DE BOTELHONS e FESTAS nas RUAS.- A MINHA DECLARAÇOM SEM VERGONHA

Eu tenho já 60 anos cumpridos; no ano 80 do século passado cheguei a Compostela onde estivem matriculado na única universidade galega que existia e hoje, tras apenas 8 anos de rular por outras cidades galegas, sego residindo nesta cidade mais de 40 anos apôs da minha chegada.

Naqueles anos ’80 dos meus anos moços a zona nova era uma festa todas as noites; vizinhas molestas da rua Nova de Abaixo, Santiago de Chile, Frai Rosendo Salvado,… tiravam-nos caldeiros de água desde as suas ventás e balcons coa ilusa esperança de acalar assim os berros e cânticos alcólicos das miles de estudantes que montavamos festa nessas ruas onde estava por entom concentrados os bares, pubs e discotecas do âmbiente estudantil; mas esta sua atitude defensiva tivera de imediato um efeito adverso e tal qual coma quem sae dum souto para meter-se noutro, de imediato isso dera sucesso a que nós mesmas, desde os múltiples e numerosos “pisos de estudantes” copiaramos sua estratégia e sumáramo-nos entusiastas ao de tirar-nos água e tamém a pedi-la a berros desde abaixo e assim fora coma aquela zona, noite sim e noite tamém, passara a ser a zona 0 dum festival noturno de água, risas e álcool mesmo que chovera a cântaros: “Tiene que llover, tiene que llover, a cántaros….” como dizia a letra do cantautor Pablo Guerrero

Eram nossos “botelhons”, ainda que nom se lhes chamava assim quiçás porque por entom era costume aprendida de nossas maiores emborrachar-se indo de taçeio, de curtos de cerveça ou de litros de kalimotxo compartilhado, de “tumba a dios”, de mistela,… mas tamém eram anos de lutas estudantis, contra da subas dos alugueres ou das taxas das matrículas, mas tamém contra da entrada na OTAN, contra as nucleares, a reconversom naval e industrial, pola defessa da nossa língua, pola despenalizaçom do aborto, em solidariedade com a revoluçom sandinista ou com as represaliadas chilenas por Pinochet, e tamém contra as autopistas e mesmo contra a autonomia, porque por entom havia muito compromiso na luta por um mundo milhor e nom todo eram festas… De feito, as atuaçons policias dos de marrom (daquela esta era a cor das suas vestimentas que mudaram do gris do franquismo ao marrom da transiçom o que dera pé a um dos cânticos que mais se coreavam nas manifas: “De gris ou de marróm, um cabrom é um cabrom”) eram cicais mais brutais do que agora mas nom por isso evitavamos o enfrontamento coas forças repressivas.

Se existe alguma diferência co que se passa agora eu vejo-a no feito de que para nós todos os dias da semana era fatível rematar na noite de festa rachada e quando já fechavam os últimos lugares, rematar a festa até a madrugada na Quintana, na praza Roxa, nos jardíns de Ramírez, … entanto agora -e desde anos há- semelha que tudo se concentra numa só noite por semana, duas coma muito e tampouco vejo nas estudantes muito ánimo de luta por milhorar este mundo e apenas vislumbro compromiso solidário para com a gente doutros lugares.

Tamém há que ter na conta de que, na altura, Compostela ainda nom fora designada coma Capital da Galiza autoanémica, polo que apenas havia funcionários e além o Jacobeu ainda nom fora re-inventado por Fraga e coma tal só atraia pelegrins nos vraos dos anos santos, de tal jeito que, por aquelas, as estudantes eramos a meirande fonte de riqueça duma cidade que vivia, caseque em exclusiva de chuchar-nos os quartos que nos davam em casa, entroutras artimanhas, cobrando-nos alugueres abusivos em pisos destartalados e cutre amovoados (agora nom mudou caseque nada isto) muitos ubicados nessas mesmas ruas da movida, assim que, dalgum jeito, essas festas maciças nas ruas eram nossa resposta a esses abusos.

Dito tal e qual EU NOM ME ARREPENDO DE NADA e hoje sego entendendo e compreendendo as ganas de festa noturna da gente moça.

NOM ME CONVERTIREI NUNCA NUM HIPÓCRITA coma essas que agora CRITICAM o que elas e miles de pessoas da minha quinta faziamos a cotio, o mesminho que figeram (com matizes) as geraçons anteriores a nós e todas quantas vinheram apôs, ainda que as costumes e os lugares da “movida estudantil noturna” vaiam mudando.

QUE VIVA A FESTA !!

QUE VIVA A LOITA !!

QUE VIVA A JOVENTUDE !!

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