Alerta! Exploraçom inibida na primeira infância polo uso de mascarilhas polas pessoas da sua referência x Gorka Saitua

Recolho (traduço e colo) do blogue “Educación Familiar”, atendendo a permissom de fazer uso dele do seu autor, Gorka Saitua, pedagogo e orientador familiar que trabalha desde o ano 2002 em proteçom à infância, em Bizkaia; para uma associaçom sem ânimo de lucro. Ele mesmo indica que na sua professom baseia-se, sobretudo, na teoria sistémica estrutural-narrativa, a teoria do apego e a neurobiologia interpersonal; e afirma crer firmemente no poder protetor e reparador dos bons tratos, um conceito complexo que vertebra todo seu blog:

Uma colega orientadora —cujo trabalho sigo muito de perto— tem dado a voz de alarme ao observar que começa a ter muitas meninas e muitos meninos de 2 a 3 anos, com as CONDUTAS DE EXPLORAÇOM PERMANENTEMENTE INIBIDAS. Segundo explica, trata-se de pequenas e pequenos que não exploram, apesar de estar em companhia de uma pessoa adulta da sua referência, isto é, sua professora ou alguém da sua família. 

Alguém que não tenha conhecimento sobre a infância poderia pensar que tanto tem, que precisam de seu tempo, que já se acostumarám, que é coisa de tempo e que não se passa nada. Mas a nada que se saiba algo sobre comportamento infantil, é como para dar um sinal de alarme a berros.

A ver se me explico:

Quando um menino ou uma menina não explora —ou explora de maneira  estereotipada, superficial, sem curiosidade polo meio— é um indicador de que seu sistema nervoso está AFETADO polo estresse, a insegurança ou o medo; e/ou que não atopa na sua pessoa de referência (base segura) o PERMISSO ou a ACALMA necessária para correr as aventuras que possibilitam o desenvolvimento e a aprendizagem na infância.

Não passa nada porque uma menina ou um menino não poida explorar um dia. É o mais normal do mundo. Mas as coisas complicam-se se não sai desse estado: modo apego ligado, modo exploraçom apagado; ou, e cago-me na minha vida, o que é pior, muito pior, modo baixo, REFLEXO DE MORTE e nenhum desses dois sistemas ativos. Apagom generalizado. 

O problema, o verdadeiro problema, é a CORTISONA que se acumula em seus corpos, e que dificilmente pode  metabolizarse se não sente que o contexto (espacial e relacional) é seguro. A cortisona, isto é, a hormona do estresse, é tóxica em determinadas quantidades, sobretudo, se permanece muito tempo no corpo. Do mesmo modo que vemos clara a necessidade de preservar às meninas e meninos da cafeína, do álcool, da farlopa e outras drogas, deveríamos preservar desse excesso de ESTRESSE TÓXICO, porque tamém tem a capacidade de danificar e alterar a estrutura e a bioquímica de seus cérebros. E em idades tão temporãs, entra em jogo o efeito bolboreta, ou o que é o mesmo, a constataçom de que pequenas mudanças no início da vida, podem provocar graves alteraçons no futuro, como uma alteraçom do rumo temperão.

Devemos ser muito conscientes do impacto que têm estas alteraçons na conduta de exploraçom em idades temporãs, porque, ainda que existe a PLASTICIDADE CEREBRAL —essa capacidade que tem o cérebro para modelar suas conexons e ir cobrindo necessidades—, esta sempre é limitada. Isto é, que um dano severo numa idade muito temporã é difícil, e inclusive impossível de consertar, com os meios com os que conta o sistema nervoso, ou com as técnicas que atualmente dispomos. Ademais, como bem sabemos as e os que nos dedicamos a isto, há PERÍODOS CRÍTICOS no desenvolvimento, nos que, se não se dá uma estimulaçom adequada, passa o comboio e fodemo-nos.

Imagino que ainda não há grandes estudos sobre isto; mas dificilmente negará-se-me que, de maneira direita ou indireta, isto tem relaçom com as restriçons, o medo e as alteraçons como consequência da má gestom que, coma sociedade em seu conjunto, temos feito da PANDEMIA.

Muitas e muitos vínhamos avisando. Há quem fazia-o a voz em grito, e outras, como eu, mais polo baixinho, aceitando a urgência das medidas sanitárias, porque havia muita gente que o estava a passar mau ou morrendo. Mas, o que estava claro, meridianamente claro, é que os movimentos que houvo durante dois anos, iam prejudicar à infância, especialmente à nascida em datas próximas à emergência da doença e o caos consequente.

Estamos a falar de meninas e meninos pequenos que miraram escassos rostos humanos durante a sua vida, porque a gente, estranhas e familiares, iamos com a cara tampada. Este feito, aparentemente banal, priva à infância duma das suas fontes de ESTIMULAÇOM e de SEGURANÇA chaves: a cara das pessoas. O cérebro da infância —bom, e o das pessoas adultas, que em isto não somos tão diferentes— checa de maneira pré-consciente constantemente os sinais de segurança, insegurança, perigo ou ameaça que há no meio, com a ideia de preparar a tempo todo o organismo para responder às circunstâncias. 

Está tudo bem?

Podo relaxar-me?

Vem-se-me algo em cima?

As meninas e meninos, especialmente as mais pequenas, checam contantemente os rostos humanos. É a sua ÚNICA FONTE FIÁVEL de informaçom para saber se podem relaxar-se e explorar o mundo. E, no momento em que percebem a preocupaçom ou o medo na gente, voltam aos braços ou a cercania das suas figuras de referência para receber proteçom e consolo. É este ciclo que vai e vem, o que vai permitindo que as meninas e meninos desenvolvam essa SENSAÇOM SENTIDA DE SEGURANÇA que lhes pode acompanhar toda uma vida ou, polo contra, essa ATIVAÇOM PERMANENTE DO CORPO, como se sempre estivessem diante algum perigo. E é esta, justo esta sensaçom de insegurança sentida, o que está na base não só de muitos transtornos do desenvolvimento, senão tamém do fracasso escolar crónico, diferentes tipos de afetaçons mentais, e inclusive muitos problemas físicos que afetam ao sistema cardiovascular, nervoso, endócrino, etc. 

A movida, amigas e amigos, para este processo é chave a primeira infância, a saber, entre os 0 e 3 anos, justo o intervalo mais afetado pola pandemia e polas loucuras que figemos para nos proteger dela. 

Acho que toca revisar as coisas, porque estamos noutro momento. Grande parte da populaçom está vacinada, e não podemos seguir maltratando, sim MAL-TRA-TAN-DO, à infância e condenando seu futuro para respeitar uns protocolos escolares que, todas o sabemos, estám feitos para que os adultos se lavem as suas mãos.

Que é isto de que as professoras de infantil tenham que levar tapa-bocas, quando a maioria estám vacinadas, numa aula onde as meninas e meninos compartilham seus mucos?

Que é isto de que, em muitos centros escoares, não se permitam períodos de adaptaçom nos que se poida fazer uma transiçom harmoniosa entre as figuras de seu apego primário (habitualmente as mães e os pais) e secundário (as professoras e os professores)?

Que é isto de que, nos próprios centros que o permitem, as meninas e os meninos tenham que fazer a adaptaçom com suas mães ou pais com tapa-bocas? Como podem sentir segurança com isso?

Acho que toca ser conscientes de que as meninas e meninos entre 0 e 3 anos, ainda que não poidam expressa-lo com palavras, som quem PIOR o passaram. Tiveram que se enfrentar a um encerro que ia na contramão de sua necessidade mais primária de movimento, acompanhadas por mães e pais que não podiam fazer-lhes caso, porque se impunha acima de qualquer coisa a necessidade do teletrabalho, uma sorte de escravitude a tempo completo mas na casa; viram-nos pressionadas, às vezes, aterradas, intuindo que há um inimigo invisível no ar, com a cara tampada, sem poder dizer-lhes, em seu código nem na sua linguagem, que estejam tranquilas, que estamos em terreno seguro; alguns e algumas, inclusive, ainda tenhem duelos pendentes, congelados; e agora, para mais inri, têm que ir a uma escola onde não há pessoas senão FIGURAS SEM ROSTO

Conho, vale já, não si?

Ou que queremos?

Depois falaremos duma geraçom perdida, eu que sei, pola música de merda que escutam ou os videojogos, quando em realidade priváremos-lhes, a caracão, do BOM TRATO que PRECISAVAM porque para nós, pessoas adultas, era mais importante cumprir com o que pom nos papéis e que ninguém nos encasquete o morto. E ficaremos tam tranquilas, porque temos a empatia dum cacho de merda para a infância. 

Pois nada, que já o dixem.

A mim sim. Preocupam-me MUITO as meninas e meninos que não exploram. Preocupa-me que se agarrem à perna da sua mãe e de seu pai, mas bem mais, que fiquem apagados, num curruncho, sem jogar, com a mirada posta no vazio. Urge intervir com elas e com as suas famílias para restaurar esse CÍRCULO DE SEGURANÇA que lhes vai acompanhar toda uma vida. E aí tem que intervir toda a comunidade escolar, e não responsabilizar mais se cabe às famílias, porque o que se precisa, nestes casos, não é só boa vontade, senão um apoio experiente. Porque não vale com saber como fazer, senão que é necessária muita formaçom sobre a regulaçom dos afetos. 

Cagho no leite. Nem sou médico nem epidemiólogo. Não podo valorizar nada com critérios sanitários. Não tenho nem ideia dos riscos. Mas sim trabalho com infância vulnerada e sei, de primeira mão, o impacto que tem tudo isto: assovalhador. Estou seguro de poucas coisas, mas uma delas é, sem dúvida, de que toca reabrir o debate: até que ponto imos seguir MALTRATANDO à infância e comprometendo a sua saúde física e mental, por uma doença que, para elas e eles, não costuma ser um risco, estando quase toda a sociedade vacinada. 

Que não se passa nada por falar. Mas isto já mo conheço: a infância sempre na parte final da fila, porque não tem direitos políticos nem poder económico. Recebendo paus como burros. 

Anda e que vos dem.

Ponhemo-nos as pilhas?

Falamos?


Deito acá esta bibliografia sobre a que Gorka di: “vos deixo cousinhas para ler de gente que sabe mais, e utiliza uma linguagem mais culta”:  

BARUDY, J. (1998). El dolor invisible de la infancia: una lectura ecosistémica del maltrato familiar. Barcelona: Paidós Ibérica 

BOWLBY, J. (1989). Una base segura: aplicaciones clínicas de la teoría del apego. Barcelona: Paidós Ibérica 

BENITO MORAGA, R. (2020). La regulación emocional. Bases neurobiológicas y desarrollo en la infancia y adolescencia. Madrid: El Hilo Ediciones. 

BERASTEGI, A. y PITILLAS, C. (2018). Primera alianza: fortalecer y reparar los vínculos tempranos. Barcelona: Gedisa 

DANA, D. (2019). La teoría polivagal el terapia. Cómo unirse al ritmo de la regulación. Barcelona: Eleftheria 

GERHARDT. S. (2016). El amor maternal: la importancia del afecto en el cerebro y las emociones del bebé. Barcelona: Eleftheria 

GONZÁLEZ, A. (2017). No soy yo. Entendiendo el trauma complejo, el apego, y la disociación: una guía para pacientes y profesionales. Editado por Amazon 

LEVINE, P. A. y KLINE, M. (2017) Tus hijos a prueba de traumas. Una guía parental para infundir confianza, alegría y resiliencia. Barcelona: Eleftheria 

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