“O «H» apenas umha letra diacrítica com espíritu de crítica”.- Meu contributo ao “Boletín Abordaxe” nº 19 do mês de maio

As compas de “Abordaxe” pedíram-me se poderia escrever algo relacionado coa data da festividade das “Letras Galegas” porque pensavam adicar-lhe á temática da língua o nº deste mês de maio, misturado com a outra data sinalada neste mês: o 1º de maio em homenagem aos anarquistas assassinados em Chicago em 1891. Agora venhem de tira-lo do prelo e faze-lo público no seu blogue (para sua leitura, descárrega e distribuiçom, clicade acá). Eu colo acá o artigo que, com o título do cabeçalho desta entrada na minha bitácora, escrevim para a coluna “Vento de Través” da sua contracapa e o acompanho do genail desenho de Mincinho para o Portal Galego da Língua. Sinalar que as compas de Abordaxe tamém dam pulo neste seu Boletín nº 19 á minha resenha sobre a nova ferramenta subversiva, contrainformativa e anarquista galega “A Irmandade da Costa” colo tamém ao final o sumário:
O «H» apenas umha letra diacrítica com espíritu de crítica.

Digeróm-me de escrever algo sobre as letras galegas e mirei de gabar aquelas que fam do meu galego, umha língua peculiar ; aquelas com som ou sons que dam razom a quem avogamos pola reintegraçom, porque abrangem a nossa peculiar fonética (essa que nos fai diferentes no falar índa que empreguedes um idioma alheio). Mas acho que é um tema abondo tratado por lingüistas que conhecem muito milhor do que eu essas «peculiaridades», assim que optei por falar do «H» (“agá”), do que damos em dizer que é umha letra muda, se bem -como aponta o Doutor brasileiro Simônides Bacelar na sua Palestra «Aspectos correntes em terminologia médica»– falar de «H» mudo é  questionável, pois mudo é quem nom fala, e prefire falar dele como «nom vocalizado».

Assim o nosso «H» carente de som nom é propriamente consoante e nem vogal, porque nom tem valor algum de som ou ruído, sendo assim que: «Oh! esse home hoje veu á sua hora; hum!», soa tal qual que: «O! esse ome oje veu á sua ora; um!»

Mas no nosso galego, ao igual que noutras línguas irmãs, e a diferência da «abusona» que aninha furtiva na nossa terra, nom tiramos só moi pouco do «H» calado; senom que mesmo prescindimos do «agá» “intercalado” no meio das palavras quando os elementos estám justapostos: «desarmonia, desinivida, …»  ou anteponhemos um hífen nos termos compostos engandindo assim a pausa própria da nossa pronúncia: «anti-histórico, pré-humano, …»

E como suponho estaredes prevendo, algumha outra razom há para adicar-lhe esta coluna o «H» e sim, acertástedes: sua posiçom detrás doutras letras, quando o «H» nom só deixa de ser carente de som, senom que imprime modificaçons notáveis ás letras que acompanham:

– Tras do nosso «C» adquire um som palatal africado surdo /ʃ/
– Depois de «L» se passa de alveolar a palatal /ʎ/
– Seguido do «N» levanta a língua até o prepalatal e segue a ser nasal sonoro /ɲ/
– E, segundo gostos, tamém pode ir tras do «M» nos indefinidos femininos para nom cair no   exotismo do normativo «unha», que nos fai morder-nos as idem ás reintegratas cada vez que vémo-la escrita.
– Além, aínda que nom seja admitida por norma nenhumha há quem gosta de ponhe-lo tras do «G» para dar-lhe o som da «gheada», característico fenómeno fonético próprio da mitade ocidental galega que fai faringal e surdo o velar sonoro do nosso «G» quando média diante de «a», «o», e «u».

Além, segundo o publicado na wikipédia, historiadores acreditam que essa letra surgiu inicialmente de um hieróglifo egípcio que representava umha «peneira»; e já se sabe que «ter  numha peneira a alguém» é tratar alguém muito bem, com muito cuidado, esmero e carinho. E isso é quanto precisa nossa língua para perviver no futuro.

E remato com umha outra adenota histórica: por volta de 900 a.C. os gregos adotaram a letra e como nom pronunciavam a primeira parte desta, a denominaram simplesmente de «ÊTA». Agora só agardo que rematar com este «palavro» esta coluna nom seja motivo de investigaçom fiscal. Ogalhá!

O Gajeiro
………………………….

Sumário do Boletín Abordaxe nº 19:
– PORTADA: O fim do Apartheid contra o reintegracionismo galego

– HISTORIA:
+ Lembrando aos destrutores de máquinas (Cristóbal Cornejo)
+ Manuel Antonio e o anarquismo (Xoán Abeleira)
+ O desaloxo do CSO Minuesa. Cando os telexornais descubriron aos okupas (Revista Contrahistoria)

– OPINIÓN:
+ Essa parvoíce da linguagem (Pim Patinho Penya, publicado orixinalmente no voceiro das MNG en xullo de 2012)
+ O traballo é o dominio patriarcal (extracto do Manifesto contra o Traballo, do Grupo Krisis)
+ A lingua universal (tirado do nº 12 do xornal anarquista Aversión)

– RESEÑAS:
+ Documentário ‘Porta para o exterior’
+ “A irmandade da costa” – Nova ferramenta subversiva, contrainformativa e anarquista (O Gajeiro na Gavea)

– VENTO DE TRAVÉS:
+ O «H» apenas umha letra diacrítica com espíritu de crítica. (O Gajeiro na Gavea)

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