Hoje 12 de outubro – “Dia de Resistência Anti Colonial, de Rebeldia Antirracista” x Daniela Ortiz.

Recolho (e traduzo) de Daniela Ortiz este seu texto publicado ontem na rede. Volto a recorrer a ela para ajudar a dar pulo a um texto que, quanto menos a mim, fai-me olhar desde umha outra vissom, dás de quem sofrem a opressom colonial e racista:

Hoje 12 de outubro venhem-me lembranças de fai 8 anos quando, umha companheira de turma na Faculdade de Artes da Universidade de Barcelona, maltratou-me em frente a dois professores e umha sala repleta durante a apresentaçom de meu trabalho quando contava algo sobre Guaman Poma de Ayala.

A.E, essas som seus iniciais, fitou-me com muito ódio, com muito desprezo, enquanto de sua boca saíam essas já muito repetidas palavras pola populaçom eurobranca, “isso passou fai 500 anos, eu nom tenho nada que ver em isso, nom entendo por que tens que falar cá da colonizaçom”, essas palavras que escutamos umha e outra vez para anular qualquer reclamo que tenhamos sobre um sistema colonial que se mantém em pé precisamente com celebraçons como o 12 de outubro como Festa Nacional. Lembro-me do vazio que senti nesse dia, da vergonha, da dúvida absoluta ante meu próprio trabalho, a vulnerabilidade, a impotência.

Hoje 12 de Outubro, Espanha, o povo e a gente de A.E celebram sua identidade com tanques, avions e bandeiras, com armas e com uma exposiçom no espaço público de todas essas ferramentas para dar morte que têm em seu poder. Hoje esses tanques, essas bandeiras e essas armas saem à rua para recordar-lhe a A.E que vam protege-la se ela nos humilha, fam saber aos servidores públicos da Oficina de Estrangeirismo que os defendem para poder nos arrancar os permissos de residência e entregar a nossos irmãos e irmãs ordenes de deportaçom, esses tanques demonstram-lhe à classe política que estarám aí custodiándo-los pára que poidam legislar na contramám da populaçom migrante e racializada. Os europeus, os espanhóis, os branquinhos nom som valentes, som umha sociedade de covardes com umha fragilidade emocional e mental incrível, é umha sociedade que precisa articular a celebraçom de sua identidade no seu poder colonial genocida para poder existir, umha sociedade obsessa com reivindicar em cada canto, em cada monumento, cada imagem do passaporte, cada escudo, em cada festa nacional, que eles tiveram e tenhem a capacidade de dar morte.

Apesar de suas merdas de tanques, de suas armas e seus avions, apesar de suas atitudes violentas e pedantes, apesar de seu desprezo para nossas ideias, nossos saberes, nossos corpos, nossas críticas, nossas roupas e nossas perguntas, apesar da constante posiçom à defensiva e ataque que tenhem conosco na oficina de extrangeria, nos meios, nas leis, nos debates, nas ruas, apesar de todos os orçamentos e plataformas que tenhem para construir esses discursos e pensamentos que perpetuam a ordem racista colonial, apesar de seus livros racistas para crianças, de seus Cola Cao e seus Conguitos, apesar de seus 500 anos seguidos de procurar todas as formulas possíveis para nos romper, apesar de todo isso queridos europeus e espanhóis râncios que celebram hoje 12 de Outubro sua Festa Nacional, cá estamos nós, bem paradas recordando, falando, fazendo e escrevendo sobre os desenhos feitos em 1610 por Guaman Poma de Ayala, sobre os pequenos almorços para as meninas das Panteras Negras, sobre o discurso de Patrice Lumumba, sobre a luita de Bartolina Siza, sobre o levantamento zapatista do EZLN, sobre as tranças de resistência de Micaela Bastidas, sobre o filho de Tupac Amaru morto em Lavapiés, sobre o Sindicato Popular de Vendedores Ambulantes, sobre a vida de Marsha P. Johnson, sobre a Intifada, sobre as palavras de Thomas Sankara, cá hoje, apesar de suas armas e seus tanques, muitas estamos a celebrar um dia de resistência anti colonial, um dia de rebeldia antirracista.

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