Arquivo mensal: outubro 2021

Anarquistas que promovem Debate sobre o “bichinho”

A raiz dos acontecementos mundiais que sofre a humanidade desde há caseque dous anos, figem contatos numa RRSS com gente que opina mais ou menos coma mim, o qual permitiu-me tomar consciência de que minha posiçom desde um primeiro momento na contramão do que ditavam farmacéuticas, governos e falsimédios nom fora açarosa ou caprichosa, nem obedecia à repulsom que de sempre sinto com tudo quanto vem imposto desde arriba por ordem governamental.

Em verdade foram e seguem a ser estas minhas “novas amizades” às que me figeram sentir-me menos estranho e incompreendido no que até entom considerava a minha “zona de confort”: as Anarquistas Irredentas Galegas que, na sua maioria, ou bem calavam (e consentiam) ou quitavam ferro às obrigas sanitárias impostas e/ou mesmo, muito pior, posicionam-se a prol da vacinaçom obrigatória e rim-se das que, coma mim, consideramos as medidas pretendidamente profiláticas dos governos para combater a virulência do bichinho coma ditatoriais, injustas e inecessárias.

Dentre destas pessoas, minhas novas amizades “virtuais”, já tenho dado voz a algumas nesta minha bitácora coma um meu pequeno gesto de ajuda a difundir as suas palavras (coas que concordo) CENSURADAS mesmo em méios que vam de alternativos mas que se sumaram ao sentir geral imposto desde arriba sem debate nem cruzamento de ideias, já nom só entre profanas senom mesmo entre pessoal sanitário e cientistas especialistas das ramas da vida e da morte.

Uma destas pessoas é José R. Loayssa, médico de família do Serviço de Urgências de Osasunbidea (Serviço Navarro de Saude) e colunista CENSURADO no presunto jornal alternativa El Salto quando os (i)responsáveis deste jornal acordaram silenciar-lhe e sumar-se assim entusiastas à Campanha mediática orquestrada cara silenciar a quem discrepa, com bos razoamentos e conhecemento de causa, com criticas contundentes e argumentadas, das mudáveis teses oficiais impostas por farmacéuticas, OMS e governos co galho de monstrar assim só uma imagem estrafalária e cómica das pessoas anti-bicho apresentadas polos esses mesmos falsimédios coma líderes de opiniom: artistas egocêntricas caducas, terraplanistas, arredistas da cientologia e outras raras ervas, gente toda já muito guilhada, tolinhas que provocam repulsom ou risas às submissas e entusiastas espetadoras das televisons.

Nesta semana tivem conhecemento de que José R. Loayssa, coautor do livro “Covid 19. La estrategia del miedo y la respuesta autoritaria” publicado por “Ediciones El Salmón” e que pese a estar censurado nos falsimédios esgotara ipso facto a sua 1ª ediçom e já está na 2ª -onde se repassam as incongruências e erros que as autoridades políticas e sanitárias estiveram cometendo durante este tempo (ler acá a sua introduçom)- fora convidado por duas vezes por compas ANARQUISTAS do LEVANTE às suas JORNADAS para apresentar o livro e debater sobre o que lá se conta, e assim estivo primeiro na IV Mostra del Llibre Anarquista d’Alacant , com éxito de participação tal qual contam suas organizadoras; e ao dia seguinte no Punt del Carme em València num ato organizado conjunto pola gente do Ateneu Llibertari del Cabanyal e Antimilitaristes – MOC onde apresentou dito livro.

Âmbos eventos que tiveram lugar na finde passada (23 e 24 de outubro) figeram sentir ao José Ramón Loayssa, tal coma deitou na RRSS (sic): Nuevos encuentros, nuevos amig@s, nuevos compañer@s .La Pandemia ha sido una tormenta perfecta. El barco en el que viajaba se ha hundido. Mucha gente con la que pensaba compartía ideas y proyecto, han tomado otro camino. Pero en este naufragio he encontrado una bote para seguir navegando, con alguna gente de antes, con otros nuevos. En estos últimos meses un colectivo con el que he tenido cada vez más contacto es el anarquista.

E para quem isto escreve, ter lido estas suas palavras supujo um “subidom” e de seguido escrevim uma minha opiniom sobre a sua entusiasta publicaçom que replico por acá:

“Aleda-me enterar-me de que compas ANARQUISTAS de Alacant e mais do Ateneu Anarquista do Cabanyal (València) promovem o DEBATE sobre o bicho e que convidam aos seus atos a pessoas que se posicionaram claramente na contramão de governos, falsimédios e farmacéuticas.

Dalgum jeito esta notícia fai-me sentir que estivem sempre no lado que me correspondia pese a que por estes lares sentim-me em muitos momentos coma um especimem raro, raro, dado o silêncio cumplice de minhas presuntas camaradas e amigas.

Por suposto houvo e há pessoas amigas e cercanas, compas anarquistas galegas que sim estiveram e estám no meu mesmo lado da barricada desde o início desta situaçom. Elas sabem quem som e que tenhem tudo meu apreço e estima, mas som a excepçom discrepante pois semelha que a maioria das que se dim anarquistas por estes lares assumiram a campanha mediática do terror ao bicho e do medo à morte coma a única verdadeira e coa mesma assumiram injetar-se os produtos das farmacéuticas convencidas de que ahi radica a sua salvaçom e figeram mofa de quem denunciamos os numerosos casos de efeitos secundários mortais ou graves sumando-se assim a campanha orquestrada para quitar-lhe ferro; em definitiva coa sua atitude submissa figeram bo nosso refraneiro: “Quem tem cu, tem medo”

Dito isto, causa-me certo desazo observar coma muita gente que sempre estava à que saltava para respostar de imediato às ordens impostas desde arriba, assumiram entusiastas as teses oficias defendidas e mantidas por governos, por grandes empresas farmacéuticas com muito ánimo de lucro, por cientistas bem pagados por estas, por médios informativos propagandísticos dos produtos sanitários, por censores sem escrúpulos, em definitiva por organismos e instituçons que até entom, sempre estiveram doutro lado da barricada.

Agora que noutros países a gente (entre elas muitas anarquistas) está saindo às ruas para denunciar o apartheid que se está imponhendo para ailhar as que, coma mim, nom passamos polo aro de inocular-nos algo que ainda nadie sabe que é, e do que as próprias fabricantes nom se fám responsáveis das consequências nas nossas saudes, por estes lares, a maioria das anarquistas seguem caladas assumindo as teses ditatorias coma se nom fosse importante que haxa gente que, por negar-se a tragar as teses do poder, sejam privadas de direitos ou acedam a ser picadas por medo a perder seu trabalho ou a nom poder sair de festa na noite.

Eu pola minha conta tenho minha consciência muito tranquila e sinto-me bem de saber que, quanto menos noutros lugares, há anarquistas no meu carom nas barricadas.

SEMPRE NA LUTA CONTRA OS PODERES !!

NUNCA CALADAS DIANTE AS INJUSTIÇAS !!

O amanhã respira lume. (A) x Cori Piccirilli

De novo dou voz a Cori Piccirilli, anarquista, artista, insurreta, tinta e pólvora nas suas veias e traduço e colo este seu texto publicado em castelám numa RRSS

Do que sucede em rincões escuros, desse desespero surdo que retorce os corpos descorados nos subúrbios, vislumbra-se o vil reflexo da civilização.

O regime desata toda sua maquinaria. Avançam seus vermes num presente constante e opressivo. Correcções a balaços, exploração aberta, submissão, colonialismo do novo século.

Os amos de todo vociferam pestilências, arremetem contra o proletário despejado. A legalidade burguesa semelhara ser um escolho insuperável, mas quem amam a terra e a vida a defendem. Não lhe abrem as portas às penumbras do medo. A rebelião acende-se imperante nos olhos do povo.

Somos parte do mundo que eles não querem ver crescer, lamento-lhes dizer que as ideias germinam ainda quando a atmosfera é asfixiante.

E enquanto a cidade dorme atiforrada a novas pautas sociais declaro-lhe a guerra à normalidade. O fim de minha obediência sai a procurar-me clandestina, trepando como uma hera reixas oxidadas, à espreita nos umbrais. Tinta e pólvora em cegos paredons. Coqueteis molotov contra o opressor. Sonhos escritos com a fumarada das barricadas. O que para outros é utopia em nossas gorjas realidade. Os Gases tóxicos não atingirão para afogar tanta raiva.

Pobres sicários, crêem-se gigantes, sua liturgia é estéril e tamém suicida. As detonações estão gerindo-se desde as entranhas da Terra.

Quando a insónia da ira te invada, transgrede os limites, apanha essa pedra, não fiques esperando tua sentença.

O amanhã respira lume. (A)

-Cori Piccirilli –

Hoje recuperei minha risa matutina caminho do curro !!

Fazia bem de tempo que nom me faziam rir a tam tempranas horas. Nesses momentos rutinários a meia luz quando ao sol ainda se lhe espera nas que as pessoas que me cruzo vam, na sua maioria, cabisbaixas olhando seus celulares ou ao solo, tristes, silenciosas, apuradas e muitas ainda sem sorrisas nem falas meio tapadas com seus absurdos tapa-bocas mesmo que vaiam sozinhas por amplas avenidas.

Tempo atrás quando a gente só escuitara falar de coroas de flores ou das que levam nas suas cabeças as misses, as princesas, os reises e outros seres de contos ou das cortes reais e o termo pandemia nom invadira nosso vocabulário cotião; era bastante comum que, no meu percorrido cara ao choio, me cruzara com grupos de jovens bébedas e bem contentas que bem iam de retirada fazendo esses cantando ou bem iam à busca dum bareto onde seguir de troula.

Já fazia caseque dous anos que nom sentia essa inveja por ser jovem, por rachar moldes e horários, de fazer ruido no silêncio e cantar desafinado porque estou vivendo e disfrutando e me apenava viver num mundo onde a alegria de viver desaparecera nas ruas matutinas de quando as tristes e preocupadas currantes se cruzam com as alegres estudantes.

E hoje martes, polo comum um dia bem raro para andar de reganche, vim-lhes vir de longe e esbocei o meu sorriso. Dous moços bem altos rascando, cada qual, livres notas das suas guitarras, cantando embriagados à gente amodorrada dentro de seus carros parados num semáforo, um de cada lado, uma cançom que eu nom conheçia mas que na sua letra diziam algo assim como “um mundo sem bandeiras nem pátrias”.

E me alegrarom o dia !! E a inveja sã instalou-se em mim e fum-me de lá rindo. Tinha que ter-me unido a eles e mandar à merda ao curro, mas nom deixo de ser um velho de 60 anos à espera de ver cumprido meu tempo de currela e de receber o de júbilo; e quando chegue esse dia, poida que sejam esses mesmos jovens quem flipem comigo un dia qualquer de renganche manhãzeiro.

Que viva a joventude !!

Que viva a risa!!

Que viva a vida!!

Quando a Força da Natureza Estoupa ou Reventa

Pensamos as humanas que a Terra tuda é nossa, por isso há anos dividimo-la em territórios e limitamos os mares infinitos da nossa contorna;

Parcelamo-la terra em leiras, fanegas e ferrados; outorgamos a sua exploraçom em exclusiva a umas poucas gentes que, para nom sujar-se as suas delicadas mãos, servem-se de outras para trabalha-las;

Apropriamo-nos delas e chantamo-lhes marcos, ponhemos cercas e cancelas e coa mesma, desde seu berço, há quem herdam direitos ancestrais entanto outras herdam misérias e dêvedas;

Construimos castelos fortificados para defende-las propriedades de outras; elevamos valados rematados em coiteladas de fome e fechamos fronteiras para impeder o passo às famentas, às empobrecidas, às fugidas, às que buscam refúgio, às menosprezdas, às ninguém;

E arma-se ao povo para que defendam quanto nom lhes pertence em nome duma mesma Pátria; e coa mesma as párias som enviadas às guerras para manter o estatus das “legítimas” donas dos mares, dos rios, dos montes, das rochas, das grutas, das eiras.

Matamos a fauna e a flora, queimamos, lixamos, sujamos e emporcalhamos, coma se nom houvera um manhá, o ar, a terra e o mar.

Quiçás é por isso que eu, quando a natureza retumba, estoupa, remexa, destroça, reventa, desloca, agreta-se ou trema…

Eu, que nunca nada tivem, nada herdei e nada deixo, diante sua força destrutora, sorrio, aplaudo, abraio-me e rendo-me diante tanta beleza.

[Trieste, Itália] Um porto, uma anomalia, uma faísca

Colo (e traduço) da web anarquista iL Rovescio esta reflexom publicada ontem 19 de outubro :

Desejamos sinceramente que a evacuaçom policial da guarniçom-greve do porto de Trieste (experiência anômala que nos momentos mais altos envolveu oitocentos estivadores e cerca de dez mil solidárias) seja a faísca que fará a oposiçom ao passe “sanitário” mais ampla, determinada e ingovernável e que se desenvolva um movimento mais geral contra o governo e os patrons em torno do objetivo – para nós justo e irrenunciável – de fazer recuar este odioso instrumento de chantagem, discriminaçom e controle. Seguidos do bloqueio a uma passagem do porto de Génova, o bloqueio do porto de Ancona, o piquete de greve das operárias rodoviárias de Nápoles, as greves e encerros que se multiplicam desde 15 de Outubro nos locais de trabalho de várias cidades, e as primeiras respostas solidárias à repressom policial já som sinais importantes.

Aqueles que, no “movimento antagônico” ou no sindicalismo de base, se dizem contra o “passe verde”, agora o demonstram em atos e não apenas em palavras. A retirada do passe é considerada um objetivo limitado? Ninguém o impede de adicionar tudo o que deseja adicionar, mas deixar a resistência de Trieste sozinha seria um assunto sério neste momento. Sobre como e com quem recusar a solidariedade, não existem receitas unívocas, tamém dadas as muitas diferenças entre territórios. Mas se alguém quiser, encontrará seus caminhos. Caso contrário, pelo menos cale a boca. Por que enfatizar a limitaçom daquele “não passe verde” sem nenhum convite à solidariedade concreta parece-nos realmente miserável. Continuar a pôr pola lama e descrédito nos estaleiros de Trieste – com o despejo querido pelo governo e patrons, mas na verdade solicitado por Cgil, Cisl e Uil, com os carros lança-água da polícia ainda em açom e o ar infestado de gás lacrimogêneo – é simplesmente vergonhoso.

Polo que a nós respeita, algumas palavras. Escrevemos isto antes de 15 de outubro e repetimo-lo agora:

Ao Bloqueio, à Açom Direta, à Luita!

[A Corunha] Sábado 23.- Jornada Antirrepresaiva em Apoio às repressaliadas no despejo do CSO A Insumisa

Além dou pulo ao escrito que venhem de publicar numa RRSS. Dizer para quem nom o saiva que na altura dos feitos governava a cidade de A Corunha essas e esses que se deram a chamar alternativos baixo o nome de “Marea Atlántica” e co tempo demonstraram ser tam pro-Sistema coma os da direita mais rância, saindo a mentir nos meios a sua concelheira de Igualdade e Diversidade, Rocio Fraga, para tratar de justificar o despejo deste Centro Social e mais as barbáries cometidos durante o mesmo pola sua polícia local e suas amigas da nazional; tal qual podem-se observar no vídeo gravado polo coletivo Galiza Contrainfo, que vos colo. Assinalar que a tal Rocio Fraga em quanto ao de ter sido concelheira de Igualdade seria porque se assemelha e muito a um outro Fraga naquilo de mandar repremer e depois olhar cara outro lado:

A luita continua! ✊

En maio de 2018 o concello de A Coruña desaloxaba o Centro Social Okupado A Insumisa. Múltiples vídeos recollen a brutalidade que a policía empregou contra xs manifestantes, moitxs delxs coas mans levantadas en actitude non belixerante. Varias persoas precisaron atención médica, ata con 13 puntos de sutura na cabeza.

Non obstante, nunha absurda pirueta xudicial, o supostamente democrático Estado español carga contra as vítimas, acusando a sete persoas de diversos delitos que suman máis de 30 anos de cadea e 25.000 euros de multa. Un deles incluso chegou a ingresar en prisión con cargo de sedición, delito que, afortunadamente, caeu da causa.

A Insumisa foi un centro social que desenvolveu centos de actividades nas que participaron milleiros de persoas. Nel realizáronse infinidade de eventos solidarios, culturais e formativos: ofrecía un ximnasio de libre uso, con clases de balde de boxeo, ioga, baile e capoeira; tiña un xigantesco half pipe cuberto pra a práctica de skate; unha sala de concertos pra desenvolver ocio e cultura á marxe do mercado; e un sen fin doutras actividades libres, abertas e de balde.

Pero procurar crear alternativas ao sistema capitalista é un crime imperdoable e o concello tivo que desaloxalo. Tres anos máis tarde segue pechado e sen ningunha clase de uso, pero iso si, xa non pon en cuestión os valores da sociedade de consumo.

Como non lles valía con esnaquizarnos o soño, agora pretenden arrincarnos a capacidade de soñar. Chega o momento de axustar contas. Sete persoas enfróntanse ao xuízo derivado daquel desaloxo e as protestas posteriores. As peticións fiscais son absurdas: unha de 10 anos e outra de 7 anos por desordes públicos, atentado e lesións; tres de 3 anos e medio por desordes e atentado; e dúas de 2 anos de cárcere por danos agravados. Económicamente, entre multas e responsabilidades civís, superan os 25.000 euros. Nin que dicir ten que o relato policial está cheo de falseamentos, mentiras e esaxeracións relativas aos incidentes provocados por eles mesmos coa sua carga desproporcionada e sanguinolenta.

Hai tempo que asistimos a un endurecemento represivo, e a okupación sitúase no punto de mira do sistema. Pretenden acabar con calquera tipo de autoorganización á marxe das institucións. Xs sete represaliadxs de A Insumisa serán chibos expiatorios pra amedrentar á resistencia, a menos que a solidariedade e o apoio mutuo logren impedilo. Está nas nosas mans.

[Itália] Quebrar a trampa, Passar a ofensiva.- Uma vissom anarquista sobre o “Green Pass”

Recolho (traduço) e colo esta reflexom de compas anarquistas italianas publicada em 14 de outubro passado na sua web “il Rovescio”. Cronache della Stato d’emergenza (“O Reverso”. Crónicas do Estado de Emergência):

Comecemos com o que nos interessa: revocar o “green pass” ou passe “sanitário”. Este não é só uma ferramenta odiosa de chantagem e divisom, senão um salto qualitativo no controle autoritário de nossas vidas e da sociedade. Para aquelas que não entenderam – ou fingem não entender – ficamos sem palavras. E não imos começar com os desenhos animados. A centralidade da digitalizaçom para o Estado e para a tecno-indústria semelha mais do que clara, por exemplo, mesmo a partir duma leitura superficial do Plano Nacional de Recuperaçom e Resiliência, para o qual a classe dominante solicitou os serviços do profissional morto da fame Draghi. Nossa prioridade é, portanto, rachar este programa – que precisa do pacto entre as classes e a paz social – no seu ponto mais frágil e mais evidente para dezenas de milhares de pessoas: o “passe verde”.

Além do monopólio do discurso sobre “saúde pública” (você pode discutir os detalhes, apontar esta ou aquela contradiçom, mas nada mais), agora o governo e os tecnocratas gostariam até daquele do “antifascismo”, transformado em um péssimo pretexto para fortalecer a ditadura que já está aqui (a muito democrática dos patrons) e para justificar um maior endurecimento das luitas (dos fascistas, que foi reconstituída em 1946 e sempre aproveitada pelo Estado “nascido da Resistência”, passamos entom ao “violento”, isto é, ás antagonistas, ás trabalhadoras combativas, ás revolucionárias). Não é por acaso que Draghi escolheu a sede nacional da CGIL para confirmar a “linha de firmeza” no passe, após o abraço comovente com Landini. A operaçom, no entanto, parece-nos em grande parte malsucedida, como demonstra a grande participaçom na greve geral de 11 de outubro (com os importantes blocos de Piacenza, Gênova e Nápoles, e a impressionante manifestaçom em Trieste contra o “passe verde”, galvanizado pelo elemento de classe e força adicionado pelos estivadores) e a expectativa para o amanhã. A “linha de firmeza” já rachou, com funcionários do Ministério do Interior oferecendo test de antígenos gratuitos aos estivadores (proposta enviada de volta ao remetente pelos diretamente interessados, enquanto solicitá-los às empresas para todos os trabalhadores faz parte do sindicalismo básico) …

O protesto é “sujo”, sem dúvida. Mas pode uma sociedade cada vez mais monstruosa produzir protestos em massa que não o som? Chutar o traseiro dos fascistas por muito tempo limitaria a confusom habilmente criada pela mídia nos protestos que resistem ao “passe verde”. Não imos perder agora uma oportunidade que não parece exagerada para definir coma histórica: a de finalmente revocar um dos muitos decretos de emergência (e de “segurança”) que se seguiram implacavelmente desde os anos 1970. Um decreto, aliás, que não ataca “apenas” as assalariadas, as imigrantes, as dissidentes, mas sim às pessoas enquanto tais, os seus corpos, as suas relaçons sociais, os seus día a día.

Não é hora de reclamar ou virar como cata-ventos de acordo com o que nossos grandes e pequenos inimigos dizem e fazem, mas de fazer nossas próprias apostas. Não serám as proclamas anticapitalistas que nos darám sona, mas a habilidade e o prazer de dar um golpe onde mais dói, sim valerá para abrir outras possibilidades, espalhando assim o contágio do entusiasmo e do conflito.

Nós apostamos. Colocando-nos na fronte, como sempre. Apostamos na greve com gestos obedientes, nas ruas e nas práticas relutantes, nos bloqueios anunciados pelos portos de Trieste, Monfalcone, Génova …, nos contra-movimentos que o poder será obrigado a implementar, e no que estes podem desencadear, bem como na força da açom direta e autônoma. Para a luta!

Incongruências da vacinação para a COVID-19 x Teresa Gomes Mota

Recolho acá este artigo autoria da médica portuguesa Teresa Gomes publicado este sábado passado, 16 de outubro, na web OBSERVADOR.pt. Decidim replica-lo tal qual dado que é sem dúvida um relatório pormenorizado de todas aquelas razons que me levaram a posicionar-me desde um princípio ao carom daquelas que nos questonamos muitos dos procederes das nossas autoridades, tanto políticas coma sanitárias, nesta crise de valores onde está a vencer a submissom acrítica. Vozes coma a de Teresa merecem ser espalhadas por doquier pois, se bem ela focaliza as suas críticas ao feito em Portugal, nom deixam de ser totalmente exprapoláveis a quanto sofremos acá. Sumo-me assim ao replica-lo acá ao desejo da sua autora para que, tras a sua leitura, cada um possa tirar as próprias conclusões.

Incongruências da vacinação para a COVID-19

Como seria a realidade das doenças cardiovasculares, a principal causa de mortalidade em Portugal e no mundo, se diariamente lhes fosse dedicado o mesmo tempo pela comunicação social que à COVID-19?

Ao encetar a minha vida profissional como médica fiz o juramento de Hipócrates, que se iniciava com Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da Humanidade.

Pareceu-me na altura um pouco ambicioso imaginar que a minha humilde ação, que se faria através do atendimento de doentes, caso a caso, pudesse ser considerada um serviço à Humanidade. Mas cedo aprendi que assim É. Cada interação e doação do nosso saber, atenção e amor a uma pessoa que sofre é um ato de Humanidade. Cada ato, irrepetível, renovado e co-criado, faz de nós pessoas melhores, individual e coletivamente, e contribui para a transformação do mundo.

Mais tarde, alarguei horizontes com a possibilidade de intervenção a nível populacional, participando em diversas campanhas de prevenção no âmbito da minha especialidade, a cardiologia. Aprendi a dificuldade de conseguir a adesão dos media, meios privilegiados para transmitir de forma efetiva as mensagens a todos os portugueses, mesmo aos que habitam nos locais mais recônditos. E da árdua tarefa de obter patrocínios para conseguir criar e produzir materiais para essas campanhas, que eram depois distribuídos às rádios, televisões, jornais, outdoors. E da desilusão com o facto de que, pouco tempo depois de tanto esforço, tudo parecia esquecido, pela falta de repetição das mensagens de saúde em contraponto com as inserções publicitárias diariamente repetidas, por exemplo, pelas grandes empresas de géneros alimentares menos saudáveis.

Uma outra parte do juramento que fiz então, referia: Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início, mesmo sob ameaça e não farei uso dos meus conhecimentos Médicos contra as leis da Humanidade.

Esta parte do juramento veio a mostrar-se um desafio cada vez maior para os médicos, como por exemplo no que concerne a questões da interrupção voluntária de gravidez, da procriação medicamente assistida (com geração de embriões que depois serão descartados) ou da eutanásia, e acabou por levar à sua reformulação. No entanto, são as atuais abordagens contra a pandemia de Covid-19 que estão a lançar a humanidade e os princípios éticos num precipício de difícil retorno, com a participação ativa de uns poucos médicos e o niilismo ou a passividade de quase todos os restantes, em contradição com os princípios da nossa profissão.

O governo de Portugal, assim como o da maioria dos países do mundo, optou desde cedo por uma estratégia de vacinação como a principal esperança e arma para debelar a pandemia por SARS-CoV-2, um vírus respiratório, mutante, como são os vírus de RNA, pertencente a uma espécie de coronavírus para qual nenhuma vacina teve anteriormente um desempenho seguro e eficaz.

As vacinas criadas em tempo recorde e com comercialização autorizada pelas principais agências internacionais do medicamento, apenas de forma condicional (ou para uso de emergência) por insuficiência de dados de eficácia e segurança, foram rapidamente produzidas e distribuídas à escala global.

Promovidas diariamente nos media como seguras e eficazes, as pessoas foram primeiro convidadas, depois coagidas e, em alguns estados, obrigadas a tomá-las, com metodologias equiparáveis em todo o mundo: divulgação massiva das supostas vantagens para a proteção individual, para a proteção de grupo, para a defesa da economia, da educação, para o retorno à vida normal; necessárias para a obtenção do certificado digital de vacinação, criado para se poder circular entre países, mas cujo âmbito se alargou para entrar em estabelecimentos comerciais, eventos (familiares, desportivos, culturais, profissionais), lares, hospitais, escolas. E em alguns países os abusos dos direitos e liberdades dos cidadãos chegaram mesmo à obrigatoriedade de injeções com estas vacinas.

Mas há diversas incongruências relativamente a estas vacinas, que apresentam graves lacunas na comprovação dos seus pressupostos científicos, se conjugadas com toda a pressão exercida sobre as pessoas para que as recebam.

Senão, vejamos:

As vacinas não são esterilizantes, não impedem o contágio nem a transmissão. Não conferem proteção de grupo, quando muito conferem proteção individual aos indivíduos de risco, para doença grave e morte por COVID-19. A eficácia das vacinas no que se refere aos títulos de anticorpos diminui muito rapidamente ao longo do tempo, em meses, e as novas variantes contribuem para o escape vacinal, ou seja, para a ineficácia das vacinas.

A imunidade induzida pelas vacinas é inferior à conferida pela infeção natural e as vantagens da vacinação de recuperados de infeção por SARS-CoV-2, além de cientificamente improvável, não foi demonstrada em estudos aleatorizados, não se compreendendo porque é efetuada a vacinação de pessoas que já sofreram a doença.

A tão apregoada segurança das vacinas, da forma como se entendeu a segurança de um medicamento até 2019, não existe. São vacinas particularmente mortíferas, uma mácula na história da medicina, que já devia ter levado, logo nos dois primeiros meses de aplicação, a uma interrupção dos programas de vacinação em humanos até um melhor esclarecimento científico dos motivos das muitas e variadas reações adversas graves e casos de morte que foram notificados às entidades reguladoras dos medicamentos, nomeadamente europeias e americanas.

Apesar dos números sem precedentes de reações adversas, não tem havido interesse das autoridades do medicamento em promover uma farmacovigilância ativa, ou em tornar obrigatória a notificação de mortes ocorridas nos primeiros 15 dias após vacinação, sobretudo nos grupos mais vulneráveis, como nos idosos e residentes em lares, em grávidas e em crianças. As autópsias de vacinados, que poderiam ajudar a compreender objetivamente o que se está a passar, são sistematicamente dispensadas.

Não há estudos em grávidas, nem em mães que amamentam, e no entanto, as autoridades de saúde recomendam a vacinação destes grupos, como segura e eficaz.

A Covid-19 é uma doença benigna nas crianças e jovens, e contudo, as vacinas, ainda sem estudos de segurança a longo prazo, conseguiram uma aprovação condicional nos EUA e UE para os maiores de 12 anos, e anuncia-se uma aprovação breve para os maiores de 5 anos.

Não há estudos sobre a interação medicamentosa das vacinas com outros medicamentos, entre os quais vacinas para outras patologias, e mesmo assim, pondera-se a administração conjunta com vacinas para a gripe; tome-se como exemplo Portugal, onde à falta de recomendação da Agência Europeia do Medicamento (EMA) a Direção-Geral da Saúde anuncia que espera uma posição da Organização Mundial da Saúde.

Ao contrário das doses adicionais para imunodeprimidos, as doses de reforço (terceira dose) não foram recomendadas pela EMA, por falta de evidência atual de eficácia (que poderá vir ainda a emergir) e por dados limitados de segurança, (um pequeno estudo que incluiu apenas pessoas dos 18 aos 55 anos). Apesar disso, as autoridades de saúde de Portugal apressaram-se a recomendar a dose de reforço para maiores de 65 anos.

As vacinas não são eficazes nem seguras, e ainda assim, Portugal, que se encontra entre os países com maior taxa de vacinação do mundo, para além dos 15 milhões de doses já administradas vai receber mais de 6 milhões ainda em 2021, para continuar a inocular a sua população.

Aos médicos e aos outros profissionais de saúde, os principais defensores da saúde das pessoas, muito raramente é dada oportunidade nos media para questionar a segurança e a eficácia das vacinas. Se o fazem em espaços públicos ou nas redes sociais são injuriados como negacionistas, obscurantistas, defensores de teorias da conspiração e, por vezes, as suas contas fechadas, os seus artigos recusados ou despublicados e até lhes são instaurados processos disciplinares.

Os jornalistas não fazem perguntas incómodas aos defensores destas terapêuticas biológicas em fase experimental para todos e os media repetem diariamente, desde há mais de um ano e meio, notícias que causam o medo sobre a pandemia e mensagens positivas e esperançosas sobre as vacinas. Colando-se à narrativa oficial promovida pelo poder político, dia após dia, conseguiram convencer as populações a aderir a programas de vacinação apesar das muitas questões de eficácia e segurança que se levantam. Mas não investiram tempo a divulgar medidas fundamentais de mudança de estilo de vida para prevenir um mau prognóstico perante uma infeção por SARS-CoV-2, como a redução do peso em excesso ou o controlo da tensão arterial, por exemplo. E em jeito de desabafo, como seria a realidade das doenças cardiovasculares, a principal causa de mortalidade em Portugal e no mundo, se diariamente lhes fosse dedicado o mesmo tempo pelos meios de comunicação social?

Não se pode deixar de perguntar: que intenso e especial interesse têm os governos e os media na promoção da vacinação para a COVID-19 e que não foi anteriormente manifestado para a promoção de abordagens para doenças crónicas muito devastadoras?

As pessoas que foram vítimas das reações adversas das vacinas e os seus familiares têm dificuldade em partilhar publicamente as suas perdas, serão porventura negacionistas se o tentarem fazer ou se se organizarem em associações de doentes, e os laboratórios farmacêuticos estão isentos de responsabilidades pelos danos causados às pessoas pela comercialização destes produtos biológicos ainda em fase experimental.

Com honrosas exceções, as sociedades científicas e associações profissionais renunciaram ao seu papel imparcial de investigação, de validação científica, de monitorização e de observatório de eventos clínicos, de formação médica, de emissão de recomendações para os profissionais de saúde, quando estes possam levar a ações e resultados contra a narrativa oficial pró-vacinal. No que à pandemia diz respeito, na sua maioria mais parecem fracos ecos de um som cuja origem não se discerne. O que leva a questionar sobre potenciais conflitos de interesses.

Os médicos que usam a própria cabeça para estudar, observar, refletir, decidir em função de cada caso e em função da própria experiência, que em vez de seguir cegamente normas incongruentes, e com inexistentes ou duvidosas bases científicas, seguem o princípio hipocrático que figura em todos os cartões da Ordem dos Médicos – A saúde do meu doente será a minha primeira preocupaçãoprecisam medir muito bem os atos e as palavras para que não sejam caluniados, atacados na sua reputação ou lhes sejam suspensas as cédulas profissionais.

Por isso, neste artigo apenas se apresentam factos que atestam a incoerência de muitas medidas preconizadas e implementadas no conturbado período que atravessamos, para que cada um possa tirar as próprias conclusões.

Mas com mais convicção ainda do que naquele dia há 38 anos, reafirmo o juramento que fiz e convido todos os colegas a fazerem-no também, com consciência e coragem. Alguns talvez prefiram a versão mais recente donde destaco este excerto:

Não usarei os meus conhecimentos médicos para violar direitos humanos e liberdades civis, mesmo sob ameaça.

40º Congresso do PSOE ou uma destas vezes em que mejam por nós, e há que dizer que chove.

E entom no 40º Congresso do PSOE alçou-se uma voz desde a penumbra do fundo e perguntou:

E como imos seguir vendendo a moto para que nos votem?.

E uma outra voz respostou pronta:

Digamos-lhes que desta sim que imos sair-nos da OTAN

E um estrondo de gargalhadas ressoou no salom de conferências quando alguém alçou sua voz e replicou:

Deroguemos a Reforma Laboral do PP

E uma outra:

Eh, eh, e que agora sim que si imos derogar a Lei Mordaça

As risas retumbavam ao uníssono quando uma outra voz sobressaiu dentre a escandaleira jocosa e berrou entre gargalhadas:

E aboliremos a prostituiçom !!

A gente já revolcaca-se entre as cadeiras e o cham quando entom, desde a mesa das principais, retumbou um maço que figera soar Mr X ao tempo que se erguia da sua cadeira e fazia um aceno para acalar às massas e em quanto se fijo o silêncio proclamou:

E nacionalizaremos a rede elétrica e o gas

E aquilo foi um mijar-se de rir sem parar, mesmo algumas pensaram que iam morrer, lá mesmo, da risa.

E foi quando começarom a soar os primeiros acordes da Internacional e as congresistas tal qual autómatas pugeram-se em pé entoando aqueles proletários versos, se bem mais de uma seguia rindo-se sem poder parar olhando como ainda havia quem erguia seu punho entanto cantava:

Crime de rico a lei o cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.

O curioso foi que ao dia seguinte os seus falsimédios recolhiam algumas de tais jocosas propostas coma se foram reais; isso sim gardarom-se muito de contar coma foram jurdindo entre risos e gargalhadas.

Alerta! Exploraçom inibida na primeira infância polo uso de mascarilhas polas pessoas da sua referência x Gorka Saitua

Recolho (traduço e colo) do blogue “Educación Familiar”, atendendo a permissom de fazer uso dele do seu autor, Gorka Saitua, pedagogo e orientador familiar que trabalha desde o ano 2002 em proteçom à infância, em Bizkaia; para uma associaçom sem ânimo de lucro. Ele mesmo indica que na sua professom baseia-se, sobretudo, na teoria sistémica estrutural-narrativa, a teoria do apego e a neurobiologia interpersonal; e afirma crer firmemente no poder protetor e reparador dos bons tratos, um conceito complexo que vertebra todo seu blog:

Uma colega orientadora —cujo trabalho sigo muito de perto— tem dado a voz de alarme ao observar que começa a ter muitas meninas e muitos meninos de 2 a 3 anos, com as CONDUTAS DE EXPLORAÇOM PERMANENTEMENTE INIBIDAS. Segundo explica, trata-se de pequenas e pequenos que não exploram, apesar de estar em companhia de uma pessoa adulta da sua referência, isto é, sua professora ou alguém da sua família. 

Alguém que não tenha conhecimento sobre a infância poderia pensar que tanto tem, que precisam de seu tempo, que já se acostumarám, que é coisa de tempo e que não se passa nada. Mas a nada que se saiba algo sobre comportamento infantil, é como para dar um sinal de alarme a berros.

A ver se me explico:

Quando um menino ou uma menina não explora —ou explora de maneira  estereotipada, superficial, sem curiosidade polo meio— é um indicador de que seu sistema nervoso está AFETADO polo estresse, a insegurança ou o medo; e/ou que não atopa na sua pessoa de referência (base segura) o PERMISSO ou a ACALMA necessária para correr as aventuras que possibilitam o desenvolvimento e a aprendizagem na infância.

Não passa nada porque uma menina ou um menino não poida explorar um dia. É o mais normal do mundo. Mas as coisas complicam-se se não sai desse estado: modo apego ligado, modo exploraçom apagado; ou, e cago-me na minha vida, o que é pior, muito pior, modo baixo, REFLEXO DE MORTE e nenhum desses dois sistemas ativos. Apagom generalizado. 

O problema, o verdadeiro problema, é a CORTISONA que se acumula em seus corpos, e que dificilmente pode  metabolizarse se não sente que o contexto (espacial e relacional) é seguro. A cortisona, isto é, a hormona do estresse, é tóxica em determinadas quantidades, sobretudo, se permanece muito tempo no corpo. Do mesmo modo que vemos clara a necessidade de preservar às meninas e meninos da cafeína, do álcool, da farlopa e outras drogas, deveríamos preservar desse excesso de ESTRESSE TÓXICO, porque tamém tem a capacidade de danificar e alterar a estrutura e a bioquímica de seus cérebros. E em idades tão temporãs, entra em jogo o efeito bolboreta, ou o que é o mesmo, a constataçom de que pequenas mudanças no início da vida, podem provocar graves alteraçons no futuro, como uma alteraçom do rumo temperão.

Devemos ser muito conscientes do impacto que têm estas alteraçons na conduta de exploraçom em idades temporãs, porque, ainda que existe a PLASTICIDADE CEREBRAL —essa capacidade que tem o cérebro para modelar suas conexons e ir cobrindo necessidades—, esta sempre é limitada. Isto é, que um dano severo numa idade muito temporã é difícil, e inclusive impossível de consertar, com os meios com os que conta o sistema nervoso, ou com as técnicas que atualmente dispomos. Ademais, como bem sabemos as e os que nos dedicamos a isto, há PERÍODOS CRÍTICOS no desenvolvimento, nos que, se não se dá uma estimulaçom adequada, passa o comboio e fodemo-nos.

Imagino que ainda não há grandes estudos sobre isto; mas dificilmente negará-se-me que, de maneira direita ou indireta, isto tem relaçom com as restriçons, o medo e as alteraçons como consequência da má gestom que, coma sociedade em seu conjunto, temos feito da PANDEMIA.

Muitas e muitos vínhamos avisando. Há quem fazia-o a voz em grito, e outras, como eu, mais polo baixinho, aceitando a urgência das medidas sanitárias, porque havia muita gente que o estava a passar mau ou morrendo. Mas, o que estava claro, meridianamente claro, é que os movimentos que houvo durante dois anos, iam prejudicar à infância, especialmente à nascida em datas próximas à emergência da doença e o caos consequente.

Estamos a falar de meninas e meninos pequenos que miraram escassos rostos humanos durante a sua vida, porque a gente, estranhas e familiares, iamos com a cara tampada. Este feito, aparentemente banal, priva à infância duma das suas fontes de ESTIMULAÇOM e de SEGURANÇA chaves: a cara das pessoas. O cérebro da infância —bom, e o das pessoas adultas, que em isto não somos tão diferentes— checa de maneira pré-consciente constantemente os sinais de segurança, insegurança, perigo ou ameaça que há no meio, com a ideia de preparar a tempo todo o organismo para responder às circunstâncias. 

Está tudo bem?

Podo relaxar-me?

Vem-se-me algo em cima?

As meninas e meninos, especialmente as mais pequenas, checam contantemente os rostos humanos. É a sua ÚNICA FONTE FIÁVEL de informaçom para saber se podem relaxar-se e explorar o mundo. E, no momento em que percebem a preocupaçom ou o medo na gente, voltam aos braços ou a cercania das suas figuras de referência para receber proteçom e consolo. É este ciclo que vai e vem, o que vai permitindo que as meninas e meninos desenvolvam essa SENSAÇOM SENTIDA DE SEGURANÇA que lhes pode acompanhar toda uma vida ou, polo contra, essa ATIVAÇOM PERMANENTE DO CORPO, como se sempre estivessem diante algum perigo. E é esta, justo esta sensaçom de insegurança sentida, o que está na base não só de muitos transtornos do desenvolvimento, senão tamém do fracasso escolar crónico, diferentes tipos de afetaçons mentais, e inclusive muitos problemas físicos que afetam ao sistema cardiovascular, nervoso, endócrino, etc. 

A movida, amigas e amigos, para este processo é chave a primeira infância, a saber, entre os 0 e 3 anos, justo o intervalo mais afetado pola pandemia e polas loucuras que figemos para nos proteger dela. 

Acho que toca revisar as coisas, porque estamos noutro momento. Grande parte da populaçom está vacinada, e não podemos seguir maltratando, sim MAL-TRA-TAN-DO, à infância e condenando seu futuro para respeitar uns protocolos escolares que, todas o sabemos, estám feitos para que os adultos se lavem as suas mãos.

Que é isto de que as professoras de infantil tenham que levar tapa-bocas, quando a maioria estám vacinadas, numa aula onde as meninas e meninos compartilham seus mucos?

Que é isto de que, em muitos centros escoares, não se permitam períodos de adaptaçom nos que se poida fazer uma transiçom harmoniosa entre as figuras de seu apego primário (habitualmente as mães e os pais) e secundário (as professoras e os professores)?

Que é isto de que, nos próprios centros que o permitem, as meninas e os meninos tenham que fazer a adaptaçom com suas mães ou pais com tapa-bocas? Como podem sentir segurança com isso?

Acho que toca ser conscientes de que as meninas e meninos entre 0 e 3 anos, ainda que não poidam expressa-lo com palavras, som quem PIOR o passaram. Tiveram que se enfrentar a um encerro que ia na contramão de sua necessidade mais primária de movimento, acompanhadas por mães e pais que não podiam fazer-lhes caso, porque se impunha acima de qualquer coisa a necessidade do teletrabalho, uma sorte de escravitude a tempo completo mas na casa; viram-nos pressionadas, às vezes, aterradas, intuindo que há um inimigo invisível no ar, com a cara tampada, sem poder dizer-lhes, em seu código nem na sua linguagem, que estejam tranquilas, que estamos em terreno seguro; alguns e algumas, inclusive, ainda tenhem duelos pendentes, congelados; e agora, para mais inri, têm que ir a uma escola onde não há pessoas senão FIGURAS SEM ROSTO

Conho, vale já, não si?

Ou que queremos?

Depois falaremos duma geraçom perdida, eu que sei, pola música de merda que escutam ou os videojogos, quando em realidade priváremos-lhes, a caracão, do BOM TRATO que PRECISAVAM porque para nós, pessoas adultas, era mais importante cumprir com o que pom nos papéis e que ninguém nos encasquete o morto. E ficaremos tam tranquilas, porque temos a empatia dum cacho de merda para a infância. 

Pois nada, que já o dixem.

A mim sim. Preocupam-me MUITO as meninas e meninos que não exploram. Preocupa-me que se agarrem à perna da sua mãe e de seu pai, mas bem mais, que fiquem apagados, num curruncho, sem jogar, com a mirada posta no vazio. Urge intervir com elas e com as suas famílias para restaurar esse CÍRCULO DE SEGURANÇA que lhes vai acompanhar toda uma vida. E aí tem que intervir toda a comunidade escolar, e não responsabilizar mais se cabe às famílias, porque o que se precisa, nestes casos, não é só boa vontade, senão um apoio experiente. Porque não vale com saber como fazer, senão que é necessária muita formaçom sobre a regulaçom dos afetos. 

Cagho no leite. Nem sou médico nem epidemiólogo. Não podo valorizar nada com critérios sanitários. Não tenho nem ideia dos riscos. Mas sim trabalho com infância vulnerada e sei, de primeira mão, o impacto que tem tudo isto: assovalhador. Estou seguro de poucas coisas, mas uma delas é, sem dúvida, de que toca reabrir o debate: até que ponto imos seguir MALTRATANDO à infância e comprometendo a sua saúde física e mental, por uma doença que, para elas e eles, não costuma ser um risco, estando quase toda a sociedade vacinada. 

Que não se passa nada por falar. Mas isto já mo conheço: a infância sempre na parte final da fila, porque não tem direitos políticos nem poder económico. Recebendo paus como burros. 

Anda e que vos dem.

Ponhemo-nos as pilhas?

Falamos?


Deito acá esta bibliografia sobre a que Gorka di: “vos deixo cousinhas para ler de gente que sabe mais, e utiliza uma linguagem mais culta”:  

BARUDY, J. (1998). El dolor invisible de la infancia: una lectura ecosistémica del maltrato familiar. Barcelona: Paidós Ibérica 

BOWLBY, J. (1989). Una base segura: aplicaciones clínicas de la teoría del apego. Barcelona: Paidós Ibérica 

BENITO MORAGA, R. (2020). La regulación emocional. Bases neurobiológicas y desarrollo en la infancia y adolescencia. Madrid: El Hilo Ediciones. 

BERASTEGI, A. y PITILLAS, C. (2018). Primera alianza: fortalecer y reparar los vínculos tempranos. Barcelona: Gedisa 

DANA, D. (2019). La teoría polivagal el terapia. Cómo unirse al ritmo de la regulación. Barcelona: Eleftheria 

GERHARDT. S. (2016). El amor maternal: la importancia del afecto en el cerebro y las emociones del bebé. Barcelona: Eleftheria 

GONZÁLEZ, A. (2017). No soy yo. Entendiendo el trauma complejo, el apego, y la disociación: una guía para pacientes y profesionales. Editado por Amazon 

LEVINE, P. A. y KLINE, M. (2017) Tus hijos a prueba de traumas. Una guía parental para infundir confianza, alegría y resiliencia. Barcelona: Eleftheria