[$hile] Crónica sobre a “Primeira Linha” das manifestaçons: Uma batalha de Davide contra Golias x Camilo Cáceres

Colo (e traduzo) de theclinic.cl

Ramón Corvalán Melgarejo é um nome que nom lhe soa à maioria das chilenas, menos às pessoas que circulam pola Praça Itália, no entanto é um nome que se repete no ponto  neurálgico da epidemia que estraga ao país: a cegueira. Os agentes de polícia estatais disparam chumbo miúdo desde a esquina de Carabineros de Chile com Ramón Corvalán, manifestantes fojem, algumas estám feridas, outras cobrem seus corpos com “escudos”. É a açom da primeira linha.

“Uuu- uhhh- uuu – uhhh” a arenga limita-se a uma vogal repetida guturalmente por todas as participantes da cárrega que se aproxima ao piquete policial. Imitam o som símio, procurando uma violência primitiva que as irmana para obter mais que vitórias simbólicas, estám cansas de ser o único bando que lamenta baixas. Movem-se o mais próximas ao cham que podem, chamam aos escudos para que improvisem um muro que as proteja enquanto lançam rochas,  pavimento, bolas, garrafas e todo quanto tenham a mão. A distância é um factor determinante do ataque, uma limitaçom que superam com armamento improvisado que nom se tinha visto em manifestaçons anteriores. Ou ao menos nom a este nível, onde abundam as fundas elásticas, tira-coios, ponteiros lasers.

Ao outro lado, tras seus escudos transparentes, ataviados com armaduras, carabineiros preparam sua arremetida com tiros de até 150 metros de alcance, gases lacrimôgenos e carros lança água. É uma batalha de Davide contra Golias. Davide reagrupa-se e tem o apoio cidadá,  Golias procura a paz armada.

“Va la mecha” diz um dos encarapuchados que tem a garrafa com o cocktail molotov em seu interior, enquanto outro acende a teia impregnada de combustível. A seu carom repete-se a viva voz “mecha, mecha” para que as combatentes que circundam ao incendiário fagam-lhe espaço para maniobrar a arma mais poderosa do arsenal rebelde. Usando toda a amplitude do seu movimento do braço, o carapucha impulsiona a garrafa que surca o céu até que cai aos pés das forças especiais e um berro de júbilo percorre a multitude, enquanto a primeira linha achega-se de novo aos agentes para reduzir a distância e pôr aos uniformizados “a tiro de pedra”.

Este é um conceito fundamental de divergência na batalha: a tiro de pedra. O alcance das muniçons propulsadas por braços limita-se a uns 30 metros no caso dos melhores lançadores; enquanto a polícia pode contundir com balas desde o duplo dessa distância, e causar severos traumatismo e mutilaçons oculares desde distâncias menores aos 20 metros. Polo mesmo o grupo rebelde achega-se, polo mesmo carregam depois dos escudos, procurando encurtar o treito que lhes separa dos representantes do estado.

As agachadas, com seus rostos cobertos, mulheres e homens procuram escombros no  pavimento, recolhem o que tenham a mão para dirigir seu descontento com uma nota de protesto escrita na pedra. Atrás os piqueteiros arrancam com ferros e palancas anacos de  claçadas para abastecer de novas muniçons à primeira linha, mais atrás um conjunto de lasers aponta os dispositivos aos olhos dos agentes estatais, aos frontis dos carros policiais, às câmaras de tv vigilância que seguem em pé.

Entre a primeira linha de avanço popular e as espetadoras que têm tempo de acompanhar às  batucadas, há pessoas que se passeiam com garrafas pulverizadoras que contêm água com  bicarbonato, achegam-se raudas a qualquer que tente fugir dos gases abortistas que distribui o governo. Sanadores, voluntários, eixos móveis dos hospitais de campanha que a Cruz Vermelha e as universidades mantêm nas bordas do conflito.

“Viene, viene” di um, enquanto as miradas dirigem-se ao céu tentando adivinhar onde cairá a seguinte muniçom lacrimógena lançada polos carabineros. Alguém com um bidom de água acerca-se à bomba gasosa e utilizando luvas colhe-la para afundi-la no líquido e silenciar assim as lágrimas made in usa. Um grito de apoio é a sua paga. É todo quanto precisa para sentir-se um herói. Para além uma encapuchada carrega uma manta com pavimento rachado, achegando a sua cárrega até as combatentes da primeira linha para que nom retrocedam na busca de arrojadiças armas. “Gracias compañera” escuta-se, enquanto a multitude recolhe num intre até o último escombro e apressam-se em fixar de novo a vista no inimigo.

Piqueteros, abastecedoras, lançadores, escudos. O campo de batalha nom tem organizaçom macro, mas no micro há comunidade e confiança, passos improvisados de planejamento e abastecimento que permitem avanços. É uma guerra de trincheiras, um território roto onde a seguridade está perto do cham porque a altura dos escudos é escassa, e eles som os inimigos duma guerra civil que declarou o presidente em cadena nacional.

Uma guerra que já cumpre um mês, uma campanha militar que o máximo chefe das forças armadas –Sebastián Piñera– nom tem dado por concluída.

Polo mesmo em cada jornada sobem-se as capuchas e voltam á cárrega. Sua tarefa nom é escrever uma nova constituiçom a pedradas, seu sonho nom é matar agentes do estado. Procuram que forças especiais nom entrem na Praça Itália a dispersar a manifestaçom de centos de miles de pessoas que exigem a repartiçom dos privilégios daqueles que vivem no oásis, livres do sobre endividamento ao que obrigam os escassos salários. Sabem que enquanto mantenham a raia a carabineros o espaço neurálgico da capital seguirá chamando-se Praça da Dignidade.

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