[Afeganistão] Falar polas mulheres muçulmanas é violência x Fatima Tahiri

Recolho (traduço) e colo esta breve reflexom de Fatima Tahiri na web “Poder Migrante” sobre a crise política, humanitária e a violaçom de direitos humanos que vive atualmente o povo afegão e de como está a reagir diante disto o feminismo branco ocidental e sumo-me assim a iniciativa de dar-lhe voz a mulheres muçulmanas para falar desta terrível situaçom em troques de partilhar vozes de mulheres eurocentristas ou ocidentalizadas, desssas que se arrogam ser as ‘suas salvadoras’:

«A situaçom de crise política, humanitária e a violaçom de direitos humanos que vive atualmente, por desgraça, o povo afegão nos coloca na velha posiçom discursiva onde o islão converte-se na fonte de todos os males. As leituras culturalistas baseadas em preconceitos racistas e islamófobos nom só nos coloca 20 anos atrás, como Afeganistão, senom que nos mostra que as coisas nunca têm mudado para xs outrxs. Basear toda a problemática da questom Afegã no islão nom é só islamófobo e racista senom que deniega a agência política dos e das afegãs como suxeitxs politicxs. Nom som mais que muçulmanas que lidiam com uma religiom que lhes oprime sem ter em conta a história, o colonialismo, a intervençom internacional e as características sociais do povo afegão.

De novo vemos-nos imersos nas dinâmicas racistas e islamófobas onde se aponta à comunidade muçulmana e onde o discurso da ‘salvaçom das mulheres muçulmanas’ converte-se no eixo principal tal e como sucedeu no colonialismo. O uso da mulher muçulmana e seu corpo foi uma estratégia colonial para submeter aos povos e fazer uma lavagem às atrocidades e crimes de guerra cometidos durante a colonizaçom.

O mesmo modus operandi utilizou-se na invasom de EEUU em Afeganistão que para além de melhorar a situaçom da mulher, empiorou-na.

Falar polas mulheres muçulmanas é violência, anular sua capacidade intelectual e política é violência, posicionar-te como branca salvadora é violência e é uma opresión constante com a que muitas temos que lidiar. A variante racial e religiosa faz que se suspenda nosso papel como mulheres e que sejamos vistas só como povos inferiores que há que salvar e civilizar, negando todo tipo de sororidade e exaltando todo um imaginário supremacista branco. A questom afegã salpica a toda a comunidade muçulmana dado que o racismo fai que todo seja considerado como um bloco homogêneo, nada mais longe da realidade. Só somos [para elas] muçulmanas e nom somos pessoas

Apelar à salvaçom das mulheres muçulmanas só em contextos como o de Afeganistão mostra a posiçom racista do feminismo que nom tem em conta outros contextos como onde a mulher é a eslabom mais débil. Que se passa com as mulheres da Palestina matadas e maltratadas a mãos do sionismo, e com a limpeza étnica dos Roghinya e com a comunidade muçulmana da China onde milhares de mulheres têm sido violadas? Onde estám os reclamos ali? Afeganistão só é o reclamo para sacar a passear o racismo e a islamofobia. Não interessam em realidade a mulheres afegãs, interesa mostrar que como brancxs ocidentais sois superiores.

Leituras supremacistas, racistas e culturalistas que nunca levarám-nos a acabar com os problemas que nos rodeiam. Se tanto quereis justiça para as mulheres afegãs e muçulmanas tratá-las como iguais, calar e escutar, e sobretudo, respeitar as diferentes visons e formas de existir neste mundo. Por certo, a libertaçom do povo afegão nom só passa por libertar a suas mulheres senom que tamém a seus homens.

O povo afegão é um povo submetido polo colonialismo e o imperialismo que graças a teu feminismo salvador tens apoiado. Por último, mandar forças ao povo afegão e sentir que um tema que teria que ser tratado com rigor por respeito a sua luta e sofrimento tenha acabado num campo de racismo e islamofobia no que temos que sair membros da comunidade muçulmana a aclarar e defender conceitos que já teriam que estar mais que superados.»

Fátima Tahiri. Investigadora da UAM em Estudos Árabes e Islámicos, na atualidade está elabourando a sua tese doutoral sobre ‘Religiosidade e práticas religiosas nos jovens muçulmanos de España: o caso dos jovens de origem marroquino’. É a autora do fermoso poema “YO SOY LA OTRA” que tudo o mundo deveria escutar, sentir e mesmo afaze-lo de seu, e que podedes escutar, na sua própria voz, neste seu vídeo:

Yo soy la otra

Yo soy esa sumisa de la que todo el mundo habla

Yo soy la pobre a la que tienes que ayudar

Yo soy la ignorante a la que tienes que enseñar

Yo soy esa mujer del velo en la que no puedes dejar de pensar

Yo soy la otra

Esa mujer que quieres salvar, pero necesitas atrapada

Yo soy aquella cuyo cuerpo quieres controlar para poder liberar

Yo soy la mujer que tiene que destapar parte de su cuerpo 

para no ser agredida, vejada o para trabajar

Para ser merecedora de respeto y contar como persona 

Yo soy la fantasía que Charles, Rahulla, Usama y Bernard quieren disfrutar

Manoseando mi cuerpo sin consentimiento y sin respetar mi dignidad 

por ir provocando a su aturdido progreso y ensalzado estatus

Yo soy la otra

Soy aquella a la que quieres dar voz, pero no quieres escuchar

Soy la constantemente acallada 

Soy esa pura ilusión de dominar aquello que ni siquiera sabes nombrar

Ni en la fuente del faquín ni en la tertulia de televisión 

Soy la fiel y disponible concubina en tu harén del gueto 

Soy el rollo fácil para presumir de tu papeleta electoral 

Soy la que grita ahogada en el mar del racismo y machismo mientras intenta nadar

Soy la que no es más que un cuerpo que tapar o destapar 

Yo soy la otra

Soy el personaje secundario de su propia historia

Soy aquella que vive en el reflejo eterno de un suelo de cristal en el que se proyecta mi presencia 

Una vaga imagen para engañar, para advertirte que eres mejor, superior

Yo soy el alivio que te quiere hacer creer que eres libre, independiente y puedes volar 

Yo soy la que no pudo elegir no ser, no ser civilizada, no ser empoderada, no ser libre, no ser mujer

Soy la que quiere ser libre para elegir, pues ¿qué es la libertad sino no tener miedo por lo que elegiste?

Yo soy la bárbara, la sumisa, la oprimida, soy la que dejó de ser mujer para vivir condenada en la otredad

Yo soy la que lucha contra lo que es porque se cansó de ser la otra, porque se cansó de no ser

Soy esa mujer agotada de demostrar que merece existir

Yo soy la otra que sólo quiere ser 

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