MOÇAS, EU SIM ENTENDO VOSSA RAIVA

«E eu acredito que tem que haver algum castigo
Eu acredito que olho por olho é elementar»
Lou Reed do seu tema «I Believe»

«Nom há dúvida de que quem tropeça uma vez numa pedra,
busca a pedra com afã para volver tropeçar com ela»
Carmen Rico-Godoy do livro «Cortados, solos y con (mala) leche»

Quando meus começos em labouras informativas lá polos finais de século passado na Rádio Kalimero (depois Kalimera) o espaço levava o nome de “CONTRAS”, abreviatura de Contrainformativos; dado que na altura a informaçom alternativa era elabourada basicamente -além da facilitada por médios informativos alternativos como o “Molo”- tras a leitura pausada da imprensa do regime na procura de extrair das notícias aquelas chaves que nos indicaram traças de manipulaçom, tergiversaçom ou discrimaçom. De ai que tivera muito sentido o apelo de “Contras” dado que em fundamento essa era nossa laboura. Tras anos desta prática, de aprender a lêr entre linhas, permitiu-me obtêr uma experiência da que desde entom procuro fazer uso para seguir extraindo as mentiras e as tergiversaçons dos feitos que se narram e contrastando infomaçons construir meu próprio relato co galho de tratar de contra-arresta-la. Aproveito para agradecer ás moças e moços da “Kalimero” das que aprendera tais sutis práticas detetivescas e agrando meus agradecementos a todas as pessoas coas que compartilhei tantos anos de rádio, sem hierarquias, em boa camadereria, e de aprendizagem mútuo e contínuo.

Mas dantes de entrar a escrever o resultado das minhas leituras entre linhas do vosso Comunicado “A JUSTIÇA POLA MÃO” quer sinificar e reconhecer que algumas das minhas reflexons foram extraidas de “ruge-ruges” e comentários que me foram chegando só duma das partes implicadas dado que da outra banda só disponho do texto em questom, que nom é pouco.

Quiger primeiro agradecer-vos o convite á cita ainda que se me remitira por via e-mail apenas 4 horas antes; e tamém agradecer que me sigades considerando “moço”… Aos meus 58 “tacos” é tudo um “piropo”! Surpreendeu-me que me incluirades entre as pessoas “mais ou menos próximas” a vós quando, na realidade, há muito tempo que nom dou uso, mais que moi pontoalmente, de nenhum desses que chamades “nossos espaços”.

Depois de lêr pausado e várias vezes vosso texto, quito a conclusom de que vossa raiva tem muita razom de ser. Percebo que deveu ser moi duro escutar e contar-vos essas intimidades que nunca vos confesarades até entom, pese aos muitos anos de convivência e conivências juntas, e seguro foi um tremendo pau descobrir de golpe que todas estavades tendo atitudes submissas nos vossos relacionamentos íntimos com vossas parelhas estáveis ou com vossos amantes pontoais. Vós!! que ides de radicais do feminismo combativo; Vós!! que levades o empoderamento e a sorodidade por bandeira, espertastedes de comum dum sono profundo e caistedes na conta de que viviades um pesadelo. Tivo que ser traumático reconhecer como violadores a vossos companheiros, e tamém deve ser moi difícil cair na conta do pouco coerentes que sodes quando se trata de se enfrontar de jeito individual a situaçons de risco com vossos amigos e amantes. “Fijo-se o silêncio. Choros. Impotência. Raiva. (…) E o berro fijo-se coletivo”

Entendo assim que foi muito mais doado para vós buscar aos culpáveis da vossa falha de empoderamento individual nos homes que considerades vossos companheiros, vossos irmãos e aplicar sobre eles toda a raiva que nom soubestedes ou nom quigestedes exercer no momento em que sofrestedes essas agresons ás que fazedes mençom, «algumas delas sucedidas nos últimos meses».

Visto assim agora podo entender vossas presas –se bem é de sinificar vosso acerto em tomar por costume aproveitar as datas das diferentes marchas ás prisons e assim anular nessas específicas jornadas a problemática das cadeias e das presas para montar vossas «alertas feministas»-, podo comprender vossas improvisaçons e mesmo o feito de que no ato coletivo de vingança, tal como relatades, umas pegárades e outras nom, que a maioria chorávades e outras nom; e mesmo que agora afirmedes que muitas de vós nom queredes seguir a partilhar espaços com homes socializados na agressom e outras sim.

O que ainda nom entendo bem é como sabendo da presência dalgum dos «interesados» por vós como violadores, só levara cuspes, labaçadas, berros ou um empurrom, quando eu tenho presenciado um ato vosso de justiça coletiva de maneira muito mais contundente por uma outra agressom de menor calibre. Suponho que ao considera-lo coma um vosso irmão freariavos na contundência do castigo. Mesmo fazendo um esforço inumano podo chegar a entender o enfado que vos supugera que um dos convidados plasmara um interrogante na sua foto, se bem acho que neste ato se vós foi «a mão pola justiça».

Com respeito ao meu assinalamento como um dos 48 marcados por vos com um círculo, nada me leva a suspeitar de que minha inclussom seja por causa diferente á minha laboura nos medios alternativos. Suponho que os centos de artigos de temática feminista que escrevim ou transladei e publiquei no IndymediaGaliza, Abordaxe ou OGajeiro, ou mesmo os “Comochoconto” ou os “Contras” da Kalimera nas que dim voz a mulheres dos diferentes feminismos; nom terám importância alguma para vós, dado que tenho um pene entre minhas pernas.

Anos há, quando eu já nom andava por esses lugares de esparegimento hormonal, tomara partido público contra a campanha orquestrada por muitas de vós contra Suso Sanmartín, e seica fiquei desde entom assinalado por vôs como inimigo, e fum um dos “danos colateriais” de dita campanha, e falo em plural porque nom fum eu só. E há que ver a de voltas que dá a vida para pôr a cada quem no seu sítio dado que vários dos assinantes desse manifesto, mesmo alguns aos que eu tinha considerado mais “babosos” que o “susodito”, ficam agora entre os assinalados por vós como agressores; igualando assim os destinos e desatinos do denunciado e denunciantes.

Na altura daqueles feitos já percebera que meu posicionamento público me ubicava dum lado da raia que pretende diferenciar aos homes “feministos” dos machistas, dado que de pronto o que eram sorrisos á distância quando havia cruce de miradas ocasionais se passaram a ser acenos enfurrunhados, além de risas ou silêncios cûmplices e olhadas de esguelha. E isso pese a que minha interpretaçom do sucesso fosse na linha de coletivos feministas coma as envolvidas em “ANDAINA: Revista Galega de Pensamento Feminista”, quem em 2016 publicaram a só 3 dias da significativa data do 25 de novembro, seu artigo BANALIZACIÓN DAS AGRESIÓNS MACHISTAS  ou de mulheres singulares -ás que até entom vós tinhades num púlpito do feminismo- coma Teresa Moure, por assinalar só uma das que receberam vossas críticas lacrimogéneas nas redes do tipo “nom me esperava isto de ti, eu que tanto te lia e seguia”… É justo assinalar que se bem algumas mulheres singulares nom entraram no vosso jogo, daquelas obtiverades uma resposta maciça ao vosso favor; e muitas mulheres e coletivos diferentes se sumaram entusiastas á vossa causa quando no 2º comunicado, suponho que bem assessoradas, agochadares os feitos motivo da acusaçom ao Suso que figurava no 1º deles; de feito seica houvo várias mulheres que assinaram por sororidade e que depois de ter assinado quando conheceram os feitos quigeram nom te-lo feito.

Por isso, a dia de hoje nom me sinto diferente na minha percepçom do quanto me sinificades na minha vida, NADA ou quase nada. De feito podo dizer que só a duas de vós outras tinha consideradas como compas anarquistas -que nom amigas- e do resto mesmo confundo vossos nomes ou sodes-me totalmente desconhecidas. Poida que o mesmo feito de que nunca vos tivera afeto me marcara como machista; se bem na minha defesa alego que isso mesmo me passa com a maioria dos moços convidados ao juíço.

É por isso que, pese a saber por compas da cita uma hora antes dela, nom se me passou pola cabeça figurar dentre os convidados. Só pouco depois dos feitos tivem a oportunidade ocasional de suspeitar que estava errado na minha interpretaçom, quando uma de vós passara numa furgona berrando de moi mã hóstia :“COVARDES!!, OS DOUS!!” (vê-se que nom deveu ficar satisfeita) dirigindo seus berros e acenos cara mim e um meu amigo que estavamos na terraça dum bar do meu bairro esperando por um dos “ajusticiados”, tamém amigo, para que nos dera conta dos incríveis sucessos. Minutos depois este chegava moi alterado e ainda incrédulo coa experiência traúmatica vivida e entre aspaventos confirmou-nos que nossas fotos tamém estavam entre os 101 dálmatas e que eu fora circundado e circulado por vós. Vinha junto ele um dos golpeados -desses vossos abduzidos “a posteriori” e que som parelha de há anos duma de vós- em estado de shock co seu rostro entre lívido e pálido como o das pessoas que acabam de sofrer a experiência mais traúmatica da sua vida e quem só a perguntas minhas acertara dizer: “Me pegaron… y lo peor es que estava _______ presente y no hizo nada”. Bom fazer sim figera, passar dele coma da merda e deixa-lo tirado em Compos tras trouxe-lo enganado de afora ao convite. Nom foi o único enganado; suponho que quase nenhum fora sabendo ao que iam. Seica um outro levava dias sendo alertado pola sua compa de leito de que “passe o que passe o sábado, eu sego querendo-te muito”.

Minha percepçom do ato de justiça com respeito ao que sentirom e sentem os homes lá presentes difire radicalmente das vossas. Muitos seguem doidos, outros nom; muitos estám ressentidos, outros nom; e mesmo há quem estám temerosos de que contedes falsidades sobre eles em base a essa legitimidade que vós outorgades de definir que é uma agressom e a presunçom de veracidade que vós equipara a polícias e picolos diante um juiz. Dim-me que agora -nom tenho confirmaçom- estades a passar-vos a listagem dos 48 para mirar de incrementar vosso prego de delitos e acusaçons; que de momento segue oculto e sua gestom em privado por decissom só vossa. Seica mesmo prometedes tirar luz sobre o recopilatório; medo me dá. Nom seria a primeira vez que uma montagem de tal calibre tem resultados fatais e mesmo há homes que seguem sofrendo boicotes pese a reconhecemento postérior da falácia da denúncia apresentada publicamente contra dele e da sua inocência; e isso muitas o sabedes e outras nom.

Muitos seguem sem saber porquê fumos convidados a receber hóstias ao chou por atos que nunca cometeram polo simple feito de ser vissualmente um home, e outros nom. Se bem acho que agora fica clara vossa explicaçom: “algumas concordamos com a afirmaçom: “todos os homes som violadores”. Outras nom. Mas todas partilhamos que todos os homes socializados como tal estám programados para violar”.

Agora, segundo minha percepçom, já nom tendes tantíssimas siareiras enfervescidas e cegas que vos aplaudam nas redes e nas ruas e bem poucos siareiros. Mesmo seica algumas das vossas amigas e compas de aventuras anteriores já nom estám implicadas nesta vossa nova etapa de caça ao home por ser home e discrepam abertamente do vosso ato; outras olham com recelo e já nom sintem tam profundo a sorodidade para com vós; poida que algo tenha a ver o feito de que muitas mulheres levavam muito tempo e gastaram muitas energias desenhando e elabourando um Protocolo contra as Violências Machistas nos Movimentos Sociais que ainda agora estava a ser apresentado (a 1ª vez em janeiro deste ano) suponho que nom gostarom de que vós vinhades dizindo agora que “fora necessário mas nom suficiente”. Mas há, sempre há, quem ainda assim mira de justificar esse ato em nome da sororidade femenina, dessa falsa sororidade que funciona como o estúpido corporativismo entre profissionais da mesma matéria e tamém há quem desde um posicionamento que só pode ser considerado patriarcal queiram dar uma nova oportunidade a estas moças pese a nom estar de acordo com o que figeram e pese a que isso sinifique renunciar aos seus princípos anarquistas.

Dito o dito e pese a que nunca tivem laços de amizade, nem tam só de aproximidade, coa imensa maioria de vós, eu nom vos gardo rancor; meus sentimentos profundos reservo-los para gente que aprécio e quero. Seguirei procurando nom cruzar-me no vosso caminho. Só vos desejo que nom tenhades o final trágico da autora da vossa referência inicial do vosso Comunicado.

                      Como a violência de género se repete obstinadamente, a mulher empoderada
                      suspeitará se qualquer atitude do seu companheiro é suscetível dessa leitura 
                      e passará a vida a castigar-se. Se assim rematasse a violência, os custos
                      poderiam ser razoáveis… mas o fim não está garantido.
Teresa Moure no seu artigo A surpreendente noção de empoderamento: uma crítica libertária

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