Entrevista a Pastora ante o juízo a “Nais contra a Impunidade”: “O que estám a fazer é castigar a dor”

nais Quando começei a tratar a Pastora, recém deixaram morrer por falha de coidado médico ao seu filho Xosé Tarrío no CHUAC, se bem “in illo tempore” (finais de 2004-primeiros de 2005) o maldito hospital corunhês ainda mantinha o nome do assassino fundador da Falange em A Corunha: “Juan Canalejo”, um nome moito mais apropriado ás torturas que tivera que suportar o Xosé algemado aos barrotes da sua cama quando estava paralisado.

Pouco depois, e por ela, conhecim tamém a Carmen, nai de Diego Viña, um moço de só 22 anos que aparecera aforcado no quartel da Garda Civil de Arteixo (em setembro de 2004) tras ser detido tras ter umha discusom com seu pai (membro da Garda Civil na reserva).

Ambas mulheres irrumpirom na minha vida e desde entom sínto-me parte da sua dor e da sua luita por tirar á luz os feitos que acarrearom os assassinatos dos seus respectivos filhos e que os sucessivos governos e suas forças de ordem tratam de manipular e falsear até o extremo de querer dar-lhe a volta á realidade e criminalizar ambas mulheres e a quem se lhe arrime solidariamente. Assim em 6 de junho serám julgadas em A Corunha acusadas, entroutras coisas, por injúrias á Garda Civil e pedem-lhes 44.000 EUR de multa ou umha condena de 9 meses de prisom.

08- Pastora em Teixeiro 2 Co galho da campanha de solidariedade para com elas, Boro LH vem de entrevistar a Pastora na web KaosenlaRed, que vos colo acá (traduzida) porque resume moi bem e em poucas palavras o percorrido da luita destas nais que estám sendo atacadas depois de entregar-lhes seus filhos mortos:

-¿Como nasce vosso coletivo e que trabalho levachedes durante estes anos?
-Eu levo muitos anos lutando polo tema presos junto com Fran del Buey e outras companheiras e companheiros no coletivo PreSOS de Compostela. Decidimos criar a associaçom de “Nais contra a Impunidade” a raiz de tantas mortes de tantos moços nos cárceres e comissarias, que eu considero centros de extermínio.

A raiz destas mortes decidimos juntar-nos. Eu por ejemplo, quando morreu meu filho, atopei-me com o coletivo pero como nai estava moi sozinha. Assim que decidimos fazer isto para quando há um caso assim, apoiar-nos, dar-nos consolo e chorar juntas, e dar apoio a estas famílias porque é moi doloroso. Decidimos fazer esta associaçom tamém para ser as vozes dos nossos filhos, os filhos no-los entregaram com os pês por diante, pero para nós nom morrerom, nós luitamos pola sua dignidade e pola nossa, queremos explicaçones.

Criamos umha associaçom sem ánimo de lucro, nom queremos subvençons, pero témo-lo tudo legalizado e assim alguns moços e moças que fam algumha tontaria, as falhas administrativas podem cumpri-las com nos. Tamém damos assessoramento jurídico gratuito os martes polas tardes no Ateneo Xose Tarrío @s pres@s, ás famílas e sobre tudo a nível social, porque há muito trabalho que fazer a nível social.

Tamém mandamos cartas ás pessoas presas e soemos ir a vissita-las, eu personalmente estivem recém em Salamanca acompanhando á nai de Gabriel Pombo da Silva. Este é nosso trabalho e estamos sempre ai com a boca aberta e é por isso que nos tenhem ganas.

Tendes sido denunciadas por pedir o esclarecemento da morte de Diego Viña, rapaz de 22 anos que apareceu morto nos calabouços da Garda Civil de Arteixo em setembro de 2004 ¿Que nos podes contar sobre este caso?
-Á nai de Diego Viña, Carmen, entregarom-lhe seu filho com os pês por diante em setembro de 2004. Carmen conta que é separada, era a mulher dum Garda Civil na reserva, ela separarase quando seus filhos eram moi pequenos, tivera que fugir do quartel da Garda Civil e fora a viver com seus filhos perto da sua família para estar amparada. Os filhos vam medrando, tem um filho e umha filha e o rapaz soe ir vissitar ao seu pai e ás vezes fica na sua casa.

naisQuando sucederam os feitos, Diego levava 3 ou 4 dias durmindo na casa paterna porque trabalhava por ai perto, entom tiveram umhaa desputa, o pai chama á Garda Civil e di-lhes aos seus companheiros que venham a sua casa para levarse ao filho e que durma essa noite no quartel. Estes venhem, pero vem que o rapaz está tranquilamente, metido na cama, nom está nervioso e fala com eles perfeitamente, o pai dice que Diego tirou-lhe um cinzeiro á cabeça e os gardas dim-lhe ao pai que nom podem leva-lo se nom tem um parte médico. O pai sae, vai á médica de urgências de Arteixo, que tamém tivo que declarar. Na sua declaraçom a médico di que nom lhe fijo o parte médico porque nom lhe ve absolutamente nada ao pai, o que si que vé é que cheira bastante a alcool, isso é o que pom nos seus papeis. Despois o pai marcha do centro médico e essa noite a Gardia Civil de tráfego o para por duas vezes, na declaraçom desses agentes dim que triplicava a tasa de alcool, pese ao qual nom é retido.

Nom sabemos que se passou nesse intervalo de tempo, porque el saiu do centro médico sem um parte médico, pero logo vam recolher ao rapaz á casa e levám-se-lo sem umha ordem de detençom. Nom há nenhuma ordem de detençom registrada, ai nom se sabe que é o que se passou e como foram a dete-lo. Nom avissam á nai e tras passa-la noite nom o ceivam de amanhã, o seguinte que dim é que ás cinco da tarde aparece aforcado na sua cela. A sua versom é que eles ouviam que berrava muito e que dava golpes contra a parede, no momento da sua morte as cámaras nom funcionam porque dim que vai contra a intimidade do preso. Nesse momento o único detido no quartel era Diego. Temos as fotos do seu corpo e da cela, o muro do corredor estava cheio de vómitos, supostamente aforca-se com o seu pantalom vaqueiro. Despois os gardias dim que ao nom escuitar os seus berros baixam e atópam-no colgado, cortam o pantalom e tiram-no ao lixo porque dim que “ninguém o reclamara”, ocultando assim as provas e obstaculizando a investigaçom. Avissam entom á sua nai, quem se entera ás onze da noite porque a chama sua filha chorando desesperada.

A raiz disto denúncia-se o caso, pero ainda assim a esta nai se lhe negou qualquer possibilidade de que se abrira umha investigaçom e de saber que é o que se passou. Aqui em Corunha negarom-nos tudo, fumos a Madrid e ai conseguimos que os imputaram, por denúncia falsa ao pai e por detençom ilegal ao resto. O julgado de Madrid remitiu-no ao de Corunha dado que sucederom alá os feitos, entom um dos imputados recurre e a raiz disso ficam todos completamente livres. E a nai nom tem direito a saber porque detiveram ao seu filho, recorrimos ao constitucional e mandou-nos um papel com quatro linhas dezíndo-nos que está tudo mais que claro e que nom há nada que fazer.

E em concreto, porquê feitos vos imputam agora a vosoutras?
– Tras esta morte, todos os anos, entanto eles vam á igreja a rezar no Dia da Benemérita, concentrámo-nos pedindo justiça, chorando por Diego Viña e polos nossos filhos. Pedindo explicaçons, queremos saber onde estám as provas e porque se lhe negou a esta nai o seu direito a que se investiguem os feitos. Já no ano 2009 fumos denunciadas mentras estávamos protestando fronte da igreja onde estava a garda civil celebrando o dia da benemérita com a alcaidesa da vila, nós éramos umhas 18 pessoas protestando afora, com ataúdes, com as fotos dos nossos filhos e com faixas, denunciárom-nos dezindo que atrancaramos a porta da igreja e que nom poideram sair e que temiam polas suas vidas e as dos seus familiares. ¡Imagína-te! 4 nais e 14 jovens que estávamos… A juíza nom o chegara a admitir a trámite porque aquilo nom tinha nem pês nem cabeça. Além colheram a gente a dedo, porque tamém meteram a umha pessoa que nem sequer estivera ai.

E no 2010 si que nos identificarom e nos denunciarom polo penal, metem-nos umha querela criminal, estamos 15 pessoas imputadas, entre elas dois advogados, um deles de direitos humanos. E ademai atreverom-se a denunciar á própria família, denunciarom á irmá, á prima e a umha tia do defunto. E tamém tocou-me a mim por estar ali. Acusam-nos por injúrias á Garda Civil e por obstruçom ao culto, porque estavam rezando dentro da igreja. Pedem-nos 44.000 EUR de multa ou umha condena de 9 meses de prisom. Paréce-me o mais rastreiro do mundo o atacar ás nais depois de dar-nos nossos filhos mortos.

Parece um absurdo que nom investiguem esta morte e que em troques vos investiguem a vosoutras por denuncia-la…
– Quando se nos está atacando e se nos está denunciando a nos que luitamos contra as injustizas, é porque molestamos, porque lhes estamos fazendo dano. A mim persoalmente com o tema de Tarrío nom me molestaram tanto no passado, notanto agora ao apoiar a esta nai sí. Di um dos advogados que necessitam um “cabecilha” e que vam por mim claramente. Eu crio que lhes estorvamos, fai-lhes dano que estejamos ai protestando com as fotografias dos nossos filhos e eles aproveitam isto para meter-nos medo.

Pero o que me parece mais rastreiro é que por riba atrevam-se a denunciar ás nais e á família, que somos as mais perjudicadas. O que estám a fazer é castigar al dor, companheiro. O problema é que nom se depuram responsabilidades, nim se investigam istos feitos, quando suceden casos assim tem que haver umha investigaçom e os culpáveis tenhem que pagar.

tasio_torturaNos últimos meses, o ataque contra a liberdade de expressom é total, com casos como as operaçons aranha, os titeriteiros… pero últimamente sairom casos como as detençons em Burlata (Nafarroa) por realizar um mural denunciando a tortura, ou o vosso, por pedir o esclarecemento do caso de Diego Viña. Esta-se perseguindo direitamente a quem sostenhem que no estado espanhol tortura-se…
– Pois suponho que me terám que denunciar a mim tamém, porque levo anos denunciando a tortura. E nom podem nega-lo, ai está o caso de José Antúnez, denunciado polos relatores de direitos humanos da ONU: a ONU reconhece que Espanha tortura. Ou tamém Europa condenou 6 ou 7 vezes a Espanha por torturas. Há sentências que o reconhecem.

Eu persoalmente vim ao meu filho no hospital de Juan Canalejo, como mo tiveram, paralisado e algemado ao somier da cama, dezíndo-me que morria meu filho, que de feito morreu. Ou seja, torturaram ao meu filho, humilharom-no e a mim com el. Assim que eu digo que a tortura existe.

Recebedes algum tipo de apoio ou reconhecemento instituçonal ao vosso trabalho
– Nada. Cero patatero. Em primeiro lugar é um trabalho que nom é para levar-se medalhas nem as queremos, é um trabalho humano e de coraçom o damos. E por desgraça referente aos presos ninguém quere saber nada.

Eu nom crio na justiza, antes cria nela e já nom crio nada, porque ademais ve-se que quem fai a lei fai a trampa. Aqui podes fazer o que queiras mentras tenhas dinheiro e podas pagar a tua fiança, já ve-se toda a corrupçom que há, e que muitos casos de corrupçom prescrevem semn investigar-se, que muitos corruptos tenhem o dinheiro fora… ai nom vai ninguém ao cárcere, e quando vam nom estám nas mesmas condiçons que o resto dos presos.

E já nom falemos do ilhamento, ao meu filho o tiverom 12 anos em régime FIES, control direito, controlado as 24 horas do dia a través dum monitor. Como podem dizer que o cárcere reinserta quando foi desenhada e fabricada para destruir ao ser humano?

Algo mais que queiras engadir…
– Sómentes que nos gostaria que o dia 6 de junho recebamos o apoio de todo o mundo, que estejam lá e que este caso se dea a conhecer, porque as nais nom se podem tocar.

Muitas graças Pastora, um abraço!

Graças a vos companheir@s!

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8 ideias sobre “Entrevista a Pastora ante o juízo a “Nais contra a Impunidade”: “O que estám a fazer é castigar a dor”

  1. Miguel

    La Iglesia Católica tiene más poder en España de lo que se ha imaginado el gobierno. Han sabido mantenerse al margen de la democracia y utilizar los gobiernos un poco católicos y metidos para mantener sus poderes hacia el público. Por si fuera poco, utilizan todo tanto lo de las democracias, como también las empresas privadas o el capitalismo individual. Tienen mucho poder en España, ahora ellos votan, tienen a miembros en los sitios democráticos, y tal como si nada, cuando no son democraticos, pero utilizan las instituciones como les da la gana, cuando no el capitalismo. Es decir aunque haya un gobierno laico, ellos saben muy bien cómo ponerse fuera o atrás y utilizar el capitalismo para proteger sus propiedades, sean hospitales o recintos, universidades y escuelas.

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