foi postergada e segue sendo, sendo agora próximo prazo o ano de …

O documentário, autoria do jornalista dinamarquês Miki Mistrati, jurdira quando este decidiu investigar as denúncias de que as grandes marcas de chocolate se enriqueciam com trabalho escravo infantil. Ele iniciara inicia sua pesquisa numa feira na Alemanha onde as grandes marcas da indústria se apresentam anualmente, entrevistando aos representantes sobre a procedência da matéria-prima e se têm alguma coisa a dizer sobre os ruge-ruge de abuso de trabalho infantil. Como resposta recebe de todos eles a informaçom de que quase todo o cacau provêm da Costa do Marfim, e de fornecedores credenciados, negando veementemente qualquer tipo de abuso.

Para tirar a história a limpo, Miki segue suas informações indo à África, começando por um dos países mais pobres da regiom: Mali. Segundo as denúncias, deste pequeno país provêm a maioria das crianças vítimas de tráfico. Com ajuda de pessoas locais, ele rapidamente verifica a veracidade das denúncias: crianças de 12 a 15 anos, mas também de 7 anos som seduzidas com promessas por traficantes, para logo serem levadas até as fazendas de cacau de ônibus de Costa de Marfim. O jornalista consegue filmar vários casos. Um fazendeiro diz que os traficantes vendem as crianças por 230 euros sem limite de tempo de trabalho. Dificilmente receberám algum salário.

Cabe destacar que a lavoura do cacau (com a colheita, abertura dos frutos e secagem) sujeita os trabalhadores à exposiçom de venenos que podem vir a causar doenças até 20 ou 30 anos depois.

Nas últimas cenas do documentário, o jornalista volta até a Europa e quer mostrar suas filmagens às produtoras de chocolate, mas nenhuma empresa aceita o receber. Indignado com a recusa, Miki leva até a porta da sede da Nestlé, na Suíça (maior produtora de chocolate do mundo, com 50 anos de atividades em Costa do Marfim) um camiom com uma enorme tela de cinema e exibe escancaradas suas irrefutáveis provas que vos mesmas podededes ver acá (por certo, as suas escusas som mui similares às de Amancio Ortega e as suas sequaces quando interrogados polo trabalho escravo para Inditex):

A farsa continua

Alguns reportes internacionais dam conta da impunidade com a que Nestlé e outras corporaçons que produzem sucedáneos têm vindo atuando após 80 anos de se ter denunciado estas práticas por vez primeira.

A International Baby Foods Action Network publicava em 2017 sua reporte “Rompendo as Regras” expondo as violaçons ao Código para a Comercializaçom de Sucedâneos do Leite Materno de 28 companhias em 79 países.

Nesse mesmo ano, a organizaçom Changing Markets publicou o reporte “Ordenhándo-a: como as companhias de fórmulas lácteas ponhem os benefício por riba da ciência”, no que expõem uma longa série de declaraçons de saúde nas etiquetas que som insostíveis cientificamente em produtos para crianças menores de 12 meses.

Em 2018, outra organizaçom internacional, Save the Children, lançou o reporte “Nom Promovas Isso” que destaca como as empresas de sucedáneos do leite materna mentem em sua publicidade danificando a saúde das crianças, danificando a lactância materna e evitando que as famílias recebam informaçom clara e baseada em evidência sobre a alimentaçom infantil.

E pese a tudo isto …

Dacordo com uma pesquisa global on-line realizada em 2006 nos paises desenvolvidos a Nestlé tem uma pontuaçom de reputaçom de 70,4 numa escala de 1-100 entre suas consumidoras destes paises. Mas tamém há uma imensa maioria que cre na existência de Deus ou mesmo que o vírus de moda pode matar-te se vas sozinha polo monte sem mascarilha ou de que as presuntas vacinas podem zafar-te de ser contagiada.


Ligaçons referenciais:

Nestlé y sus 80 años de impunidad – Asociación de Consumidores Orgánicos

Bacterias Actuaciencia: Bacterias en los pezones como excusa para vender leche en polvo

Qué llevó a Estados Unidos a boicotear a Nestlé en los años 70 – BBC News Mundo

Cuando la leche mata. BOICOT A NESTLÉ POR SUS PRÁCTICAS CRIMINALES. | Solidaridad.net

Las multinacionales y la tragedia de la leche infantil – Carro de combate

Sancionados 13 médicos y enfermeras por recibir sobornos de Danone para recomendar su leche en polvo infantil

Danone y Save The Children se unen en beneficio de 3.000…

Competencia multa con 88,2 millones a varias empresas del sector lácteo

O lado negro do chocolate – A Nova Democracia

Trabalho escravo infantil: o lado amargo do chocolate | FETRACONSPAR – FETRACONSPAR

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10 diferenças entre o feminismo burguês e o feminismo libertário

Atopei pola rede este texto (em castelám) e reproduzo acá (em galego). Dizer prévio que, tras uma busca, cheguei à conclussom de que as primeiras em publica-lo foram as compas do blogue “noticiasyanarquia” e que tras a sua publicaçom receberam várias críticas de feministas autodefinidas coma tais por considerar que a luta das mulheres contra do patriarcado deve ser só uma e que este texto vinha a dividir o “movimento feminista” (existe isso?) e que isso é manda-lo direitamente ao seu fracasso; de falha de coerência por separar assim ao movimento feminista (insisto, exite isso?) e de enemistar às mulheres de si para si para que nom poidam por-lhe fim aos privilégios da parte da humanidade que dita leis, toma decisons e sempre é masculina; quando nom dar por seguro que a autoria deste texto é de algum anarcomacho.

Colo o texto traduzido, tal qual e apôs colo tamém a resposta a estas ácedas críticas (Como se queixam as liberais… Como berram!, aporta uma outra) duma dona que se identifica coma “feminista e mulher por imposiçom social, índia tercermundista por sorte de nascer na periferia do Capitalismo”.

10 diferenças entre o feminismo burgués e o feminismo libertario

1- As feministas burguesas procuram a proteçom das mulheres através dos aparelhos coercitivos do Estado. As feministas libertárias, advogam pela autodefesa das mulheres em comunidade.

2- O feminismo burguês deseja que toda mulher compita em ‘igualdade de oportunidades’ e seja retribuida segundo seus méritos individuais. Pela contra, as feministas libertárias lutam para que a cada pessoa se desenvolva solidariamente em igualdade e que a cada qual seja satisfeita segundo suas necessidades.

3- As feministas burguesas desejam a incorporaçom das mulheres em postos de poder, no parlamento e nos exércitos; nas altas gerências de empresas capitalistas e nos executivos governamentais. As feministas libertárias, desejam a aboliçom das instituiçons hierárquicas. É por isso que se declaram antiestatistas, anti-militaristas e críticas do parlamentarismo.

4- O feminismo burguês sustenta que a igualdade de género é um “direito humano” que deve ser garantido pelo Estado. As feministas libertárias sustentam que o Estado nom pode garantir a igualdade, pois a igualdade nom se pode atingir mediante a jerarquizaçom da sociedade que gera a organizaçom piramidal e repressiva do Estado.

5- As feministas burguesas criam «consciência feminista cidadã», isto é, um conjunto de práticas e valores que criam pessoas dócis e submissas em frente às relaçons democráticas-neoliberais. As feministas libertárias criam «consciência de classe feminista», isto é, princípios e finalidades libertárias com a intençom de abolir as relaçons de poder e substituí-las por relaçons livres em igualdade.

6- As feministas burguesas fazem questom de explicar historicamente o feminismo mediante “ondas” (primeira onda, segunda onda, terceira onda, etc.), ignorando e censurando o feminismo operário, anarquista e comunitário. As feministas libertárias, sem obviar os aportes teóricos e conjunturais do feminismo hegemónico, nutrem-se sobretudo das lutas históricas das mulheres das classes oprimidas e explodidas.

7- As feministas burguesas querem um Capitalismo “verde, amável e inclusivo”. As feministas libertárias lutam contra o Capitalismo e contra toda forma de opressom, seja económica, política ou cultural.

8- As feministas burguesas vinculam-se a organizaçons hierárquicas e partidos parlamentaristas. Promovem o eleitoralismo estatal e a importância da inclusom da mulher na política burguesa. As feministas libertárias, organizam-se em associaçons horizontais, praticam a açom direita, o apoio mútuo e a autogestom.

9- As feministas burguesas consideram de vital importância leis de paridade de género para “ feminizar” as instituiçons hierárquicas do Capitalismo. As feministas libertárias consideram que na luta antipatriarcal nom se trata de dominar ‘equitativamente’ e a par que os machos estatistas, senom em abolir as relaçons de dominaçom.

10- As feministas burguesas desejam que o varom colabore na divisom do trabalho no fogar e que seja um complemento da mulher baixo cânones binaristas. As feministas libertárias, pola contra, questionam radicalmente a héteronormatividade, a estrutura familiar patriarcal e o conceito de amor que lhe sustenta.


Colo o comentário já aludido, autoria de “Unknown“:

A minha experiência leva-me a considerar que fazer esta diferença é importante e necessária. Há um feminismo ao serviço do estado, ao serviço das instituiçons capitalistas que deixa a quem estamos mais abaixo no limbo. Enquanto umas podem fazer carreiras como académicas e tecnócratas políticas, sem se baixar de um só de seus privilégios de classe, outras estamos a sofrer ao estado em aquilo no que supostamente “dá-nos direitos a todas”. Para mim a autodefesa comunitária nom é um princípio essencial de alguma teoria purista e maniquea, é a alternativa construída ante a re- vitimizaçom sofrida ao denunciar ante o estado situaçons de violência , procurando a justiça que mulheres feministas que fazem carreira acádemica e política nesses estados, operadoras de ONG’s, porta-vozes de partidos políticos e assessoras profissionais difundem como a única alternativa possível e publicitável e logo quem tenta utiliza-las vive em carne própria a re- victimizaçom. E claro que se, enquanto há crise há alianças muito exitosas mas quando acabam, a cada qual volta a sua classe, a cada qual volta a seus privilégios e a suas opressons. Tras 4 horas de oficina a profissional volta a sua casa, a labrega ao agro, a chabolista à Vila Miséria e vê vos a procurar às que cobram honorários profissionais polo desenho da “rota de atençom”, “o litígio de alto impacto”, “a lei de feminicidio”. Existem quem nom vêem para além das políticas do estado e esta realidade deve ser nomeada, se é formulando uma dicotomía, bom, comecemos por alguma parte, mas calando que isto passa, aludindo a que isso é falta de sororidade e que deve estar detrás algum macho malvado porque de que outra forma pode ser que a alguém se lhe ocorra que entre mulheres nom somos iguais, senhoras, a falta de sororidade sente-se a cada dia procurando respostas numa parte da humanidade que dita leis, toma decisons e é sempre burguesa, assim seja “mulher”.

Quando as timadas exigem solidariedade… Um conto fictício ou uma patética realidade?

Imaginade por um momento que num futuro, uns vendedores de fume contassem com o beneplácito de todos os governantes do mundo mundial para vender esses fumes; e de que além, contaram com a colabouraçom interesada de todas as empresas de publicidade e “marketing” e demais meios de propaganda para empreender uma grande campanha orquestrada em todos os meios de comunicaçom para vender esse fume coma a grande panaceia, remédio universal que vai curar á humanidade de todos seus males físicos. O seu lema consistia em que quanta mais gente e quanto mais pronto se consumira esse fume, antes se acadaria a imunidade mundial.

Imaginade, porfa !! Fazede esse esforço ainda que vos pareza impossível vissualizar tal remédio infalível.

Agora imaginade que apenas um ano após dum grande éxito de vendas do produto por toda a orbe, resulta que a tal panaceia nom é tal a olhos de qualquer que nom esteja cega. O resultado dista muitíssimo do que se prometera pois, além de nom cumprimentar com seu objetivo omnicurativo, em ocasions produz graves trastornos na saude das consumidoras e mesmo nalguns casos provoca a morte da cliente.

O lógico diante disto no nosso mundo atual é que a gente que consumira tal produto se sentira enganada, saira a protestar e reclamar; mas vê-se que no futuro a gente é muito mais confiadinha e no nosso conto imaginário nom se passou tal, senom mais bem à contra.

E assim, pese a que já era muito notória a ineficácia desse fume a simples vista, a campanha mediática orquestrada a nível internacional para seguir vendendo o remédio nom cessou; mesmo se recorreu a uma censura sistemática e continuada de quem protestava e se criarom agências especializadas em borrar todo rasto dessas vozes discrepantes e em despreciar, insultar e minusvalorar a quem mantivera pensamentos críticos com a vissom totalitária do fume coma a panaceia salvadora da humanidade.

Quanto mais evidente era a fraude, as suas consumidoras, em troques de dirigir a sua raiva contra os vendedores do fume e os governos e os meios cumplices -tal qual se passa agora- viraram suas bocas lascivas, seus rostros anojados e seus olhares diabólicos contra daquelas que nom se submeteram aos caprichos dos vendedores de fume e começaram a botar-lhes todas as culpas de que o produto nom funcionara. Elas eram as irresponsáveis que ao nom aceder ao consumo de tal produto convertiram este em ineficaz. E como tais foram culpadas de falha de solidariedade e de empatia para com as que sim entraram polo aro a olhos pechados.

Mas, coma digem ao princípio, isto é um conto fictício futurista e na nossa realidade, no nosso tempo, estas coisas distam muitíssimo de que poidam acaecer-nos; nom sim??