La Palma, sempre num curruncho do meu coraçom.

A minha família chegara em 1980 a Sta Cruz de La Palma, no mesmo ano em que eu começava meus estudos em Compostela (onde já residia meu irmão maior). Durante 6 anos essa ilha foi meu fogar familiar, onde eu acodia gostoso durante as minhas feiras de vrão e nadal.

Quando chegáramos fazia apenas 9 anos da erupçom do Teneguía, o vulcám do sul da Isla Bonita, nome popular outorgado pola gentes das outras ilhas, e a gente contava aquilo coma se tiveram sido partícipes dum espetáculo privilegiado; gente que colhia suas barcas de madeira para ir ver coma caiam os bólidos ao mar entre efervescências, aplausos e assombros e outras juntavam-se na borda do cráter em forma de picnic para ver o espectáculo que durou três semanas com a lava fluindo para o mar e redesenhando a paisagem do sul em lunar e fazendo disto um evento quase social. Ninguém, na altura, falava de desgrácias nem de perdas materiais e semelhara que só ficava em seus recordos a beleza da lava fundida, os cheiros a enxofre e as enormes luminárias. Nada fazia pensar a alguém que, coma mim, chegava lá anos apôs da sua erupçom, que na ilha se viviram situaçons de medo ou de grandes perdas.

O Teneguía (que ainda hoje segue ativo coma a maioria dos vulcáns canários) seguia quente por entom e já era um atrativo turístico nessa ilha ainda muito afastada do turismo maciço, onde moravam umas 75 mil pessoas em toda a ilha (15 mil na capital); Se te achegavas a sua cume ainda notavas a calor que desprendia e mesmo poderias fazer ovos fritidos sobre as suas rochas. A seu redor rezumavam as vides rastreiras do malvasía criadas sobre solos de cinzas vulcánicas, o que lá se conhece como “solo de lapilho”, que chegam a acadar até 5 metros de profundidade, onde a pranta extende as suas raizes para chegar a um subsolo rico em minerais tras percorrer grandes distâncias para captar a água e manter a humidade necessária para a maduraçom das uvas. A erupçom de 1971 dera pê a uma paragem natural preciosa e espetacular em 1980 e por suposto nada perigosa.

Todo o sul da ilha tinha uma cor preta atrainte e quente; lembro coma se fora hoje que nesse primeiro vrão de 1980 chegaramos em barco até uma praia de areia pretíssima onde fora parar parte da colada do Teneguía; iamos fazer lá o jantar que levaramos preparado; eu fum o primeiro em baixar carregado de duas caixas com viandas, bebidas,… nom pesavam muito e lembro de saltar ao mar onde já fazia pé abondo e ir caminhando entre águas até adentrar-me nas pretas areias e… aos poucos segundos pegar um berro descomunal, saltar as caixas e sair correndo cara a água a fume de caroço… a minha sensaçom fora coma de ter pisado brasas e de ter-me queimado as prantas dos meus pés; ao final por sorte fora mais a sensaçom que o queimor e aos poucos observavamos coma havia formadas na praia longas fileiras de algas secas para facilitar o tránsito até a água das banhistas que chegavam por terra. Liçom aprendida para alguém coma mim habituado as areias brancas e muitas vezes frias de Ferrolterra.

Nada fazia pensar em que aquela experiência para as gentes nativas de La Palma fosse trágica, demencial, terrorífica ou merecedora dalgum dos múltiples qualificativos que agora utilizam os falsimédios de toda pelagem para angustiar com imagens de enorme beleça a quem nunca até hoje preocupou-se pola força da natureza. Como para muita gente já era evidente a erupçom, nom se produziram momentos de pánico: “A calma foi uma das provas mais destacadas da vizinhança de todos os pontos da ilha. Ninguém correu” relatava um jornal por entom.

Assim era quando eu a conhecim a Ilha de “La Calma”, tal qual era nomeada dada a especial parcimónia das suas gentes, onde só havia um semáforo na capital e era muito comum que a gente que ia em carro se parara no meio meio do escaso tráfego para falar com quem iam no veículo com que se cruzava criando por vezes fieiras em âmbos sentidos sem que ninguém se alterara, tocara o cláxon ou berrara; um lugar onde as condutoras paravam antes de chegar a um passo de pions por se vinhera alguém com ânimo de cruzar.

Umha ilha formosa que por entom durante o vrão só recebia a vissita das muitas migrantes palmeiras que partiram de lá cara América e que, ao igual que se passa em muitas aldeias galegas, voltavam a vissitar às famílias e passar as festas. Uma ilha da que, coma por acá, a gente marchava caseque sem querer, por necessidade, e na busca de milhorar sua economia, muitas vezes servindo-se só de barcas pesqueiras de vela sobrelotadas onde a gente apertava-se umas com outras cruzando o Atlántico cara Venezuela seguindo as correntes e os ventos alisos que usara Colón e tantos outros navigantes. Muitas embarcavam entregando todo seu dinheiro, outras suas posses, para assim pagar a passagem e poder empreender rumo ao que criam seria uma vida milhor. Algumas morreriam em alta mar, outras chegariam a terra enfermas e as mais com fome, sede, piolhos e as suas roupas desgastadas pola salitre e cheias de vómitos.

Uma das minhas irmás ficou lá a viver até há poucos anos quando liscou para Tenerife, onde moram tamém outras duas irmás e um irmão, coas suas famílias respetivas; eu nom voltei a pisar La Palma desde 1991 (numa vissita fugaz), mas sei pola minha irmá e polo resto da minha família “canária” que La Palma desde entom sofreu um medre de turistas enorme, onde antes só havia um hotel em toda a ilha agora há vários. Isto levou a um auge na construçom de edíficios por doquier para albergar a toda essa massa de gente europeia que vai buscar lá o sol e a beleça da que semelha que careceram nos seus lugares de origem. Muitas destas novas construçons figeram-se sobre terrenos qualificados coma urbanizáveis em zonas por onde é previssível que poidera correr a lava colada dalgum dos vulcáns, lugares onde presumivelmente non convém mercar nem fazer-te uma casinha, um apartamento, um hotel ou montar um bungalow nas suas ladeiras.

Todas as Ilhas Canárias surgiram de vulcáns submarinos. A ilha de La Palma calcula-se que jurdiu do oceano há 2 milhons de anos, no entanto, seus vulcans nom cuspiram fogo durante muito tempo. Documentaram-se sete brotes nos últimos 500 anos, que foram classificados como temperados. NUNCA HOUVO VÍTIMAS, felizmente a lava sempre fluiu lentamente.

Desta volta, a lava que sae cuspida do vulcám que derom em chamar de “Cumbre Vieja” (ubicado no Parque Natural do mesmo nome) tamém vai muito a modinho sua viagem até o mar; de novo vêm-se imagens de gente muito perto da lava observando-la passar; se bem televisons prefirem falar de temor e de perda de bens materiais e de mortes de animais (que deixaram encirrados nas granjas, por certo) quando em realidade a gente da zona fora alertada co tempo abondo do que se vinha enriba. Sim haverá que lamentar perdas económicas, mas nada mais. Mas sempre vende mais o medo e o terror que a calma e de ai que os falsimédios tudos já tenham uma outra notícia com a que infundir terror agora que o letal bichicho semelha ir de capa caida na sua virulência mortal.

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