Quando a Força da Natureza Estoupa ou Reventa

Pensamos as humanas que a Terra tuda é nossa, por isso há anos dividimo-la em territórios e limitamos os mares infinitos da nossa contorna;

Parcelamo-la terra em leiras, fanegas e ferrados; outorgamos a sua exploraçom em exclusiva a umas poucas gentes que, para nom sujar-se as suas delicadas mãos, servem-se de outras para trabalha-las;

Apropriamo-nos delas e chantamo-lhes marcos, ponhemos cercas e cancelas e coa mesma, desde seu berço, há quem herdam direitos ancestrais entanto outras herdam misérias e dêvedas;

Construimos castelos fortificados para defende-las propriedades de outras; elevamos valados rematados em coiteladas de fome e fechamos fronteiras para impeder o passo às famentas, às empobrecidas, às fugidas, às que buscam refúgio, às menosprezdas, às ninguém;

E arma-se ao povo para que defendam quanto nom lhes pertence em nome duma mesma Pátria; e coa mesma as párias som enviadas às guerras para manter o estatus das “legítimas” donas dos mares, dos rios, dos montes, das rochas, das grutas, das eiras.

Matamos a fauna e a flora, queimamos, lixamos, sujamos e emporcalhamos, coma se nom houvera um manhá, o ar, a terra e o mar.

Quiçás é por isso que eu, quando a natureza retumba, estoupa, remexa, destroça, reventa, desloca, agreta-se ou trema…

Eu, que nunca nada tivem, nada herdei e nada deixo, diante sua força destrutora, sorrio, aplaudo, abraio-me e rendo-me diante tanta beleza.

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