Um meu Continho sobre a Lei Mordaça

Neste curso no meu Instituto houvo mudanças na direção do mesmo apôs da chegada duma profissora nomeada digitalmente (a dedo) para exercer o cargo de Diretora pola sua presunta experiência em resolver situações conflitivas noutros centros de ensinança.

Desde o primeirinho dia de escola, a maioria do alunado começamos a sofrer a sua particuar maneira de resolver os conflitos, tras introduzir vários câmbios que, segundo ela, iam cortar o mal pola raiz.

O mal que ela vinha erradicar, por mandato imperial, era o nosso baixo nível de aprovados em comparativa com os demais centros de ensinança da nossa cidade, coma se não tivera nada que ver o feito de estar ubicado num dos subúrbios mais empobrecidos duma grande cidade onde a maioria do alunado procedemos dum estrato social muito baixo e com progenitores pouco dadas ao estudo, as artes ou a leitura.

A sua tática em realidade não tinha nada de novidosa porque já fora testada na sociedade. Consistia em motivar ás mais desleixadas, incitando-las a participar ativamente fazéndo-lhes sentir-se importantes para o bo funcionamento do Centro. Coma quem lança uma pedra para evitar uma guerra, as vítimas desta novidosa situação seríamos claro objectivo de muitas pedradas.

A primeira na fronte recebemo-la quando, no ato inaugural na Sala de Atos, a nova Diretora nomeara coma Vigilantes às mais retardadas nos estúdios, às mais brigosas e às mais desobedientes que dia sim e dia tamém e ano tras ano, curso tras curso, montavam a de deus nas aulas e ejerciam de matonas polos corredores e pátios de recreio. Lá foram chamadas a subir ao estrado uma tras outra polos seus nomes e apelidos (a mais de uma houvo que empurrar-lhe já que não estavam habituadas a ser citadas polos seus dados personais) e uma vez na cima foram ungidas de autoridade com uma banda identificativa e uma chapa muito similar a dos “sheriffes” dos velhos filmes de índios e vaqueiros.

A segunda labaçada fora recebeda quando um daqueles abusões com placa alegou que lhe dera uma tunda a uma moça porque esta estava a armar bronca e não atendia a sua demanda de calar e estar-se queda. A verdade de quanto acontecera era vox populi entre o alunado: a rapaça rejeitara andar a moçear com ele e diante da incómoda insistência deste pechara-lhe a porta da aula nos narizes, provocándo-lhe uma pequena hemorragia nasal ao covarde valentão. Mas a Diretora ao nomear às vigilantes tamém lhes outorgara o benefício de presunção de veracidade nas suas declarações e a moça em questão fora expulsada da escola por uma semana e advertida de explusão definitiva se não mudava a sua atitude beligerante para com o mentiroso.

Este feito em concreto desencadeou um feixe de situações análogas de abusos por parte das “embandadas” por qualquer motivo e/ou com qualqer escusa e em todas essas situações as declarações das vigilantes sempre eram tomadas coma verdadeiras mesmo que houvera dúzias de vítimas e testemunhas presenciais dos seus enganos e das suas viles façanhas.

Achegando-se o remate do 1º trimestre já eramos mais da mitade do alunado as suas vítimas ocasionais. Bastava uma roçadura casual num corredor com alguma delas para ipso facto converter-se na sua vítima propiciatória; mas incluso co tempo, e vista a total impunidade com que exerciam seu poder em corredores e pátios, não fazia falha causa alguma por nímia que fosse para ser golpeada por uma destas bestas e além apôs ser declarada pola Diretora culpável do ataque. Só quem dia tras dia riam-lhe as graças e mesmo ofereciam-se a testemunhar em falso ao seu favor, estavam a salvo momentâneo das suas tretas e artimanhas.

Fora por então quando um grupo de vítimas começara a juntar-se à saída da escola para argalhar um jeito de rematar com tanto abuso de autoridade. Os primeiros acordos que tomaram era tratar de juntar ao maior número de pessoas que estavam fartas desta situação e fazer sentadas nos recreios entrecolhidas dos braços formando um círculo e permanecendo a meia hora em total silêncio coma jeito de protesto. Desde então receberam o apelo de “As Circulares”.

Outras, menos pacifistas, tamém se juntaram para argalhar como ir devoltando os abusos sofridos, seu plano era atuar conjuntamente fora do Insti e ir vingando-se das camorristas uma a uma quando estiveram sozinhas polo bairro, dar-lhes uma boa tunda e ameaçar-lhes com dar-lhes mais se voltavam a ser assinaladas coma culpáveis diante da Diretora.

As táticas do primeiro grupo foram um total fracasso e aos poucos fora-se reduzindo o seu peculiar círculo de braços interligados entanto às do segundo grupo iam por bo caminho e acada dia eram mais as “Circulares” que se passavam ao 2º grupo tras realizar uma simple comparativa entre as efetividades duma e outra proposta.

E assim burla burlando chegamos ao final do trimestre e as feiras de Nadal. Os resultados académicos ainda foram piores de que em anos anteriores pois quem foram embebidas de autoridade andavam muito preocupadas em coma ejercer esta sua potestade coma para pôr-se a fincar seus cotovelos no estudo e às que antes quitavam boas notas tamém andavam mais imbuídas em safar dos abusos das camorristas e dos castigos da Diretora que de aprender lições novas de matemáticas, língua ou história.

A volta trouxo novidades na organização e direção do Insti. A Diretora, ainda no cargo, impulsou a criação duma Comissão Diretiva da que formariam parte não só o profissorado senão tamém representantes do alunado que seriam escolhidas dentre as mais votadas numa eleição convocada a tal efeito. No seu discurso de bem-vinda (de bem-volta milhor dito), convidou expressamente às “Circulares” a deixar-se de protestos nos recreios e apresentar-se aos comícios e passar assim a formar parte da diretiva para resolver milhor as situações problemáticas que poideram jurdir. Por suposto, as vigilantes tamém estavam convidadas a ser representantes e além manteriam seus privilégios de presunção de veracidade. Assim as coisas só iamos ficar fora as do 2º grupo, não por não ter sido convidadas a participar, senão porque acordáramos seguir resolvendo nossas lides fora da escola e da absurda justiça imposta pola Diretora.

A jornada eleitoral, da que passamos olímpicamente as do 2º grupo, deu coma resultado a eleição de 3 membros das “Circulares” e de 2 das macarras. As “Circulares” co galho de atrazer à votação as do nosso grupo e demais reticentes para acadar assim os 5 postos em jogo, colaram cartazes onde prometiam impulsar a derogação imediata do privilégio de presunção de veracidade das vigilantes coma primeiro ponto do dia na primeira juntança da nova Comissão Diretiva.

Chegara a data dessa primeira juntança e coma primeiro ponto do dia figurava a concessão dum gavinete com calefação central e vistas panorámicas ao monte à Vicedireitora de alunado, cargo a ocupar que sairia duma escolha entre as 5 representantes eleitas. Aos poucos dias o “Coletas”, um rapaz com muita soltura no seu falar, ocupava a cadeira reclinável do gavinete adjunto ao da Diretora, um amplo espaço que mesmo conta com banheiro privativo. As promesas eleitorais ficariam para mais adiante.

Assim as coisas caseque nada mudara dum trimestre a outro, voltou-se a dar uma expulsom injusta duma moça das do “Círculo” que nada figera e que fora acusada de dar uma couce num rififi com um dos vigilantes; mas quando alguém foi reclamar ao “Coletas” para que intervira no favor da rapaça, este nom figera rem que é o mesmo que nada. Mesmo justificara a sua inatividade dando a entender que a culpa é das do 2º Grupo que som todas umas violentas e que estám sempre em contra de tudo.

As vigilantes aproveitaram a circunstância favorável para exiger manter as suas prebendas intatas e na seguinte juntança da Comissão foi aprovada a sua demanda à par da concesão duma quantia económica para repartir entre as representantes do alunado e as vigilantes.

E assim aquela promesa, coma tantas outras, ficou para sempre no olvido.

O conto poderia seguir mas acho que toda boa entendedora sabe por onde vam os tiros.

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