Eurocentristas que rim de Terraplanistas.

É claro que, além das siareiras da teoria (pode-se chamar assim a tal despropósito?) terraplanista, todas as outras pessoas -aquelas que crem conhecer nosso planeta e mesmo a disposiçom dos outros planetas, satélites e estrelas do nosso ceu- quando tenhem conhecemento de tal e da quantidade ingente de crentes desta estupidez, cada vez que ouvem tal disparate, escacham da risa e lançam argumentos abondosos e categóricos para desmontar tal absurda concepçom do Universo, que só pode provir de mentes perturbadas e profundamente antropocentristas e simplistas. Por suposto eu incluo-me entre tais; entre os que escachamos da risa -por se era preciso aclara-lo-.

Mas o que me impata de muitas destas gentes, que, coma mim, rim às cachiças com esta patética teoria, é como ponhem olhos como pratos quando alguém fai-lhes ver que os mapamundis que se divulgam desde há séculos e até nossos dias, na Europa ocidental, estám falseados a propósito para focalizar o interés vissual nesses expansionistas e imperialistas estados.

A Projeçom de Mercator

Apresentada por primeira vez em 1569, polo cosmógrafo e cartógrafo flamengo Gerhard Kramer (em latim: Gerardus Mercator) através de um grande planisfério que media 250 cm x 128 cm, esta projeçom distorça a forma dos objetos geográficos representados agrandando as dimensons assim que te achegas ao polos e transmitindo, deste jeito, uma imagem irreal da geometria do planeta Terra que magnífica as terras do Hemisfério Norte (muito mais abondosas que no Sul) e que ubica no centro do mapa a Europa oceánica, em concreto, ás naçons mais imperialistas da época. É tal a distorçom que, por pôr só algum exemplo, a Groenlândia parece ter quase o mesmo tamanho que toda América do Sul ou África, embora na realidade esta terra gelada seja oito vezes menor que a primeira e catorze que a segunda.


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Os 101 do “CSO Aturuxo” e George Orwell

Já rematadas minhas feiras, volto á rutina. Durante elas, além de festas e reunions entre boas amizades, tirei da leitura para meus gozos individuais e individualistas. Um desses livros que relim foi 1984, de George Orwell.

Por casualidade ou causalidade da vida, fiquei perplejo com uma pasagem do livro, um detalhe quase banal que se me meteu no mais profundo dos meus miolos e que, se bem até entom nom tinha retido na minha precária memôria de quase sesentom fumeta e olvidadiço, acho que agora ocupa um espaço inesquecível para mim:

O Quarto 101 !!!
Local de tortura do Ministério do Amor, onde determinados elementos indesejáveis ao estado totalitário da narrativa som torturados, sendo expostos ao seu maior pesadelo, medo ou fobia, com tudo aquilo a que têm maior aversom. Cada vítima pode evitar a aplicaçom real da tortura só traindo os últimos vínculos humanos que lhe fiquem e admitindo a supremacia do partido e do estado. No Quarto 101, este tipo de tortura sempre da resultado e está destinado a quebrar a vontade das sua vítimas.

E como nom podia ser doutro jeito, e pese a que eu nom assitira ao convite, a leitura dessa passagem levou-me a certos acontecementos recéns numa okupa compostelá, onde PRECISAMENTE 101 HOMES figuravamos retratados num quarto e onde muitos dos assistentes sofreram o maior pesadelo que poideram aguardar; entanto outros, alguns, como se já caresceram de vontade própria, admitiam suas culpas sem saber qual fora seu crime.

E assim, uma vez mais, a sublenda do meu programa na rádio Kalimera, Comochoconto, cumpriu-se: “Tudo parecido coa coincidência é pura realidade” .

Vala esta entrada como desfogue a tantas e tantas horas de continum tema durante minhas feiras, que me levaram mesmo a nom assitir a certos eventos aos que nom soia falhar para nom ter que aturar mais conversas sobre o tema.

 

Pelo de raposa ecológico e sostível !!! Moda para elite especista.

A traves duma dessas chamadas rede de redes, tivem conhecemento de que uma tal Rosalía -que se adica a cantar e a quem os médias e a industria discográfica elevaram ao estrelato em tempo recorde- gosta muito dos abrigos feitos com este pelo de raposa e que tem vários de diferentes cores.

Ás suas sireiras nom parece preocupar-lhe tal circunstância e mesmo estám dispostas a defender a ultrança os extravagantes lujos da tal Rosalía e negar pola tremenda que a tal cantante leve enriba sua a pel dum animal morto para que ela luza. Desde quem nega que o pelo seja NATURAL, até quem defende que o pelo de raposa está obtido de maneira SOSTÍVEL e ECOLÓGICO!!

Esto último soa incrível, por nom dizer estúpido: mas se imos a informaçom da empresa Saks Potts, que vende tais artigos de lujo, resulta que é o que di!!!.
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Por um feminismo inclusivo, plural e diverso. Recolhida de assinaturas promovida por XEGA em denúncia do acontecido na “Escuela Rosario Acuña” de Xixom

XEGA, asociaçom asturiana de lesbianas, gais, transexuais e bisexuales, é uma associaçom nom governamental, aconfesional, apartidista e sem finalidades lucrativas, de caráter social e cultural, que pretende o reconhecemento social e jurídico do direito de todas as pessoas a viver de acordo com a sua orientaçom sexual e identidade de género, sem que ésta nem suas manifestaçons poidam ser reprimidas ou coartadas por qualquer forma; e para elo propugna a eliminaçom de todas as normas e costumes, tanto jurídicas como sociais, que contribuem á discriminaçom cara as pessoas de orientaçom homosexual ou bisexual e identidade transexual o transgénero.

Tras as duas entradas anteriores nesta minha bitácora, que publiquei ontem mesmo, ao respeito desta polémica; sego a dar pulo ao que me vai chegando ao respeito. Venho de saber que as pessoas envolvidas em XEGA, diante das palavras vomintadas por várias palestrantes na “Escuela Rosario Acuña” celebrada em Xixom do 3 ao 5 de Julho, denunciam o conteúdo da mesma e procedem a uma recolhida de assinaturas (clicade acá) dirigida tanto a pessoas a jeito individual como a entidades e coletivos, baixo estes epígrafes:

É de lamentar a falha de respeito num espaço de reflexom e debate da entidade da “Escuela Rosario Acuña”, imprópria da qualidade das palestrantes e desnecessária para o pretendido debate sobre os envolvimentos da prática feminista.
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Irmãs trans, obrigada por fazer-me melhor feminista x Patricia Simón

Patricia Simón, reporteira trans-fronteiriça especializada em direitos humanos e enfoque de género, escreveu ontem mesmo este seu texto no site de La Marea em resposta aos discursos exteriotrizados por supostas feministas durante suas ponéncias no foro Política feminista, libertades e identidades, do que falei na minha anteiror entrada desta minha bitácora. Cópio (traduzo) e colo (respeitando suas negrinhas):

   Sylvia Rae Rivera e Marsha P. Johnson, cofundadoras de STAR ( Street Transvestite Action Revolutionaries)

As mulheres trans som as mais esmagadas polo patriarcado precisamente porque som as que mais desafiam sua misoginia ao lutar contra vento e maré por ser o que som realmente: mulheres. Por isso, elas serám sempre minhas primeiras colegas e irmãs como feminista.

Feminismo é a radical defesa da igualdade de direitos de todos os seres humanos. Feminismo é eleger estar do lado e ao serviço da luta das mais apaleadas, discrimi­nadas, violadas, assassinadas e ninguneadas pelo patriarcado, o capitalismo, o clasismo e o racismo. Porque esses som nossos inimigos como feministas. Em consequência, minhas colegas de viagem elegidas som as mulheres trans –as mais desprezadas polos misóginos–, as mulheres migradas e racializadas –a mão de obra mais esclavizada polos racistas–, as mulheres lesbianas e bisexuais –as consideradas suspeitas por quase todos e que, por isso, inclusive sofrem violaçons corretivas em numerosos países–, e as mulheres empobrecidas, porque sobre suas costas recaim todas nossos privilégios. E todas aquelas mulheres e homens que ousem ataca-las som, por tanto, os inimigos do feminismo. Porque quando estas pessoas dirigem seu ódio contra as mulheres em situaçons mais precárias e vulneráveis, se convertem em depredadores, encarnam o Sistema a abolir.

Muitas das feministas jovens que estávamos em desacordo com algumas das que nestes dias têm proferido insultos contra as mulheres trans –“E digo tios porque som tios” ou “Há muitos problemas com isto do género que se substância com um bom conhecimento da moda”, têm dito entre burlas e gestos chabacanos num congresso feminista– levávamos anos guardando silêncio ante sua soberba, prepotencia e cesarismo por respeito a suas contribuiçons no passado à luta feminista. Inclusive, como em meu caso, quando deram a ordem à pessoa que dava os turnos de perguntas num de seus encontros de nom ma voltar a dar após que lhes perguntasse por que, se tanto se importavam com as vítimas de trata, apoiavam a um governo –naquele momento, o de Zapatero– que sustentava políticas de extrangeiria que forçava às mulheres africanas a migrar mediante as redes de trata; ou quando gente desses círculos pediu o boicote aos meios que nos publicaram artigos nos que analisamos as diferenças entre a trata com fins de exploraçom sexual e a prostituiçom. Calamos por respeito a nossas maiores, por deferencia, por educaçom. Mas até aqui.
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[Vídeo] Denúnciam Transfobia Manifesta das ponentes e assistentes numas Jornadas sobre Feminismo.

Reproduz (traduzido) do Colectivo de Prostitutas de Sevilla, seu texto de denúncia ao respeito das opinions verquidas por várias ponentes durante as jornadas celebradas em Xixom em 3, 4 e 5 de julho na XVI Escuela Feminista Rosario Acuña: Política feminista, libertades e identidades. Ponentes ás que, algumas outras mulheres, nom duvidam em enquadrar dentre do que se chamam as “TERF” ( acrónimo em inglês de Feminismo Radical Trans Excluinte)

Se bem eu quero incluir a curiosa coincidência (já no meu programa Comochoconto da Kalimera tinha como nota: “Tudo parecido coa coincidência é pura realidade”) de que uma das ponentes (ás que nom fam referência em particular as compas sevilhanas) é Anna Prats (essa que ri até escachar da risa no vídeo adjunto no seu minuto 1), que foi a primeira mulher em dar pulo (e traduzir ao castelám) á Declaraçom de Guerra das “Aturuxas” e tamém seu posterior Comunicado “Justiça pola mão”. Agora entendo porque algumas das mulheres implicadas nos altercados do Aturuxo colaram um seu vídeo (que já retiraram das redes) no que amossavam seus dedos meios erguidos quando publicaram seu Comunicado. (ver foto)

Colo acá o texto das compas sevillanas:

“Levamos tempo assistindo a uma normalizaçom do discurso de ódio cara as pessoas trans, cara seu legítimo (e reconhecido) direito à identidade, e o pior é que há um sector dentro do feminismo que já nom agocha sua rejeiçom às pessoas trans. E já é hora de terminar com esta espiral de silêncio que só leva a que se continue inoculando este discurso de ódio a maior velocidade.

Tudo isto nom é nem mais nem menos que transfobia financiada com o dinheiro público de todos os xixoneses e xixonesas. Transfobia revestida de debate, de livre pensamento, mas transfobia afinal de contas.

A mesma transfobia, o mesmo discurso que já se passeara polas ruas aquele autocarro da infâmia dos ultracatólicos de “Hazte Oir”. Neste caso, Valcárcel falou-nos de sexadores de polos e de menarquias, e Álvarez cita-nos a Adichie para dizer-nos exactamente o mesmo que “Hazte Oir”, que os meninos têm pene e que as meninas têm vulva“. Continuar lendo