Anarquista que luitou em Rojava, opina sobre a solidariedade anarquista com a Ucrânia.

Esta opiniom fai parte dum debate bastante acalorado em sites norte-americanos sobre a luita armada que algumas compas anarquistas estám realizando na Ucrânia, em comparativa com o que se figera ou se está fazendo em Rojava. Publicada em 18 de abril na web Abolition Media (AM) em resposta a um outro artigo publicado em It’s Going Down (IGD) dou-lhe pulo acá a um extrato, uma vez traduzido:

Saim de Rojava há quase três anos e até agora optei por ficar calado, deixando a escrita para aquelas que preferem falar em vez de agir. Observei como o povo ucraniano obtivera mais apoio, entre os meios anarquistas ocidentais, do que os povos kurdo, árabe, assírio, iazidi e outros, jamais poderiam imaginar.

Só no primeiro mês, dúzias, senom centos de miles de dólares foram arrecadados para os “antiautoritários”. Camions cheios de equipas médicas de primeiros auxílios, chaleques à prova de balas, binóculos ópticos e de vissom noturna e miras térmicas e outros suplementos de combate, foram enviados de imediato. Anarquistas ocidentais nom duvidaram em nenhum momento em mobilizar esforços de solidariedade para as afetadas pola invasom russa.

Minha reaçom inicial foi de confusom. Se os meios anarquistas tenhem a capacidade de arrecadar dinheiro e doaçons numa escala tam grande, por que em Rojava estávamos racionando o pouco celox (gasas de combate) que tínhamos e compartilhando um único chaleque à prova de balas entre muitas camaradas turnando-lo em base a quem ia para a frente? Nossas doaçons foram só de centos de dólares e nossos fundos coletivos saiam principalmente do subministro dado polo YPG. Lembro-me do projeto pessoal de um heval (camarada) próximo que mais tarde caiu sehid (mártir) que era arrecadar fundos suficientes para obter um único binoculor de mira térmica para nossa unidade. Um projeto no que ele se passou meses tentando cordena-lo e ao final foi um fracasso. Simplesmente ninguém se importava o suficiente para contribuir.

Deixando de lado a desproporçom entre a solidariedade logística internacional para luitar em Rojava em comparativa com a da Ucrânia, a justificativa ideológica da resistência ucraniana como “sacra” semelha-me muito perturbadora. Recém, um artigo publicado na AM e no IGD, deu uma visom crítica da situaçom na Ucrânia. Nom vou entrar no mérito desse artigo porque esse simplesmente nom é o objetivo deste meu. No entanto, causara ondas de choque ao cometer blasfêmia contra a nova vaca sagrada do anarquismo ocidental: a Resistência Ucraniana. Um artigo de resposta saiu publicado no IGD alguns dias depois e é, a esta resposta, à que eu quero rebater. Tanto o artigo inicial quanto a resposta tratam duma comparativa entre Rojava e Ucrânia. O voyeur do conflito que escreve a resposta começa a se comprometer com a questom de Rojava ao afirmar: “Coma alguém cuja própria tendência de fazer perguntas embaraçosas muitas vezes (nom sempre, mas muitas vezes) sinifica que eu tenho sido mais um observador crítico do que um participante ativo em projetos de solidariedade de Rojava, eu gostaria muito de ver anarquistas norte-americanos fazendo um esforço ativo para se envolver com as perguntas difíceis que muitas vezes nom foram respondidas em Rojava.”

Desde o início, ele admite que fora um observador crítico de Rojava e pede aos anarquistas norte-americanos que se envolvam nas “perguntas difíceis nom respondidas em torno de Rojava”. Isso nom é necessariamente errado, na medida em que analisar as contradiçons do projeto Rojava é benéfico para um desenvolvimento mais radical. No entanto, desde o início demonstra uma abordagem totalmente diferente da do apoio inquestionável à Ucrânia:

  • A luita em Rojava, que tem uma história de muitas décadas de política radical e participaçom em luitas militantes, desde treinamento e luita com palestinos até a resistência contemporânea ao fascismo turco e à ocupaçom, nasceu e permanece firme dentro da Luita Revolucionária. Rojava está, quanto menos, dentro do nosso âmbeto, tangencial à nossa tradiçom.
  • A resistência na Ucrânia nom tem absolutamente nada a ver com a tradiçom anarquista. Claro que se pode argumentar sobre a necessidade de defesa contra a invasom de interesses imperialistas e tudo bem, mas nom é um projeto radical.

Entom, por que qualquer crítica à resistência da Ucrânia é recebida com más intençons e calúnias?

Eu nunca atopara num meio anarquista algo tam impenetrável para criticar e provocar uma resposta tam vil se alguém ousasse. Desde a luita zapatista à Guerra Civil Espanhola e Rojava, tudo é alvo de críticas, mas ousar criticar a Ucrânia é recebido com um ataque venenoso e com a apologia de qualquer coisa, desde violaçons até genocídio.

(…) Deve-se apontar que NOM existe um batalhom anarquista na Ucrânia. Se acreditas no contrário, precisas pesquisar mais sobre o assunto. Pode que alguns estejam agrupados, mas estám dispersos entre unidades regulares da defesa territorial. Eles estám guerreando ao carom de liberais e nacionalistas, e recebem suas ordens diretamente de militares ucranianos. Entom, de acordo com o que conta autor, semelha que isso nom é um problema e nom podemos ser muito críticos, mas malditos sejam aqueles anarquistas em Rojava por terem uma unidade autônoma que tinha relaçons diplomáticas provisórias com alguns comunistas.

O último ponto que o autor usa para deslegitimar militantes anarquistas que viveram, luitaram e morreram em Rojava é o seguinte: vindo de tipos IRPGF que tentaram retratar um pequeno grupo de pessoas pegando armas, posando com faixas em inglês destinadas ao público ocidental e fazendo amizade com maoístas como um salto dramático na teoria e prática anarquistas. Aqui, no conforto da fantasia retórica, o autor ataca anarquistas por “pegar armas” e “posar com bandeiras”.

  • Primeiro, que é o que crês que o Comité de Resistência (RC) está fazendo? Todos os dias há uma nova imagem no seu telegram acenando com armas e enviando mensagens para seus apoiadores no oeste. Eles fam esses posts justamente para o leitor IGD ocidental.

  • E segundo, esta é uma simplificaçom maciça do que era o projeto em Rojava para desestima-lo como um estúpido jogo de rol. Não há mençom ao projeto médico em grande escala que anarquistas criaram e se engajaram muitas vezes operando como a única unidade médica diretamente na linha de frente. Ou talvez a experiência e o treinamento que deu a muitos radicais na tradiçom do Vale do Bekaa? A omissom desses aspectos críticos é essencial para o autor desta narrativa para militantes ocidentais.

O feito de eu ainda estar defendendo anarquistas indo para Rojava anos depois, enquanto qualquer crítica à Ucrânia é recebida com indignaçom moral e ataques pessoais veementes, demonstra que anarquistas ocidentais têm um apego peculiar e visceral à situaçom de lá.

Só podo concluir que isso é indicativo de supremacia branca latente dentro do meio anarquista. Qualquer uma que aponte quaisquer contradiçons com a situaçom na Ucrânia é imediatamente despedaçada e tildada de suspeitosa. Pessoas derramando lágrimas abertamente em podcasts anarquistas para com as mortes na Ucrânia, enquanto nenhuma pinga foi derramada pola ocupaçom de Afrin ou Seri Kaniye. Na verdade, a meia radical esqueceu-se em grande parte de Rojava, e mesmo quando eles se importavam, os esforços de solidariedade eram infinitesimais comparados aos da Ucrânia.

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