Reacionárias, Carcas, Direitonas, Retrógadas, … “Baixo que condiçons pode-se respeitar o passado?” x Victor Hugo

Victor Hugo na sua imensa obra Les Misérables (Os Miseráveis) publicada em 1862 fai uma muito interesante reflexom sobre aquelas pessoas que pretendem viver no passado e impôr as suas inamovíveis normas para sempre, o que venhem a ser as Reacionárias , tamém reconhecidas coma as Carcas, as Direitonas, as Retrógadas, …

Colo ao respeito este extrato da sua genial obra mestra dado que suas reflexons seguem à ordem do dia no que vivemos:

A teimosia que manifestam em perpetuar-se as velhas instituiçons semelha-se à obstinaçom dum perfume râncio que quigesse embalsamar os nossos cabelos, à pretensom dum peixe podre que quigesse ocupar um bom lugar na nossa mesa; à perseverância dos vestidos da criança que quigessem vestir á adulta, à ternura dos cadáveres que regresassem para abraçar aos vivos.

“ Ingratos! –dim os vestidos–. Protegimos-vos contra o mau tempo. Por que não vos servides de nós?” “Venho do mar”, di o peixe. “Fum uma rosa”, di o perfume. “Amei-vos”, di o cadáver. “Civilizei-vos”, di o convento”.

A tudo isto não há mais que uma resposta: “Sim; mas foi noutros tempos”.

Pensar no prolongamento indefinido das coisas que morreram, e no governo dos homens por embalsamamento; restaurar os princípios antigos em mau estado; dourar de novo as urnas; branquear os claustros; voltar a abendiçoar os relicários; refornecer as superstiçons; dar alimento ao fanatismo; ponher mango aos hissopes e aos sabres; reconstruir o monaquismo e o militarismo; crer na salvaçom da sociedade por médio da multiplicaçom das parasitas; impor o passado ao presente, som coisas muito estranhas. E há, no entanto, teóricos que sustentam estas teorias. Estes teóricos, homens de talento por outro lado, têm um sistema muito singelo. Aplicam ao passado um verniz que chamam ordem social, direito divino, moral, família, respeito aos antepassados, antiga autoridade, santa tradiçom, legitimidade, religiom, e vam berrando: “Olhem, tomem isto, pessoas honradas!” Esta lógica era já conhecida dos antigos. Os arúspices praticavam-na. Esfregavam com greda branca uma terneira preta, e diziam: “É branca! Bos cretatus”.

Quanto a nós, respeitamos em certos pontos e perdoamos em tudo ao passado com a condiçom que consenta em estar morto. Se quer viver, atacamos-lhe e tratamos de matar-lhe.

Superstiçons, hipocrisia, devoçom fingida, preocupaçons; estas larvas, por mais larvas que sejam, querem viver tenazmente; tenhem unhas e dentes na sua sombra e é preciso destruí-las corpo a corpo, e fazer-lhes a guerra sem trégua, porque uma das fatalidades da humanidade é viver condenada à luita eterna com fantasmas. É muito difícil apanhar à sombra polo pescoço e derrubá-la”.

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