DECONSTRUÇOM? x Compas Anarquistas de Rosario (Argentina)

“A teoria da deconstruçom, supom que existem identidades ou determinaçons das quais poderiamos desprender-nos por simple vontade, coma se estas fossem uma eleiçom e nom estiveram definidas por um processo de centos de anos e milhons de pessoas”.
Colo (e traduzo mantendo as negrinhas) este texto que saiu publicado no Boletín La Oveja Negra N°62, Abril-Mayo 2019. Año 8 editado polas compas anarquistas da Biblioteca y Archivo Histórico-Social “Alberto Ghiraldo”:

Cada vez mais, em certos âmbitos anarquistas, feministas, militantes ou de luita em geral, ecoa o conceito de deconstruçom. Para muitas parecera um elemento ineludível e necessário, o caminho cara a um grão de maior consciência e posta em prática efetiva, que se alguma vez chegara a geralizar-se faria possível uma mudança social real. Propõe-lho como uma espécie de autoanálise e de toma de consciência de privilégios, que dependeriam e responderiam a uma série de “interseccionalidades” (sexo, gênero, idade, raza, classe, etc.) que definem a identidade de cada indivídua diferenciándoas das demais e levándoas a reproduzir comportamentos e posiçons de poder ou subordinaçom em relaçom a outras indivíduas. É assim que uma pessoa em processo de deconstruçom seria aquela que está ponhendo em questom os seus “privilégios” e cambiando a sua forma de comportar-se e relacionar-se, tentando nom reproduzir certas formas, lógicas, comportamentos… de nom oprimir coa sua existência a outras pessoas.

Agora bem, esta ideia de que, dalguma maneira, todas seriamos ao mesmo tempo opressoras e oprimidas já que por todos lados há relaçons de poder e é impossível escapar delas, moi simpática deve cair-lhe a quem se atopa nas altas posiçons de Poder.
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QUANDO o PROBLEMA é a OBEDIÊNCIA CIVIL…

Estivem escutando ontem as declaraçons das pessoas julgadas polo PROCÉS Catalám. De tudo quanto escuitei fico com estas GRANDES PALAVRAS do Jordi Cuixart, que recolhe o sentido da frase que, o pensador, historiador, escritor e ativista libertário Howard Zinn (Brooklyn 1922- Santa Mónica 2010) – quem até o final de seus dias seguiu coa sua inesgotável luita polos direitos civis- deitou para a história da humanidade tras pronuncia-la num seu discurso brilhante em Baltimore nos anos 60: “O problema nom é a desobediência civil, senom a obediência civil”.
Replico acá as palavras do Jordi Cuixart, ontem na Sala do Tribunal Supremo:
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“Degeneraçons. Entre o orgulho e o vitimismo de gênero” x Anna Beniamino (presa anarquista italiana)

A compa, junto a tamém presa anarquista Silvia Ruggeri, fam hoje 14 dias em greve de fame na prisom feminina de L’Aquila (*) numa seçom de máxima seguridade (mais bem de máximo control policial e de nula atividade para elas) onde só podem ver-se durante 1 hora; seu protesto é para exiger um câmbio ao regime ordinário. Anna fora detida em 6 de setembro de 2016 na Operaçom “Scripta Manent” e foi condenada a 17 anos.

O seguinte texto é uma sua reflexom escrita no cárcere romano de Rebibbia em outubro do ano passado e que saiu publicada no nº 3 do jornal anarquista Vetriolo de inverno de 2019. Aproveito para agradecer acá a traduçom do texto original em italiano feita por uma boa amiga:

Sou anarquista, nom sou feminista porque percebo o feminismo como um retrocesso seitorial e vitimista, nunca discriminei por razons de gênero a pesar de que nom uso convençons lingüísticas com perspectiva de gênero, é mais, a miúdo uso uma linguagem suja e politicamente incorreta. Sostenho que na procura da anarquia, é dizer na prática de relaçons antiautoritárias, ácha-se já contida e dévem-se cultivar, a anulaçom de privilégios e opresons de gênero. Ah, esquecia-lo, detesto a autocondescendência em espaços públicos e mesmo considero as assembleias uma ferramenta ineficaz. Entendo e tenho a vontade de compartir, pero vejo como, demasiado a miúdo, as assembleias caim na autorrepresentaçom estéril. Nestes dias parece que tenhamos que começar cum preámbulo semelhante para entrar no labirinto dos lugares comuns sobre gênero ou feminismo, desenvolvéndo-nos na tam intrincada incapacidade de se relacionar da galáxia anarquista, cuma gama de comportamentos que vam desde a hipermotividade até o burocrático cálculo da posiçom para assumir ( e do grao de compromiso negociável) numa loita. Nom crio que os comportamentos autoritários e sexistas combátam-se tratando de difundir novas convençons lingüísticas requentadas numa salsa alternativa com restos de retórica indignada mainstream (entre #nemumamenos, contadores de feminicidios na TV, orgulho, sapatilhas rosas e bandeiras do arco da velha).

Mais bem, deveriamos reconhecelos como índices da enésima operaçom de deconstruçom do sinificado real e de recuperaçom em curso. Noutras palavras, crendo oponher-nos, de feito estámo-nos adaptando aos mesmos códigos de comportamento e normas outorgados polo poder, como respiradeiros das tensons.
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Quando a fiscalia do Estado di que a violência ejercida no Golpe de Tejero “limitou-se a umas cambadelas ou empurrons”. Quem pode assegurar que vivemos numa democracia?

Eu tenho idade abondo para lembrar á perfeiçom aquele aciago dia (e muito mais a noite) daquele 23-F do ano 1981. Era meu primeiro ano (curso) em Compostela e na altura figera moi boas amizades com um feixe de gente que militava em partidos da extrema esquerda (jeito de denominar aos partidos que nom foram legalizados até depois das mal chamadas primeiras eleiçons democráticas, que se perfilaram para que o PCE de Carrillo assumira a monarquia e nom tivera nenhuma oposiçom legal á sua esquerda) e no anarquismo.

Muitas das minhas novas amizades fugiram atemorizadas cruzando a raia; outras ocultáram-se em casas de gente nom fichada pola polícia do regime franquista (que nunca foi depurada) e eu passei a noite sem pegar olho porque na altura compartia vivenda com um dos meus milhores amigos que me atopei na vida e dava-se a circunstância de que seu irmão (militante da LCR) estava fazendo a mili no quartel de Valência que, ao mando do fascista general Miláns del Bosch quitara os carros de combate a transitar polas ruas desta cidade levantina.

Meu colega nom poidera durmir pensando em que seu irmão ia ser quem de desertar e poderia ser ajusticiado. Só quando pola rádio asseguraram que estava rematado o intento de Golpe de Estado, fumos quem de conciliar o sonho, mais pola tensom e o cansanço acumulado que por sentir-nos aliviados pois ainda nos temiamos que nom rematara a assonada militar (tampouco nunca sofreram depuraçom alguma nem picolos nem militares).
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É um trapo!! Sobre o gesto impulsivo do alcaide do PP limpando sua roupa com a bandeira despaña

Vox quiger tirar rédito eleitoral do simplom gesto de Jaime Ramos quando há uns dias, em plena campanha eleitoral das municipais, “repiara” na sua conta duma RRSS o vídeo onde vê-se a este home, quem por entom era alcaide de Talavera de la Reina, presuntamente limpando da sua manga uma cagarruta de pomba com a bandeira bicolor d’España, dantes de colgala do mastro do maiordomo que abre o desfile da “Fiesta de las Mondas” celebrada nessa localidade toledana no passado mês de abril, momenmto no que foram captadas as seguintes imagens que se figeram virais nas RRSS e nos medios audiovissuais:

O mais gracioso do assunto é que o ato do alcaide recebera numerosas críticas nas RRSS, o que deu lugar á comparecência do próprio Ramos num outro vídeo no que dá conta do sucedido, pede perdom a quem poidera ter molestado seu gesto, que achaca a um ato reflejo para quitar-se da manga uma simple pelucinha e, negando que se tratara de excrementos de pomba, pede que se jogue “limpo” (“coma mim”, faltou-lhe dizer) e por suposto deitou bem clarinho “Mi absoluto respeto por la bandera de España”:
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Diante a terrível morte de Verónica.- “Nós, as putas” x Gemma Almagro, Poeta de Trincheira

Ando revolto estes dias com o tratamento mediático sobre as circusntâncias do suicídio assistido de Verónica.

Por suposto concordo com as múltiples opinions que criticam a atitude da maioria de seus companheiros de trabalho (e algumas companheiras que tudo há que dize-lo) ao nom denunciar, nem frenar e mesmo potenciar e ajudar a difundir o vídeo de contido sexual da sua companheira de trabalho; e coincido em que é um caso grave de machismo consequência da sociedade patriarcal na que nos movemos. Mas nom só, senom que tamém é um caso ilustrativo da sociedade puritana na que nos vemos imersas, da hipocrasia social que quantifica tudo ato sexual como algo perverso, malvado, escándaloso, pecaminoso e mesmo um delito se se realiza num espaço público. Um caso mais que evidente de que o Sexo segue sendo um Tabú na nossa sociedade.

É assim como, o que sem dúvida é, o ato mais sublime e gozoso da espécie humana segue a estar considerado socialmente como algo moi sujo que todas temos que agochar aos olhos das demais; situaçom refletida tamém nas estúpidas censuras das imagens dos peitos de mulheres lactantes nas Redes Sociais ou nas campanhas escolares de alertas policiais diante de tudo quanto tem consideraçom de ato sexual e por suposto o pápel das diferentes igrejas e religions que seguem a considerar o sexo como algo a tapar-se e a negar-se.

E inda mais!!…, pois no imaginário social do machismo fica essa ideia fixa de que se uma mulher disfruta de seu sexo é que algo tem de puta, e que nom atenderam nem ouviram bem os típicos imperativos paternais quando meninhas: “Nena, nom te toques ai”.
Como eu nom som mulher, volto a recolher (e traduzir) um texto da rede autoria de Gemma Almagro, poeta de trincheira (na foto), que publicou hoje mesmo no seu blogue este seu poema “Nosotras, las putas” Continuar lendo