A nossa esquecida Natureza Solidária ou Quando as “desenvolvidas” somos o Pior da Espécie Humana

Recém minha nai (católica praticante e um dos meus modelos a seguir como pessoa) contou-me que foi a uma misa na que o oferente era um missioneiro num povo miserento de África, quem lhes relatou que, quando aparecia uma caravana de reparto de alimentos, nunca ninguém pelejava por afazer-se com tudo quanto lá havia e que quanto colhiam faziam-no sempre tendo na conta de que nom houver uma outra vizinha que poidera ter mais necessidade disso do que elas.

A mim, esse apoio mútuo e essa solidariedade nom me estranhou nadinha; acho que é o comum entre pessoas sãs.

Em realidade acho que, só às gentes que vivemos imersas no Capitalismo (real, emergente ou submergente) e que nos consideramos desenvolvidas e que vivemos milhor que o resto, costa-nos entender essa falha de egoismo, dado que nossa estirpe léva-nos a acumular coisas inecessárias e tendemos a ser competitivas por ter mais e mais assim tenhamos que dar-nos de cóvados coas nossas vizinhas para afazer-nos com um trapo moi barato e que depois nunca nos ponheremos; em definitiva costa-nos entender essa humanidade.

A isto contribue a maçante propaganda de que vivemos no milhor dos mundos possíveis e que a competitividade fai-nos milhores e permite-nos destacar por riba de nossas vizinhas e atingir um posto de fama e de sona.

Fam-nos crêr que nós vivemos no milhor dos mundos possíveis porque temos todas um telemóvel e coches e televisons e mil coisas inecessárias no nosso competitivo mundo. E quantificam a pobreza em relaçom as coisas que temos e nom na qualidade das relaçons humanas que gerimos e nas que vivemos imersas.

Assim é como o egoismo é parte das nossas sociedades “avançadas” e cicais por isso cremo-nos superiores e assim aceitamos essas normas e educamos as seguintes geraçons no medo ás desconhecidas, na desconfiança e, quanto mais temos, mais instalamos alarmas e portas de alta seguridade para assegurar-nos de que ninguma vizinha entre pola nossa porta a roubar-nos.

Tudo elo bem endulcorado com anúncios publicitários que nos recordam o privilegiadas que somos porque convêm que nom se saiva que aquelas às que consideramos pobres, tenhem umas vidas muito mais ricas em vivências pessoais e em afetos e amores que as nossas. Nom seja que espertemos dos nossos sonhos e descubramos que, tal qual coma no conto da camisa do home feliz (que minha nai contára-me de neno), a felicidade nom radica em quanto se possue e que mesmo, desesperadas, algumas optem polo suicídio (10 pessoas cada dia no estado espanhol, o que vêm a ser a 1ª causa de morte nom natural) porque, como conta Daniel Cuellar no seu artigo “Suicidio y sociedad. Eros y Tanatos en la sociedad de consumo” publicado no Ekintza Zuzena nº 44: “(…) tal vez este mundo tam deshumanizado, tam alienante e massificado faga que a vida para algumas pessoas nom mereça a pena ser vivida, seja um inferno, uma agonia constante que faga parecer a morte como única saida ao sofremento constante. Nosso mundo decadente nom parece que vaia acordar desse sonho auto-destrutivo no que dirigentes e poderosos nos submergerom. A loucura acumulativa, a devastaçom da natureza e as ânsias de poder nos abocam a babecada meirande que padeceu a humanidade. Nom nos pode surpreender que existam pessonas que, por distintas circunstâncias, pretendam acabar coa sua agónica existência”.

A Camisa do Home Feliz

Num reino distante, onde tudo ia bem, havia um rei muito rico mas muito infeliz. Nom havia o que fizesse o rei sorrir. Vivia a lamentar-se pelos cantos e a queixar-se de tudo, numa infelicidade só. Os médicos nom sabiam mais o que fazer nem que medicamento receitar-lhe para minorar sua tristeza. Do mesmo modo, nom havia artista, cantor, bailarina ou comediante que conseguisse mudar o humor do rei. Procurando uma soluçom extrema, os ministros mandaram buscar um famoso sábio que morava sozinho nas montanhas. O sábio examinou o rei de todas as maneiras e chegou a esta conclusmo:

– Vossa majestade só recuperará a felicidade no dia em que usar a camisa de um homem feliz. Mas tem de ser um homem feliz mesmo. Alguém que esteja completamente satisfeito com a vida.

Com essa esperança à frente, os ministros despacharam lacaios para todos os cantos, em busca do tal homem feliz. Quando o encontrassem, tinham ordem de pagar qualquer quantia por sua camisa. Mas, por mais que vasculhassem até os confins do reino, nada de encontrar qualquer pessoa que se dissesse realmente feliz. Todos sempre tinham alguma queixa, alguma coisinha que lhes deixava infeliz.

Os lacaios já estavam desanimando, quando encontraram um labrego a trabalhar arreu, suando, manejando a enxada e… cantando!

Falaram com o homem. Ele, sempre sorrindo, confessou-se completamente feliz. Disse que adorava seu trabalho, adorava sua mulher, seus amigos e tinha filhos lindos e maravilhosos. Convencidos de que, afinal, tinham conseguido encontrar o que procuravam, os lacaios perguntaram quanto o homem queria para vender sua camisa ao rei.

O homem feliz arregalou os olhos, surpreso, e respondeu:

– Minha camisa? Mas eu sou tám pobre que nom tenho nem mesmo uma camisa!

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