Conselharia do Mar Vs Confraria de Baralhobre – Umha guerra desigual na Ria de Ferrol

«Se vives ao redor desta ria e tiras da cadeia, podes chegar a banhar-te nos teus próprios detritos se apuras o suficiente»Césio”, biologo da confraria.

jpgConhecim e compartilhei um feixe de aventuras diversas com o “Césio” nos tempos em que ambos coincidimos em Compostela num tempo de agitaçom nas aulas, nas ruas e nos bares. Ainda ontem mesmo vinhera a minha cabeçinha lembranças dele respostando a cançom de Polansky y el Ardor ¿Qué harías tú en un ataque preventivo de la URSS? com um rotundo convencimento “Recibirlo con flores” , umha resposta que nos fazia soltar a risotada ao resto. Eram anos da luita contra a entrada do estado espanhol na OTAN em que ambos eramos filiados do MCG e concordávamos em teimar no uso do castelám porque era a nossa língua nai e na que foramos educados em Ferrol, lugar de criança que também nos unia. Co tempo ele derivou a falar só em galego, simpatizar com o nacionalismo independentista e a tirar de reintegrado na escrita e eu abraçei o anarquismo galeguista e concordei no de falar só em galego e no uso do reintegrado (voltas que da a vida). A última vez que o vira fora nas luitas contra a desfeita provocada polo Prestige e ele já estava de biólogo da confraria de Baralhobre desde onde pelejava por conseguir da Conselharia de Mar um plano de saneamento da ria de Ferrol conscente de que esta ria era, e segue a ser, a zona marítima mais rica em marisco mas tamém a de maior contaminaçom microbiológica nom só da Galiza senom de todo o estado espanhol.

Agora venho de saber, polas compas do coletivo Negra Sombra, da última estratagema na batalha da Conselharia do Mar contra os responsaveis da Confraria de Baralhobre, na que um feixe de agentes da Garda Civil de Fazenda Pública e do Seprona foram mobilizados para deter ao patrom maior Carlos Rey, ao secretário, David Pita, ao encarregado das subastas, Pablo Barcia e ao meu amigo e biólogo da confraria Joám Luis Ferreiro, “Césio” tras efetuar um registro no pósito durante mais de 7 horas. Os motivos de tal dispositivo ainda nom ficam claros e segue baixo estrito secreto sumarial, se bem os falsimédios apontam a um possível fraude fiscal relaçonado com a venda de marisco contaminado e na gestom dos fundos da confraria. O que sim foi manifesto é que, a imensa maioria das membros da confraria, se concentraram fora do posito até que sairom os quatro detidos, que forom despedidos com aplausos e vítores e que o comentário mais escuitado foi que a Junta estava atuando “por vingança”. Ao dia seguinte os quatro detidos ficarom em liberdade com cárregos sem chegar a fazer declaraçom algumha nos julgados, e á sua saida forom de novo recebidos com aplausos e declaraçom que apontam a um único responsável: a administraçom autonómica e a sua inoperância respeito ao saneamento da ria; assim um mariscador veterano denunciava aos médias: “O que querem é acabar coas confrarias para dar-lhes os recursos aos magnates das rias baixas”

“Césio” como membro da Sociedade Galega de História Natural tem-se destacado no seu trabalho como um firme defessor da vida na ria e um “toca-pelotas” na Junta, e no momento da saida dos julgados declarou ao respeito: “Como biólogo, dedíco-me a fazer mostragens e sei o que há. Quem dá autorizaçom para mariscar –a Junta– sabe o que está fazendo. Os mariscadores vam onde lhes dam autorizaçom e nos recolhemos e comercializamos só o que temos autorizaçom para comercializar. Se nom dam bem as analíticas, por algo será”.

mariscadores en los juzgados /Ontem mesmo os detidos figerom umha rolda de imprensa onde insistirom em responsabilizar á Junta. A tal efeito “Césio” sinalou que a delimitaçom das zonas de extraçom de marisco que determina a Junta é “irreal” e um “sem sentido” e e passou a expôr algumhas incongruências desta clasificaçom que realiza a Conselharia do Mar: “em apenas uns metros coexiste umha zona de exclusom (zona D), como a de Caranza, na que está proibido faenar polos altos niveis de contaminaçom, com umha zona B, onde o marisco vai ás depuradoras de Ponte-vedra e aos poucos ao mercado; ou mesmo ha zonas de extraçom, onde umha embarcaçom que bota o ranho a estribor colhe marisco C (que precisa um tempo prolongado de depuraçom) e se o bota a babor o colhe B” e aponta á Conselharia como responsável por ser a «titular da ria» e a que autoriza a extraçom em zonas clasificadas como B pero que nom tanto o seu nível de contaminaçom microbiológica é muito mais elevado. “Nós nom clasificamos nem damos autorizaçons”, pontilhou.

Umha situaçom que desde os pósitos da Ria levam anos denunciando á Junta, e esta fai ouvidos xordos ante a deseperaçom dos responsaveis das confrarias; pois como sinala “Césio”: “os mariscadores som os primeiros interesados em que se venda produto de qualidade e nunca contaminado, porque é seu médio de vida. E nós só queremos viver do nosso trabalho”.

Em 2013 quando vários inspectores europeios vinheram comprovar o estado de saneamento da ria ferrolá co galho de ver os efeitos de Reganosa, o meu amigo “Césio” lhes soltara meio em broma a frase do subtítulo desta entrada, mas a realidade nom dista nada de ser real pois, a dia de hoje, só a povoaçom do caso urbano de Neda depura suas augas residuais, o resto, mais de 150.000 pessoas, tiram da cadeia e as suas fezes vam para-lo mar. Segundo conta a situaçom nom variou nada e denuncia que “duas vezes reunírom-se na Conselharia do Mar ultimamente para dizir-lhes que nom podem viver disso e propugerom trabalhos de regeneraçom, pero, umha vez mais, figérom-lhes caso omiso”.
contaminacion_Ria-Ferrol Por suposto o problema nom é de agora, eu ainda lembro com muito nojo nos meus anos moços estar numha praia de Caranza e ver vindo flutuando umha ilha escumosa cheia de detritus do hospital. Em dezembro de 2014, o programa da rádio Filispim, “Divertimento para pequenos monstros” convidava ao “Césio” e duas pessoas mais num especial “Ría de Ferrol, o espertar dos peixes” onde, entroutras coisas, falouse, claramente, do estado de saúde da Ria, dos recursos marinhos, das Confrarias e da Conselharia de Pesca e no que “Césio” comentava ao princípio estas suas palavras: “Quero dizer algo que “Vituco” di que escuitou dizer a um velho, aquilo de que ”o mar é mágico, tiras umha coisa ao mar e desaparece, é dizer que nom se vê, e eiqui estamos acostumados, por um lado a estar de costas ao mar, a gente de Ferrol nom se lhe passa pola cabeça ir a umha praia de Caranza, a nom ser que nom tenhas possibilidades de te mover a outro sítio de afora, e a esse cheiro permanente que há quando baixa a mareia e se tem tam assumido que é o cheiro norma da mareia que ninguém se pergunta nunca porquê cheira assim e isso nom é o cheiro da mareia é o cheiro da merda que chega ao mar”.


O mesmo “Césio” publicava em maio de 2102 na revista “Terra e Tempo” um seu artigo com este cabeçalho “Mariscadores e mariscadoras de Baralhobre. Umha loita pola supervivência e a dignidade” e ne-le relata a luita que começara em 2011 quando as confrarias de Baralhobre, A Corunha e Ferrol apresentam conjuntamente o manifesto para a recuperaçom das rias e das costas galegas e que remataria com as mariscadoras e mariscadores de Baralhobre num peche no concelho de Fene e que rematava con estas sábias palavras: “As ameaças e coerçons durante todo este tempo fôrom continuas, mas também o foi a determinaçom dos mariscadores e mariscadoras na defesa do seu meio de vida. Entre a resignaçom e submissom e a defesa do seu trabalho nunca tivérom duvida. Um exemplo de luita onde o PP estende as suas redes clientelares e onde procura a submissom. Um exemplo que anima seguir na luita na defesa dum sector que é fundamental para o nosso pais, e para desgraça de Feijo um problema para Espanha”.

Poida que de tudo isto venham agora estas andrómenas da Junta e da Garda Civil e de ai que a gente da confraria de Baralhobre sinalem que as razons destas detençons som “por vingança”. De todas eu estarei ao carom do meu colega, ainda que já se passara muito tempo sem ver-nos, e nom tanto por razom da extraçom do marisco em condiçons mas sim pola exigência aos culpáveis da desfeita na recuperaçom e saneamento das rias galegas como fonte de vida.

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