[Curdistám] Efrîn segue em Luita!! Utopia Interrompida e Listagem de Sites com as últimas novidades

Onde está o movimento contra a guerra?

Protesto solidário no Portugal

Denantes de nada e prévio a colar (traduzido) o artigo Utopia Interrompida, autoria da ativista do movimento de mulheres curdas, Dilar Dirik (*), para New Internationalist , recomendo a todas aquelas pessoas interesadas num seguimento case imediato do que lá está acontecer (analisado desde uma perspectiva anticapitalista) recomendo o seguimento dos seguintes sites em línguas latinas:
Rojava no está sola (site Anarquista em castelám)
Rojava Azadí (site do coletivo solidário de carater assembleário, plural e aberto, em castelám)
KurdisCat (site do Comitè Català de Solidaritat amb el Kurdistan, em catalám)
IndymediaPortugal ( onde recolhem o publicado por Guilhotina.Info no seu muro duma rede social, em português padrom)

Neles podedes fazer um seguimento desta Operaçom Terrorista turca sobre os territórios do Curdistám Sírio. Destaco além, o feito de que todos os veículos e as armas de guerra usadas polo exército turco na sua invasiom som de fabricaçom alemana, o que confirma a necessária colabouraçom da OTAN (organizaçom militar á que pertencem Alemanha, Turquia e mais Espanha) nesta massacre dum povo que segue a loitar pola sua dignidade e seu direito inaleniável a autodeterminaçom.

Utopia interrompida: assalto de Turquia ao cantom curdo de Efrîn

O que hoje está em jogo em Êfrin é o futuro duma coexistência democrática e multicultural alternativa para a sociedade e a política de Oriente Médio

                     Protesto contra a invasom de Turquia baixo a mirada dos combatentes das YPG

O 20 de janeiro, o Estado turco e as tropas proturcas do Exército Livre Sírio ( FSA) lançaram uma operaçom militar trans-fronteiriça na regiom de maioria curda de Efrîn, no noroeste de Síria. A invasom de outro país é uma flagrante violaçom da lei internacional e produz-se com escassa análise, ainda que a comunidade internacional mantém-se observando. Ademais, esta declaraçom de guerra constitui uma atrocidade contra as mesmas pessoas que se mantiveram em primeira linha na luita contra o fascismo de ISIS, ao mesmo tempo em que construíam um refúgio democrático, secular e de igualdade de género para todas as comunidades no meio da guerra.

Estados Unidos e seus aliados têm aprovado tacitamente a operaçom, alegando que Turquia tem direito a defender suas fronteiras e soberania nacional. Ao mesmo tempo, Rússia aceitou deliberadamente o assalto ao permitir que Turquia utilizasse o espaço aéreo baixo controle russo, após que se recusasse sua oferta de entregar a administraçom de Efrîn ao regime de Assad.

Os mesmos poderes que nom têm conseguido organizar conversas de paz para Síria nos últimos sete anos, aparentemente podem actuar de comum acordo quando se trata da exclusom de uma política democrática alternativa e a favor da satisfaçom do interesse do segundo exército maior da OTAN -Turquia-, independentemente da completa indiferença deste último inclusive às preocupaçons geopolíticas de seus próprios sócios. Os mesmos Estados, numa coalizom conjunta anti- ISIS, nom só utilizaram aos curdos como ‘forças de confiança no terreno’, senom que tamém têm elegido permanecer passivos ante a evidência incriminatoria do apoio turco a outras forças reaccionarias como ISIS. Esta atitude expom a hipocrisia dos atores internacionais cujas políticas têm contribuído ativamente à escalada das guerras em Oriente Médio a favor de seus próprios interesses.

Enquanto os combatentes pró Erdogan do FSA e os soldados turcos tentam estabelecer uma “zona segura” para defender Turquia do terrorismo, o aparelho propagandístico do Estado engloba às forças curdas nativas e os assassinos violadores de ISIS na mesma categoria, afirmando que luita contra ambos, ainda que ISIS nem sequer tem presença em Efrîn. No entanto, inclusive se isso fosse verdadeiro, Turquia nom se molestou durante anos, quando ISIS controlava as crucifixons e os mercados de escravos sexuais existentes junto a sua fronteira com Síria.

Combatente curda das YPG

Ainda que vários governos ocidentais, incluído o ex vice-presidente estadounidense Joe Biden da administraçom Obama, criticaram o papel de Turquia por contribuir ao aumento da violência jihadista em Síria através de meios políticos, financeiros e logísticos -incluído o chamado Estado Islâmico-, a importância estratégica de Turquia como membro da OTAN para as empresas regionais era demasiado alto como para se arriscar. Como agora se sabe, Turquia tem sido a principal fonte de fornecimentos e viagens para assassinos jihadistas de todo mundo. Dúzias de membros do Estado Islâmico têm sido absolvidos de cargos em Turquia, enquanto activistas pacíficos contra a guerra e dissidentes do regime de Erdogan têm recebido longas condenas depois de ser acusadas ​​de delitos penais incríveis, algumas inclusive por se expressar nas redes sociais.

Milhares de pessoas em Efrîn e outras partes do norte de Síria e o Curdistám em geral têm tomado as ruas para protestar pola invasom turca, que vêem como uma traiçom histórica de todos os Estados que os apoiaram em sua histórica luita contra o ISIS. A gente comum de Rojava levantou-se em armas e tem feito um voto para defender-se dos ataques turcos, do mesmo modo que se mobilizaram contra ISIS e os ataques de outros contra civis.

Assalto a um projecto liberador e democrático

Desde que começou a guerra em Síria em 2011, Efrîn tem estado entre as áreas mais seguras deste devastado país. Negando-se a seguir as regras do regime de Assad nem do Exército Livre Sírio e os grupos de oposiçom sírios controlados polas forças regionais, a maioria da área curda no noroeste do país tem estado estabelecendo suas estruturas autónomas de autogoverno democrático de base desde 2012, e na atualidade acolhe a centos de milhares de deslocadas internas de Síria. Conquanto sua luta militar contra o ISIS tem recebido apoio táctico de forças externas, especialmente dos EE.UU., nenhuma garantia política acompanhou a tais colaboraçons temporárias e, por tanto, fai muito tempo que se tinha previsto esta traiçom histórica ao povo curdo depois da derrota de ISIS.

Quando os conselhos e comunas autónomos de Efrîn decidiram se organizar como cantom anexo a um sistema de autonomia democrática em 2014, eles, junto com os cantones de Kobane e Jazeera, declararam “um sistema político e uma administraçom civil fundados num contrato social que concilie o rico mosaico de Síria através de uma fase de transiçom desde a ditadura, a guerra civil e a destruiçom, até uma nova sociedade democrática onde se preservem a vida cívica e a justiça social”. Hoje, Efrîn é parte da Federaçom Democrática do Norte de Síria, que estabelece um sistema secular de autogoverno federal com um compromisso com a democracia radical, a ecologia e a libertaçom das mulheres para todas as pessoas que habitam esta regiom, sejam estas curdas, árabes, turcomanas, siriacas- caldeas, asirias, chechenas e/ou armenias. Isto é especialmente significativo quando Erdogan defende uma doutrina de supremacía nacionalista e utiliza a linguagem da limpeza étnica ao distorcer a demografía do norte de Síria e declara “devolver Efrîn a seus legítimos proprietários”, fazendo-se eco das políticas racistas do seu partido Baath que se remontam à década de 1960.

Nos últimos anos, especialmente desde a histórica batalha pola cidade de Kobane em 2014, a política emancipadora do norte de Síria -que o povo curdo chama Rojava- tem sido um faro de esperança numa regiom destruída pola guerra, o caos e o derramamiento de sangue. As mulheres têm tomado a dianteira em todas as esferas da sociedade e estabelecem uma representaçom equitativa nas estruturas de governo através de quotas e princípios de copresidencia de 50%, junto com um movimento de libertaçom popular em massa e radical de mulheres por médio de unidades de autodefensa, comunas e assembleias autónomas, academias e cooperativas económicas.

Esta consciência política emancipadora foi a força motriz depois da resistência curda em Kobane; o que motivou à administraçom Obama a cooperar com as forças YPG/YPJ e as forças multiétnicas sírias formadas posteriormente como seus sócios sobre o terreno na luita contra ISIS. As posiçons ideológicas opostas deixaram claro que nenhuma das partes poderia trabalhar com a outra para além da cooperaçom militar contra este inimigo comum. O que está em jogo em Efrîn hoje também é o futuro de uma proposta de coexistencia democrática e multicultural para a sociedade e a política de Oriente Médio.

O ataque a Efrîn só aumentará o autoritarismo de Erdogan

Como sabem os observadores da guerra de Erdogan contra o povo curdo, o atual ataque contra Efrîn deve situar-se no contexto da hostilidade racista de longa percorrido de Turquia para qualquer perspectiva de autodeterminaçom curda, incluídos os direitos democráticos dentro dos Estados existentes. Ao qualificar qualquer tentativa de autodeterminaçom de “separatismo” e “terrorismo”, Turquia tenta legitimar seus crimes de guerra aos olhos da comunidade internacional.

Desde que o processo de paz entre o Estado turco e o Partido dos Trabalhadores do Kurdistán (PKK) rompeu-se no verão de 2015, e especialmente após a tentativa frustrada de Golpe de Estado em julho de 2016, o Estado turco tem cometido vários massacres contra pessoas civis curdas, enquanto dezenas de milhares têm sido presas, e muitas mais atacadas, saqueadas, feridas ou deslocadas.

Uma outra combatente curda das YPG

Os co-presidentes do Partido Democrático dos Povos (HDP), deputados legalmente eleitos, membros do partido e prefeitos estám hoje em prisom desde 2016, alguns deles ainda sem cargos. Centos de jornalistas encontram-se nos cárceres turcos, o que, segundo Jornalistas sem Fronteiras, converte ao país em ‘a prisom maior do mundo para o pessoal de meios de comunicaçom’. Para perto de 150.000 servidoras públicas têm sido despedidas, mais de 100.000 civis foram detidas, 50.000 presas desde a frustrada tentativa de Golpe de Estado de julho de 2016. Mais de 8.000 académicas têm perdido seus trabalhos. Enquanto alguns têm sido acusadas ​​de atividade golpista, a repressom contra as académicas tem se desenvolvido especialmente após que 1.000 delas assinassem uma petiçom instando ao Estado a deter sua guerra contra as curdas e regressar ao processo de paz. Advogadas, defensoras dos direitos das mulheres, ativistas comunitárias e outras dissidentes estám entre as milhares de pessoas encarceradas baixo cargos de terrorismo.

Enquanto todo o país tem ficado baixo ‘estado de emergência’ desde a tentativa frustrada de Golpe de Estado de 2016, as regions curdas se têm militarizado a cada vez mais e têm recebido tratamento extrajudicial baixo a lei marcial, legitimando a limpeza étnica, o assassinato indiscriminado e a destruiçom sistémica de assentamentos inteiros. Segundo um relatório do Escritório do Alto Comisionado das Naçons Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), entre 355.000 e meio milhom de civis curdas têm sido deslocadas pola força, enquanto o exército turco tem assassinado a centos delas. Estas cifras seguem sendo conservadoras, já que as autoridades nom permitiram à delegaçom um acesso adequado às regions afetadas. O relatório descreve à cidade submetida ao toque de queda com termos como ‘apocalíptico’.

A caça de bruxas de hoje contra quem opõem-se à guerra faz-se eco das políticas dos últimos anos. O governo turco anunciou uma “Operaçom de meios sociais” para procurar e acusar ás usuárias de redes sociais que expressassem seu desacordo com a guerra. Os programas de televisom criticam e apontam a celebridades que nom respaldam esta guerra ilegal. Na atualidade, há centos de pessoas presas por falar em nome da paz.

Onde está o movimento contra a guerra?

Como deve ficar claro pola natureza da operaçom de Turquia e a cumplicidade dos poderes envolvidos na guerra, mediante a aprovaçom tácita ou direita ou a través do comércio de armas, os ataques contra Efrîn constituem uma aliança militar internacional contra um povo democrático, multiétnico e multirreligioso, onde se luita de maneira ativa pola libertaçom das mulheres, o que, de feito, se institucionaliza em todas as esferas da sociedade. Numa regiom plagada de nacionalismo, extremismo religioso e violência sectaria, alimentada por um grupo genocida como ISIS, Efrîn tem sido refúgio de jezidis, cristás, alevías e muçulmanas de todas as origens étnicas. Para que se estabelecesse este sistema, milhares de pessoas no norte de Síria se sacrificaram e seguem arriscando suas vidas. Para as que nom querem entregar o destino duma regiom inteira a regimes ditatoriais e explotadores imperialistas, é crucial mobilizar uma frente comum contra esta guerra internacional contra um destino alternativo para Oriente Médio, livre de morte e caos.

Ao igual que durante o assédio de Kobane em 2014, centos de milhares de pessoas têm saído às ruas de todo mundo desde o início do ataque a Efrîn. Entre as pessoas que têm estado ocupando ruas, estaçons de comboio, aeroportos, praças públicas e autopistas em toda Europa para protestar polos ataques turcos contra Efrîn na atualidade, há milhares de refugiadas que têm fugido de Síria e Iraque da guerra e a destruiçom. Hoje manifestam-se contra o feito de que sejam esses mesmos governos, que se descrevem a si mesmos como defensores dos direitos humanos, os que proporcionam apoio político ou militar a estados antidemocráticos e abertamente fascistas em Oriente Médio, um ato que só fortalece ainda mais a mão de poderes como ISIS, que tem sido a razom pola que a gente tem fugido de seus lares. Mas entre as centos de milhares de manifestantes também há antigas refugiadas curdas que fugiram das guerras patrocinadas polo comércio de armas nas últimas décadas. Ao igual que Turquia usava tanques alemans para destruir 5.000 povos curdos na década de 1990, para cometer massacres civis e deslocar populaçons inteiras e, ao igual que o Iraque de Saddam Hussein usava substâncias químicas proporcionadas polos Estados europeus para cometer genocídio contra o povo curdo, hoje som tanques Leopard alemáns os que estám a ser utilizados numa invasom trans-fronteiriça que viola o direito internacional. A comunidade curda vê repetir-se a história de cumplicidade dos governos ocidentais na morte de milhons de pessoas civis.

O ataque a Efrîn é um desses poucos casos em que as potências mais influentes do mundo se unem numa frente comum para atacar ás nativas duma regiom e sua tentativa de organizar suas próprias vidas com dignidade, justiça e liberdade. Deveria ser uma preocupaçom ética fundamental para todas aquelas que se opõem à guerra e ao militarismo fazer frente aos crimes de Turquia.

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(*) Dilar Dirik é uma activista do movimento de mulheres curdas. Escreve para uma audiência internacional sobre as luitas pola liberdade do Curdistám e na atualidade está a terminar seu doutorado no Departamento de Sociologia da Universidade de Cambridge.

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